Resenha: Anahí – Inesperado

Lançamento: 03/06/2016
Gênero: Pop Latino, Pop, Dance-Pop, Reggaeton
Gravadora: Universal Music
Produtores: Cheche Alara, Ettore Grenci e Sebastián Jácome.

Em 03 de junho de 2016, Anahí finalmente lançou o seu sexto álbum de estúdio solo. Intitulado “Inesperado”, o disco foi divulgado sob uma grande expectativa dos fãs. Afinal, fazia mais de sete anos desde que a mexicana não lançava um novo trabalho. Muitas coisas mudaram desde que Anahí lançou o álbum “Mi Delirio” em 2009. Em 2012, por exemplo, ela tornou-se a primeira dama do estado de Chiapas, quando casou-se com Manuel Velasco Coello. Seu relacionamento com o governador de Chiapas, consequentemente, a afastou de sua carreira musical. “Mi Delirio” foi um álbum muito satisfatório, onde Anahí pôde mostrar mais de si mesma. Ela saltou para a fama internacional graças ao sucesso da novela “Rebelde” e do grupo RBD. Tanto a novela quanto o RBD foram eventos que consolidaram Anahí. Fazem oito anos que o grupo anunciou o seu fim, entretanto, ele ainda permanece vivo na memória de muita gente.

Ao lado de Dulce María, Maite Perroni, Afonso Herrera, Christian Chávez e Christopher Uckermann, Anahí vendeu milhões de álbuns e conseguiu diversos hits. “Inesperado” possui doze faixas e é um álbum essencialmente pop, pop latino, reggaeton, dance-pop e eletropop. Anahí serviu como compositora de algumas faixas e colaborou com artistas como David Bustamante, Wisin, Gente de Zona, Zuzuka Poderosa e Julión Alvarez. Além disso, ela trabalhou com novos produtores como Cheche Alara, Ettore Grenci e Sebastián Jácome. “Inesperado” é um disco que viaja pelo passado recente, pois algumas canções focam num som que estava na moda nos últimos anos. Da mesma forma, em outros momentos, a mexicana concentra-se em algo que lembra os anos 90 e até mesmo um som predominante no início dos anos 2000. “Inesperado” é uma boa continuação de seus trabalhos solo, embora não possua as mesmas batidas dançantes do “Mi Delirio”.

Sem dúvida, o maior mérito do álbum é aprofundar-se em ritmos latinos e urbanos que estão em alto no momento. Além de algumas boas baladas, o disco oferece um pop muito divertido e otimista. O repertório começa com “Están Ahí”, uma canção dedicada a seus fãs. “Están Ahí” faz um trocadilho com o seu nome e em português significa “Estão aí”. É uma bela homenagem aos seus fãs, que sempre estiveram ao seu lado mesmo depois de uma pausa na carreira musical. Na letra encontramos versos como: “Nossa luz intermitente / Pura e fiel cumplicidade / Nossa história é eterna” e “Estar juntos é urgente / E o nosso relacionamento ninguém mais entende”. Sonoramente, “Están Ahí” é uma música eletropop radiofônica conduzida por pulsantes sintetizadores. Sua estrutura é bem simplista e um pouco genérica, o que dividiu opiniões a seu respeito. Entretanto, por mais que utilize uma fórmula comum, não deixa de ser uma canção bem chiclete.

O refrão fica na cabeça com facilidade e a ponte é uma das melhores partes. Escrita por Claudia Brant, “Juntos En La Oscuridad” é uma música pop com um leve toque dançante. Não é uma canção memorável e passa um tanto quanto despercebida. A melodia é boa e o refrão cativante, porém, a instrumentação bem qualquer coisa. Sua maior atração é o vocal de Anahí, ela tem um timbre rouco incrivelmente atraente. No entanto, é claramente um número de enchimento. A terceira faixa, “Temblando”, é um cover da banda espanhola Hombres G. A mexicana optou por cobrir essa comovente balada, escrita por David Summers, para demonstrar mais do seu alcance vocal. Essa música possui uma grande produção, incluindo belas cordas orquestrais, e lida com o sofrimento de um rompimento amoroso. Escrita por Gloria Trevi, “Siempre Tú” é uma das faixas mais cativantes encontradas por aqui. Uma canção pop que, em alguns momentos, lembra o seu álbum “Baby Blue” (2000).

