Resenha: Aretha Franklin – Aretha Franklin Sings the Great Diva Classics

Lançamento: 17/10/2014
Gênero: Soul, R&B, Disco
Gravadora: RCA Records
Produtores: Clive Davis, André “3000” Benjamin, Antonio Dixon, Kenny “Babyface” Edmonds, Aretha Franklin, Terry Hunter, Eric Kupper, Harvey Mason Jr., Dapo Torimiro e Wayne Williams.

“Aretha Franklin Sings the Great Diva Classics” é o título do trigésimo oitavo álbum de estúdio da rainha do soul Aretha Franklin. Lançado em 17 de outubro de 2014, o disco é formado por dez faixas covers de canções que ficaram famosas na voz de alguma cantora. É o primeiro trabalho de Aretha Franklin pela RCA Records e o seu primeiro álbum de estúdio a ser lançado sob uma grande gravadora em 11 anos. O último foi o álbum “So Damn Happy” de 2003, material lançado através da Arista Records. É também o seu primeiro esforço, desde 1998, a ter Clive Davis, fundador da Arista Records e diretor criativo da Sony Music Entertainment, como produtor executivo. Davis descreveu o disco como “puro e simplesmente sensacional” e disse que Aretha Franklin “está pegando fogo e vocalmente em uma forma absolutamente no pico”. Ele também mencionou “que é emocionante ver uma artista inigualável ainda mostrando o caminho, ainda provocando arrepios na espinha, ainda demonstrando que toda a música contemporânea precisa de sua voz, e que voz”.

Além de Clive Davis, a produção do álbum ficou à cargo de André 3000, Antonio Dixon, Babyface, Terry Hunter, Eric Kupper, Harvey Mason Jr., Dapo Torimiro e Wayne Williams. Estreou em #13 na parada de álbuns da Billboard 200 dos Estados Unidos, com vendas na primeira semana de 23 mil cópias. O primeiro single lançado foi o cover de “Rolling in the Deep”, da cantora Adele, intitulado como “Rolling In the Deep (The Aretha Version)”. Essa versão inclui uma parte das letras de “Ain’t No Mountain High Enough”, hit de Marvin Gaye e Tammi Terrell, onde a cantora eleva o seu vocal a alturas estratosféricas. A versão de “At Last”, faixa de abertura, foi produzida por Babyface, porém, não afasta-se muito da versão clássica de 1961 de Etta James. Começa com alguns floreios vocais adicionados por Aretha e, em seguida, recebe um toque de jazz mais contemporâneo, com uma moderna percussão e a adição de um saxofone. Realmente uma canção que soa familiar e emocionante ao mesmo tempo.

Em “Midnight Train to Georgia”, originalmente de Gladys Knight and the Pips, Franklin começa a cantar um pouco mais reservada, segurando as notas afim de manter um tom mais suave. O destaque aqui vem do seu time de veteranos e vocalistas de apoio: Fonzi Thornton, Tawatha Agee, Brenda White-King, Latrelle Simmons e Cissy Houston, mãe de Whitney Houston. Eles acrescentaram um toque gospel que, juntamente com a produção de Babyface, ficou simplesmente maravilhosa. “I Will Survive”, famosa canção de Gloria Gaynor, aparece aqui como quarta faixa, sob o título de “I Will Survive (The Aretha Version)”. O DJ de house, Terry Hunter, adicionou uma batida atualizada para o disco de Gaynor e uma grande surpresa que acontece após os 2 minutos. Nesse momento, o ritmo cai e Aretha Franklin aparece performando “Survivor” das Destiny’s Child.

Aretha Franklin

“People”, cover de Barbra Streisand, é a primeira faixa do álbum que se distancia do soul e R&B. A versão de Franklin permaneceu refrescante e muito adorável, afinal, a rainha do soul não poderia deixar de fora uma canção de Streisand, para um álbum chamado “Clássicos das Divas”. Para o cover de “No One”, de Alicia Keys, Aretha Franklin adicionou um reggae muito bem-vindo que, definitivamente, foi a surpresa mais agradável do álbum. No disco também temos um medley de “I’m Every Woman” de Chaka Khan, com uma versão revivida de “Respect”, hit na voz de Franklin, mas, originalmente, escrita e lançada por Ottis Redding em 1965. A música, nas duas versões, é significativamente diferente e, através de algumas pequenas alterações na letra, a história ficou com um toque mais especial. “Teach Me Tonight” é a faixa mais antiga do álbum, um pop tradicional feito por vários artistas renomados, porém, sempre de propriedade de Dinah Washington desde 1954.

É o número favorito de Franklin, levando em consideração a sua reverente interpretação e, talvez, porque é o número mais antigo. Embora tenha vários aparates modernos empregados aqui, a canção é contida e manteve o seu toque clássico. Outro número que não poderia faltar no álbum é o cover de Diana Ross. “You Keep Me Hangin’ On” é uma canção de 1966 escrita por Holland–Dozier–Holland e originalmente gravada pelo grupo The Supremes, formado por Diana Ross, Florence Ballard e Mary Wilson. Ao longo dos anos, diversos artistas regravaram essa canção, dentre eles Rod Stewart e Reba McEntire. A versão de Aretha Franklin ficou tão boa quanto a original, graças a ótima batida acrescentara pelo produtor Terry Hunter. “Nothing Compares 2 U”, canção originalmente escrita e composta por Prince para um de seus projetos paralelos e, posteriormente, famosa pela gravação da irlandesa Sinéad O’Connor, aparece aqui fechando o registro.

A versão de O’Connor, co-produzida por Nellee Hooper, tornou-se um estrondoso hit mundial em 1990, com um videoclipe descrito como icônico e uma letra que explora sentimentos de saudades. A versão de Aretha Franklin veio com um balanço up-tempo que apaga completamente o clima de tristeza de Sinéad O’Connor. Ficou tão irreconhecível que, com certeza, você irá se perguntar se é realmente a mesma música. Eu, particularmente, não gostei da versão da Aretha Franklin, pois tirou completamente a magia, a emoção e sedução da versão interpretada por O’Connor. Enfim, Aretha Franklin não precisa de especificações ou uma grande introdução, sua carreira e prêmios falam por si só. Ela já conquistou 18 prêmios Grammy e reconhecimento em todo o mundo ao longo de seis décadas. Aos 72 anos, ela não precisa se reinventar ou provar algo, seu legado já foi estabelecido. Ms. Franklin ainda continua firme e forte para nos presentear com outro ótimo e divertido álbum.

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Favorite Tracks: “At Last”, “Midnight Train To Georgia”, “No One”, “I’m Every Woman / Respect” e “You Keep Me Hangin’ On”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.