Resenha: Annie Lennox – Nostalgia

Lançamento: 30/09/2014
Gênero: Soul, Jazz, Blues
Gravadora: Island Records
Produtores: Mike Stevens e Don Was.

A cantora escocesa Anne Lennox, conhecida internacionalmente por fazer parte do duo Eurythmics com Dave Stewart, lançou em 2014 o seu sexto álbum de estúdio solo. Ela é a artista feminina mais premiada na história do BRIT Awards, com um total de oito prêmios, incluindo seis na categoria de Melhor Artista Feminina Britânica. “Nostalgia” foi lançado em 30 de setembro de 2014 pela gravadora Island Records, sendo o seu primeiro álbum em quatro anos e o terceiro de covers. Comercialmente, o disco estreou em #10 na parada de álbuns da Billboard, com vendas na primeira semana de 32 mil cópias nos Estados Unidos. Em 15 de agosto de 2014, Lennox publicou um post em seu site oficial anunciando o lançamento do “Nostalgia”. Ela afirmou que o álbum seria, inicialmente, lançado em formato de LP de vinil em 30 de setembro 2014.

Mais tarde, o álbum chegou a ser nomeado na categoria de Melhor Álbum Pop Tradicional no 57th Grammy Awards. “Nostalgia” foi apresentado pela primeira vez para um pequeno público no Hollywood Forever Cemetery, em Los Angeles, Califórnia, em 12 de agosto de 2014. A evolução de Annie Lennox como rainha britânica do soul não é exatamente uma surpresa. Sua voz magnífica demonstra uma grande exibição neste conjunto orquestral de jazz e blues. Ela atravessa o terreno das músicas, que vai do blues, soul até faixas de jazz, semelhantemente às versões originais. Um ponto muito positivo é que a ideia de Lennox, para esse nostálgico álbum, ainda soa muito fresca. Rapidamente, o disco começa de forma promissora o suficiente na ousada performance da romântica “Memphis In June”. Lennox coloca sua poderosa voz em prática para obter um tom próprio e dar uma inclinação linear, exuberante e brilhante para a canção.

“Georgia On My Mind”, canção de Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, é intimamente associada a versão de Ray Charles, apesar de ter sido gravada muito antes por outros artistas. É uma das minhas favoritas do álbum, Lennox conseguiu dar um poder e clareza para a faixa, ao manter suas notas e trazer para fora a verdadeira beleza e alma da música. “I Put a Spell On You”, uma balada brusca e deliciosa, versão original de 1956 de Screamin’ Jay Hawkins, é tomada por uma nervosa e maravilhosa guitarra elétrica. Lennox a lançou como primeiro single do álbum, uma boa jogada por parte dela, pois sua voz, ao ser acompanhada por uma grande presença instrumental, soa ainda mais forte. Outra apresentação agradavelmente de bom gosto, foi sua interpretação orquestral na faixa “Summertime”. Lennox alongou as notas, manteve-se fiel ao seu curso e trouxe uma graça imponente para esse cover de George Gershwin.

Annie Lennox

“I Cover the Waterfront” é outro lindo momento do repertório, faixa interpretada com um brilho extremamente melancólico. Enquanto isso, a arrepiante “Strange Fruit”, famosa em 1939 por Billie Holiday, é revivida com outra impressionante interpretação vocal. A cantora entregou uma performance com bastante honestidade, trazendo a música para a era moderna, porém, preservando a sua genuína emoção. A majestosa “God Bless the Child”, outra faixa originalmente concedida por Billie Holiday, também é apreciada brilhantemente por Lennox, que elevou sua autenticidade 75 anos depois de escrita. “You Belong to Me”, por sua vez, é uma canção relaxante, suave, cheia de beleza e romantismo. A versão de Jo Stafford de 1952 foi bem sucedida comercialmente, enquanto o cover de Annie Lennox foi entregue lindamente.

Essa sensação romântica continua em “September In the Rain”, uma popular canção de Harry Warren de 1937, que já foi regravada, desde então, por muitos outros artistas. Annie tomou as rédeas da faixa com sua graciosidade e não deixou o número soar exausto, mesmo após tantas outras regravações. “I Can Dream, Can’t I?”, décima faixa, foi uma canção originalmente escrita e lançada por Sammy Fain em 1938. Tommy Dorsey lançou uma gravação que tornou-se hit no mesmo ano, mas foi nos anos pós-guerra que a canção ganhou um maior sucesso. O acordeão que acompanha a música é encantador e a percussão, que entra por volta dos dois minutos, é incrível. Aqui, Lennox trilha seu caminho suavemente e de forma brilhante, ao exibir seu belo timbre rouco e acertando lindas notas altas. “The Nearness of You” ficou famosa no filme romântico “In the Dark” de 1938, estrelado por John Barrymore e John Boles, e cantada pela atriz principal Gladys Swarthout do Metropolitan Opera Fame.

Nessa canção, escrita por Hoagy Carmichael com letras de Ned Washington, Lennox reviveu o clima encantador da música e ofereceu um cover digno de enfeitar as obras teatrais dos dias de hoje. “Gostaria de saber se essa música iria servir na minha voz”, disse ela à respeito da canção. “Então eu comecei a conhecê-la, e me diverti bastante no processo”. O álbum termina com “Mood Indigo”, faixa que traz a nossa mente gravações similares as de Carole King e Bryan Ferry. O piano adiciona um sabor diferente, enquanto as brilhantes harmonias, próximas do final, são excelentes. “Mood Indigo” é positivamente alegre e muito agradável, tudo tão bem elaborado que tornou-se um final perfeito para este conjunto. Em última análise, embora não tenha uma produção impecável, o “Nostalgia” é polido e oferece vocais mais ressonantes do que nunca. Assim como as músicas escolhidas, a beleza do seu vocal, sem dúvida, resistiu ao teste do tempo.

65

Favorite Tracks: “I Put a Spell On You”, “God Bless the Child”, “You Belong To Me”, “I Can Dream, Can’t I?” e “Mood Indigo”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.