Anahí

Seu som é reminiscente do final dos anos 90 e a letra tipicamente simples. Inicialmente, é uma música bem calma, porém, o refrão e os explosivos sintetizadores mudam sua direção. “Me Despido” é uma faixa agradável e ensolarada, no entanto, não possui nada de marcante. Seu ritmo lembra um pouco “Bailando” do Enrique Iglesias, à medida que faz uso de cativantes assobios. Sua instrumentação, que inclui uma otimista guitarra acústica, cairia bem como jingle de algum comercial de verão. “Arena Y Sol”, com Gente de Zona, mergulha em ritmos latinos, com uma batida feita exclusivamente para casas noturnas. Os acordes iniciais de guitarra soam completamente espanhóis. O ritmo flamenco, a guitarra e os tambores trabalham em grande sintonia aqui. É uma canção muito cativante, embora o conteúdo lírico seja clichê. O primeiro single do álbum, “Rumba”, é uma colaboração com o porto-riquenho Wisin, que também atuou como compositor e produtor da mesma.

É uma pista dançante, contagiante e cheia de energia, com batidas de reggaeton e uma produção repleta de ritmos latinos e caribenhos. É algo que não soaria fora do lugar se estivesse em um disco do próprio Wisin. Em sua instrumentação temos uma excelente dose de tambores, além do uso de acordeão e inclusão de elementos eletrônicos. Liricamente, “Rumba” também é muito cativante, com letras fáceis de serem cantadas junto. “Essa festa não acaba até o amanhecer / Muitas nacionalidades, isso sim é poder (…) / Não pare de se mover, a rumba vai começar”, ela canta com entusiasmo, convidando todos a dançar com ela. Embora seja simples, o refrão é aquele que gruda na cabeça logo após a primeira escuta e é, certamente, um dos refrões mais viciantes da cantora até a data (“Rumba / Mi cuerpo pide rumba / Hasta que salga el sol / Hasta que salga el sol”). Lançada em dezembro de 2015, “Boom Cha” conta com a participação da cantora e DJ brasileira Zuzuka Poderosa.

Anahí conheceu Zuzuka Poderosa através do DJ Buddha, produtor da canção. A faixa é bem cativante, embora não demonstre qualquer crescimento artístico. Sua produção foi trabalhada com base em diversos ritmos musicais e grande ênfase em estilos brasileiros, como o funk carioca. “Boom Cha” é uma música pop, influenciado pelo dancehall, que possui um grudento saxofone como principal motor. É uma canção que soa como uma segunda versão de “Mr. Saxobeat” de Alexandra Stan. A faixa inicia com um ligeiro batidão de Zuzuka Poderosa, que rapidamente exibe às suas raízes do funk carioca. Aqui, os típicos “tchu tcha” do funk carioca já são colocados em prática por ela. Mais tarde, a funkeira ainda fornece outro rap durante a ponte. Toda produção da música é feita para as pistas de dança, enquanto combina o pop latino com ritmos brasileiros. Sua combinação de gêneros é atrativa, assim como a interpretação de Anahí é bem entusiasmada.

“Um ritmo de outro lugar / Tudo começa a girar / Eu me deixo levar / Como o mar, festejar / Sem fronteiras, nem idade”, a mexicana canta no primeiro verso. Liricamente, a música gira em torno de festejar e dançar, como podemos ouvir ela cantar no refrão: “Quero te ver dançar / Eu quero fazer o seu corpo se soltar, se soltar”. A letra é realmente bem superficial e totalmente carente de qualquer profundidade. Aparentemente, sua única intenção é contagiar aqueles que a ouvem. Atrás das batidas de tambor, a canção apresenta sintetizadores e algumas percussões adicionais. Após o refrão, o pegajoso riff de saxofone entra em ação e domina a música completamente. Ao lado do belo timbre de Anahí, o sax é sem dúvida o maior charme de “Boom Cha”. O quarto single, “Amnesia”, é uma balada pop composta pelos argentinos Claudia Brant e Noel Schajris, e produzida por Andres Torres.

“Amnesia” mostra o bom alcance vocal de Anahí e ainda serve como uma continuação do seu antigo trabalho solo. Assim como as baladas “Alergico” e “Absurda”, também co-escritas por Noel Schajris, “Amnesia” possui algumas tranquilas batidas eletrônicas. É um número mid-tempo encantador, com harmonias dramáticas e uma melodia poderosa. Aqui, Anahí aborda um tema de desamor. Ela lembra do tempo que se entregou para uma pessoa que, de repente, se esqueceu de tudo. “O mais triste de tudo / É que você não volta, não volta / Se vai e me esquece”, ela canta no pré-refrão. A canção é apoiada por um suave piano, um simples tambor e, durante o refrão, uma percussão mais forte. Durante a conclusão do refrão, algumas belas cordas também são adicionadas à mistura. Elas servem como acabamento e injetam um pouco de drama à música. Vocalmente, Anahí está no seu melhor, principalmente durante os versos.

