Resenha: Anastacia – Evolution

Lançamento: 15/09/2017
Gênero: Pop, Pop Rock
Gravadora: Four Eyez Productions / Polydor Universal
Produtores: Robin Ahlm, Anders Bagge, Louis Biancaniello, Can “Stress” Canatan, John Fields, Alex Geringas, Anders Grahn, Yei Gonzalez, Jakob Redtzer, Johan Röhr e Sam Watters.

Em 2014, a cantora americana Anastacia fez um retorno à música após um segundo diagnóstico de câncer de mama. Com o disco “Resurrection” (2014), ela mostrou sua força através de poderosas baladas pop-rock. Ela não permitiu que as dificuldades, lutas e o passado a derrubasse, consequentemente, concentrou-se num caminho de recuperação com músicas liricamente reflexivas. Depois de fazer uma turnê exclusiva pela Europa, a cantora voltou para o estúdio a fim de criar o seu sétimo álbum de estúdio. O seu novo disco, “Evolution”, a vê retornando às suas raízes e entregando algumas canções de soul, pop e rock. Ajudada por uma grande voz, Anastacia fornece um som adult-contemporany desde quando iniciou sua carreira. Ao contrário de seus registros anteriores, “Evolution” coloca sua voz mezzo-soprano no centro do palco. Seu repertório faz uma mistura eclética de sons pop, pop-rock, eletrônico, dance, funk e soul. O título pode ser um pouco equivocado, mas não deixa de ser um álbum sonoramente refrescante. Como nós sabemos, nem todas as cantoras pop conseguem sobreviver a prova do tempo.

Quando as tendências mudam, artistas mais novos surgem e tomam os holofotes para si. Consequentemente, as grandes gravadoras passam a dar mais atenção e concentrar-se nesses artistas recém-chegados. Isto foi algo que pode ter prejudicado o sucesso comercial de Anastacia, afinal ela já é uma veterana da música. A faixa de abertura do álbum é o primeiro single “Caught in the Middle”, uma canção dominante com letras sobre um relacionamento sem direção ou propósito. É uma canção pop com batidas subjugadas e uma performance vocal crescente. Enquanto os singles recentes de Anastacia foram enraizados no autoproclamado gênero “sprock”, o single “Caught in the Middle” incorpora elementos eletrônicos. Entretanto, a sua principal falha é justamente o uso desnecessário de auto-tune. “E eu não sei como ou quando / Mas as coisas têm que mudar, agora / Meu coração pula tão alto, garoto eu preciso de você agora”, ela canta no pré-refrão. Em seguida, “Redlight” apresenta uma produção parecida com a do seu quarto álbum, “Heavy Rotation” (2008). Possui um excelente desempenho vocal, sons de guitarras, piano e um sulco funky instantaneamente cativante.

Em contrapartida, a quarta faixa, “Boxer”, possui guitarras elétricas e oferece uma produção mais teatral semelhante ao seu auto-intitulado álbum de 2004. Anastacia sempre produziu boas baladas, de modo que a liderança do piano nas despojadas “My Everything” e “Why”, foi uma inclusão muito bem-vinda. “Before”, provavelmente, deve ter se tornado uma das preferidas dos fãs da cantora. Basicamente, ela apresenta letras emocionais e reflexivas sobre uma ruptura amarga. Enquanto isso, a rica camada eletrônica de “Pain” leva os tubos vocais de Anastacia para outros níveis. A nostálgica “Higher Livin'”, com sua vibe disco-funk, foi a escolha ideal para encerrar o repertório. A produção, especialmente no refrão, me lembrou um dos seus maiores hits, o single “One Day in Your Life”. Os fãs de Anastacia devem ser orgulhosos pela força que ela mostrou ao longo de sua carreira. Desde os anos turbulentos, sua bravura e independência tornaram-se características admiráveis. “Evolution” dificilmente vai dar uma nova direção para sua carreira, entretanto, é um registro que mostra ela refletindo sobre sua vida e crescimentos pessoais. Em suma, é um álbum com uma adequada mensagem de amor próprio.

Favorite Tracks: “Caught In the Middle”, “Reckless” e “Before”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.