Resenha: Anthrax – For All Kings

Lançamento: 26/02/2016
Gênero: Thrash Metal
Gravadora: Megaforce Records / Nuclear Blast
Produtor: Jay Ruston.

Formada em 1981, a banda Anthrax é considerada uma das líderes da cena thrash metal dos anos 80. Entre as bandas do famoso ‘Big Four’ (Anthrax, Metallica, Megadeth e Slayer), ela é a única da Costa Leste dos Estados Unidos. “For All Kings” é o seu décimo primeiro álbum de estúdio, lançado em 26 de fevereiro de 2016. Ele é o primeiro disco da banda com Jon Donais na guitarra, substituindo Rob Caggiano. Além do novo membro, atualmente o grupo é formado pelo fundador Scott Ian, Charlie Benante, Frank Bello e Joey Belladonna. Como uma das quatro grandes bandas de thrash metal, o Anthrax sempre foi muito consistente. No entanto, no início da década de 2010, eles passaram por altos e baixos, incluindo longa demora para lançar um novo álbum e a mudança de formação.

O sucesso inesperado e resposta positiva do público perante o disco “Worship Music” (2011), lançado 8 anos depois do “We’ve Come for You All” (2003), deu um impulso significativo para o Anthrax. Como uma lenda, a banda tem sido um sinônimo de metal pesado nas últimas quatro décadas. Após um intervalo de 5 anos sem disco novo, eles finalmente lançaram um novo registro em fevereiro desse ano. “For All Kings” entrega o thrash que fez deles conhecidos, mas também os vê explorando outras vias sonoras sem perder a sua autenticidade. A obra de arte de Alex Ross na capa do álbum, define a cena para o que está por vir. E, como seu décimo primeiro álbum, “For All Kings” prova mais uma vez porque Anthrax ganhou o seu lugar no ‘Big Four’.

Do início ao fim, o disco é muito bem construído, super thrash e uma verdadeira máquina de metal. Do ponto de vista da produção, a boa engenharia de Jay Ruston serviu como uma luva para a banda. Depois de uma introdução dramática, chamada “Impaled”, o álbum segue com a faixa “You Gotta Believe”. É uma canção onde o grande trabalha na guitarra de Jon Donais, em seu primeiro álbum com o Anthrax, mistura-se perfeitamente com o do seu colega guitarrista Scott Ian. A canção segue pelos padrões do Anthrax por cerca de 6 minutos, mas evitando segmentos tensos e quebras de solos emotivos. Como a maioria das canções do repertório, tem profundidade e diversidade, que inclui uma demorada pausa instrumental que suaviza um pouco as coisas.

anthrax

Os clássicos riffs, solos prolongados, a assinatura vocal de Joey Belladonna e a percussão técnica, estão todas condizentes com o estilo da banda. “Monster at the End” é uma das canções mais simplificadas do LP, e provavelmente a mais acessível e cativante. É um clássico instantâneo com riffs poderosos, um forte refrão e algumas boas letras. Embora não pareça ter alguma mensagem subjacente, seu tema é muito interessante para uma melodia metal. A faixa-título, “For All Kings”, começa com uma peça vocal épica de Belladonna, antes de tornar-se outro triturador frenético e tradicional. O primeiro single, “Breathing Lightning”, atrasa um pouco as coisas ao apresentar um refrão excepcionalmente cativante. É o melhor exemplo de faixa comercial e radio-friendly que temos nesse registro.

O refrão certamente deve ter agradado os fãs de gêneros como hard-rock e heavy metal. Após o interlúdio “Breathing Out”, temos faixas como “Suzerain” e “Evil Twin” seguindo pelo mesmo território de alguns dos seus clássicos dos anos 80. Ambas faixas soam como grandes sucessos, graças aos seus poderosos ganchos. Do ponto de vista de composição, elas são intricadas, bem escritas e com instrumentais harmoniosos. Uma das canções de destaque é “Blood Eagle Wings”, uma dose experimental com quase 8 minutos de duração. É uma faixa mal-humorada, introspectiva e com tons mais pesados e escuros. De alguma forma, o refrão conseguiu funcionar muito bem. O restante do álbum também não deixa de ser forte, com faixas como “All of Them Thieves” e “This Battle Chose Us!” prontas para explodirem ao vivo.

“Defend/Avenge” não soaria fora do lugar se estivesse presente em algum dos seus álbuns dos anos 90. A última aparição do registro é a essencial e grudenta “Zero Tolerance”. Como podemos perceber, as composições do Anthrax amadureceram. Em termos de performance, eles também soam excelentes. A voz de Joey Belladonna tem se mantido notável ao longo das décadas. Ele soa mais confiante e completamente à vontade em todo o álbum. Cada canção do “For All Kings” é extremamente bem trabalhada. Eu sou um fã das quatro grandes forças por trás do thrash metal. E posso afirmar que o Anthrax não decepcionou no “For All Kings”, afinal é um álbum incrível.

75

Favorite Tracks: “You Gotta Believe”, “Breathing Lightning”, “Suzerain”, “Evil Twin” e “Blood Eagle Wings”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.