Anahí

“Amnesia” é, provavelmente, uma de suas melhores baladas solo. Ela poderia até ser considerada uma continuação de “Sálvame”, single do primeiro disco do RBD. É uma canção polida, atraente e, ao lado de “Rumba”, o single mais forte do álbum. No registro ainda há um cover da música “La Puerta De Alcalá”, de Ana Belén e Víctor Manuel, interpretado por Anahí e o espanhol David Bustamante. Aqui, ambos artistas oferecem uma versão curiosa desse clássico dos anos 80. Ambos conseguiram dar um toque especial para a mesma, à medida que optaram por um tom mais melódico. A versão é um pouco diferente, tanto que você pode demorar para reconhecê-la até a chegada do refrão. “Eres”, por sua vez, é um dueto com o também mexicano Julión Álvarez e fez o papel de terceiro single do disco. É uma balada pop, com influências da música regional mexicana.

Após a promoção de duas canções agitadas, como o pop-latino de “Rumba” e o dancehall de “Boom Cha”, esse single chegou para acalmar um pouco as coisas. “Eres” é uma balada totalmente diferente das citadas, sem quaisquer elementos eletrônicos ou dançantes. É uma música guiada predominantemente pelo piano e uma percussão adicional. Em determinados momentos, alguns violinos também aparecem e injetam alguma comoção. Liricamente, “Eres” é mais uma típica canção de amor, com linhas como: “Você é a luz que me acorda a cada amanhecer / Você é muito mais do que um dia pensei ter / Você é a força que me falta para não cair / Você é tudo e mais do que um dia imaginei / Você é muito mais do que um dia pensei ter”. Anahí é uma cantora que sempre destacou-se quando canta lentas baladas. Entretanto, devo ressaltar que em “Eres” ela não conseguiu fazer o requisito.

Em primeiro lugar, a colaboração com Julión Álvarez ficou um pouco forçada. Ambos cantores não demonstram qualquer química vocal e falharam na tentativa de transmitir alguma emoção. Eu, particularmente, achei que Álvarez se saiu muito melhor ao lado de Dulce María em “Lágrimas”. Ele é um cantor nascido em Chiapas, estado do qual o marido de Anahí foi eleito governador. Pode ser coincidência, no entanto, não deixa de ser o motivo pelo qual o dueto aconteceu. Em segundo lugar, a melodia não é tão memorável como o esperado. Da mesma forma, a sua performance vocal não ficou sentimental ou emocionante como de costume. A faixa-título, “Inesperado”, é uma surpresa agradável e um ótimo encerramento. É um número sinfônico e intenso, que lembra um pouco o single “Absurda”. Uma canção pop, com batidas eletrônicas, um toque europeu e um belo piano, que flutua sem grandes problemas.

Liricamente, “Inesperado” discute a forma inesperada que o amor por alguém surge. “Inesperado, o sol nasceu / E o seu amor brilhou em lugar nenhum / Insuspeito / Inesperado”, ela canta. O sexto álbum solo de Anahí é um misto de pop energético, baladas e ritmos latinos. É um deleite para todos os seus fãs, que precisaram esperar sete anos para ouvir um novo material. Apesar de ter tido um bom tempo para produzi-lo, Anahí não arriscou-se musicalmente. O disco oferece boas faixas, entretanto, é destabilizado por alguns números de enchimento. É um projeto para os fãs menos exigentes, que consigam desfrutar de sua voz sem se preocupar com inovação. Em suma, “Inesperado” pode ser considerado um retorno decente para Anahí. Embora tenha conquistado um enorme sucesso com o RBD, ela já provou que pode ser bem sucedida em carreira solo.

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Favorite Tracks: “Siempre Tú”, “Arena Y Sol (feat. Gente de Zona)”, “Rumba (feat. Wisin)”, “Boom Cha (feat. Zuzuka Poderosa)” e “Amnesia”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Marcos

    Adorei a resenha, só nunca colocaria Boom Cha como favorita tendo Me Despido

    • Leo

      Olá Marcos! Que bom que gostou 😀
      Entre todas minha favorita é “Rumba”, ótima música.