Resenha: Anderson .Paak – Malibu

Lançamento: 15/01/2016
Gênero: R&B, Hip-Hop, Neo Soul
Gravadora: Aftermath Entertainment
Produtores: Adrian L. Miller, Ketrina “Taz” Askew, Kevin Morrow, Anderson .Paak, 9th Wonder, Callum Connor, Chris Dave and The Drumhedz, Dem Jointz, DJ Khalil, Hi-Tek, Jose Rios, Kaytranada, Like, Madib, POMO e Vicky Farewell Nguyen.

Crescido em Oxnard, Califórnia, Anderson .Paak migrou para a música muito cedo, quando tocava bateria na igreja durante sua infância. Ele vem de origens modestas, pois cresceu com um pai na prisão e uma mãe que também teve problemas com a lei. Ele é um nativo da Califórnia que canta com a alma e possui uma aura semelhante a de Maxwell e D’Angelo. Ele é um artista multi-talentoso que canta, escreve, faz rap, produz e toca bateria. Recentemente, ele enfeitou o mais novo LP do Dr. Dre, “Compton”, com riffs apaixonados e um lirismo incrível em 8 das 12 faixas do projeto. Contratado da Aftermath Entertainment, Paak também pôde entregar um álbum aclamado por seu próprio direito.

Intitulado “Malibu”, o seu segundo álbum de estúdio foi lançado em 15 de janeiro de 2016. Anderson .Paak é provavelmente um dos mais talentosos artistas de R&B de sua geração. Seu passado gospel, juntamente com o amor pelo hip-hop, aparecem fortemente neste disco. Para a maior parte, ele trabalhou com uma banda ao vivo, enquanto um piano elétrico é proeminente em suas melodias soulful. “Malibu” é um álbum imensamente pessoal. Seu tom de voz rouco e emocional, torna o registro ainda mais deslumbrante. Há um fluxo natural em sua voz que leva Paak a explorar uma natureza incrivelmente realista e íntima. Uma das razões pelo qual “Malibu” é capaz de ser um álbum tão notável, é porque é um projeto muito honesto e vulnerável.

É um registro de um multi-instrumentista realizado, que alcança um som especialmente singular. É um projeto muito mais grandioso que qualquer um dos seus trabalhos anteriores. Mesmo com um som expansivo, Paak não se vendeu as tendências mainstream. Ele faz um R&B contemporâneo de qualidade, que permanece fincado em suas raízes. Enquanto isso, a gama expressiva e amplitude emocional de sua voz, continua sendo sua maior força. Tal como acontece com “Venice”, seu primeiro álbum de estúdio, esse disco possui um título que homenageia uma das praias da Costa Oeste dos Estados Unidos. Na faixa de abertura, “The Bird”, Paak está cantando sobre o ambiente em que cresceu sem as figuras parentais de sua vida.

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É tão bom ouvir uma faixa arejada, circulando livremente sobre uma extensão ambiente quase num estado psicodélico. A cavernosa “Heart Don’t Stand a Chance”, por sua vez, cai em uma atmosfera guiada por percussões e teclados. Seu inerente movimento sonoro mostra os instrumentos quase dançando com sua voz. Em outros momentos como “The Waters”, com BJ the Chicago Kid, ele demonstra suas habilidades líricas através do rap. Em seguida, Paak lembra-se de ser um sem-teto com sua esposa alguns anos atrás em “The Season / Carry Me”. Ele ainda fala sobre não ter mudado, mesmo após conseguir fama e dinheiro. O som do álbum também olha para trás, pois não é difícil encontrar influências de Marvin Gaye, Smokey Robinson ou Al Green por aqui.

Há uma sensação disco durante a colaboração com ScHoolboy Q na faixa “Am I Wrong”. Também temos uma arejada linha de baixo durante “Come Down” e um número clássico em “Silicon Valley”. “Am I Wrong” é um dos meus números favoritos do registro, uma vez que sua queda de tambores, metais energéticos e a suave guitarra no final, são incríveis. O uso do sample de “Molasses” (Hiatus Kaiyote) na faixa “Without You”, foi um contentamento inesperado. A rapper Rapsody também merece uma menção especial, uma vez que foi um excelente recurso nesta canção. Na mesma qualidade, “Parking Lot” começa com cordas e dá lugar a um dos ritmos mais empolgantes do álbum.

A faixa de encerramento, “The Dreamer” (com Talib Kweli e Timan Family Choir), é um verdadeiro hino que fala sobre crianças em más circunstâncias, mas com grandes sonhos. É um número bonito e esperançoso, que tenta mostrar que todos têm forças para superar desafios. “Malibu” possui, sem dúvida, um corpo de trabalho formidável. Todas as faixas são agradáveis e Anderson .Paak as dominou completamente. O cantor não deixou suas influências defini-lo, ele simplesmente as utilizou para mostrar sua versatilidade como artista. Paak certamente percorreu um longo caminho para chegar atá aqui, mas, apesar de ser relativamente novo para a indústria, “Malibu” soa como um projeto de um grande veterano.

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Favorite Tracks: “Heart Don’t Stand a Chance”, “The Waters (feat. BJ the Chicago Kid)”, “Put Me Thru”, “Am I Wrong (feat ScHoolboy Q)”, “Without You (feat. Rapsody)”, “Room in Here (feat. The Game & Sonyae Elise)”, “Come Down” e “The Dreamer (feat. Talib Kweli & Timan Family Choir)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.