Resenha: Arca – Arca

Lançamento: 07/04/2017
Gênero: Eletrônica, Experimental
Gravadora: XL Recordings
Produtor: Arca.

Alejandro Ghersi, mais conhecido por Arca, é um produtor eletrônico venezuelano, baseado em Dalston, Londres. Até o momento, ele já lançou três álbuns de estúdio muito elogiados pela crítica e produziu para artistas como Björk, Kanye West e FKA twigs. Com o seu auto-intitulado álbum, “Arca”, ele tornou-se um verdadeiro pioneiro da música eletrônica moderna. Este registro é muito mais humano, pessoal e interessante do que seus discos anteriores. Sua voz desliza alegremente através de uma beleza verdadeiramente sombria. Sua música é incrivelmente atraente, estranha e escaldante. Suas paisagens sonoras costumam ser distorcidas, agressivas e, ao mesmo tempo, elegantes. Arca é um artista honesto e emocional, e produz ondas sonoras que se chocam através de vivas distorções e sintetizadores com propósitos. Pela primeira vez Ghersi canta em seu álbum. Por isso, é o primeiro material dele que realmente mostra sua voz em um estado natural. Ele é músico completo e sua voz é uma ferramente muito poderosa. Dito isto, ele se tornou muito mais do que um produtor inovador e aclamado. A vulnerabilidade de sua escrita também é bastante clara. Nesse álbum, ele optou por cantar somente em espanhol, dando ainda mais profundidade e personalidade para o mesmo.

Essa escolha soa muito artística e simbólica. “Piel” abre o álbum. Arca começa de forma melódica, enquanto um tom afiado penetra nossos ouvidos. Um baixo obscuro começa a surgir enquanto sua voz se mantém frágil. Liricamente, trata-se de tirar a velha pele e tornar-se uma nova pessoa. É uma música muito inquietante e adequada a realidade solitária e desolada de Arca. Essa canção definitivamente estabelece um humor sombrio para o registro. É um número assustador, significativo e estranhamente sensual. Uma melodia de piano simples e um sintetizador carregam as coisas eletronicamente, enquanto Arca oferece vocais de tirar o fôlego. A produção singular de Ghersi é ainda mais evidente nas faixas “Anoche”, “Saunter”, “Castration” e “Whip”. “Anoche” é um destaque do registro. Aqui, ele canta: “Eu sonhei com você ontem à noite / Sua figura e seus braços”. Enquanto isso, o trabalho de sintetizador em “Saunter” aumenta a força dos seus crescentes vocais. A terceira faixa, “Urchin”, é um número triste e apresenta uma composição quase cinematográfica. É uma canção que exala um grande peso emocional. A faixa seguinte, “Reverie”, é uma das melhores e mais sombrias canções do álbum. No meio de sua execução, temos uma explosão frenética que mescla sua voz com potentes sintetizadores.

Os vocais de Arca gaguejam com tamanha harmonia, que fazem a música proporcionar um final inesperado. A troca de estilos vocais adiciona um drama e progressão muito satisfatória. A sedutora e misteriosa “Sin Rumbo” contém melodias romantizadas e uma atmosfera orquestral. Em “Desafío” ele oferece texturas sonoras que deslizam suavemente, mesmo em meio a letras escuras. É uma canção estranhamente suave e reconfortante. “Desafío” é o mais próximo que Arca conseguiu chegar da música pop. Uma faixa cheia de luxúria, paisagens sonoras etéreas e um gancho atrativo. Durante “Miel” Arca está no seu estado mais sexual, enquanto o álbum fecha com o instrumental anti-climático de “Child”. “Arca” é um álbum fenomenal, emocional e poderoso. Alejandro Ghersi é um artista que consegue injetar vida na música eletrônica. Ele consegue trazer mudanças e inovações para um gênero tão reverenciado. Esse LP mostra o seu estado sônico mais refinado e opera de forma muito artística. Ele pegou emprestada algumas influências de seus colaboradores anteriores – Björk em particular. “Arca” tem, por exemplo, a mesma sensação perturbadora do “Vulnicura”. Em outras palavras, esse é melhor trabalho de Alejandro Ghersi até a presente data.

Favorite Tracks: “Anoche”, “Reverie” e “Desafío”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.