Resenha: American Authors – What We Live For

Lançamento: 01/07/2016
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo, Pop Rock
Gravadora: Island Records
Produtores: Aaron Accetta, Shep Goodman e Captain Cuts.

American Authors encontrou o sucesso mundial merecidamente com o hit “Best Day of My Life”. Uma canção indie-rock e folk muito cativante, que apresenta letras otimistas e uma dinâmica percussão. Essa música foi apenas uma das várias canções otimistas encontradas no primeiro álbum da banda. Em 01 de julho de 2016, Zac Barnett, James Shelley, Dave Rublin e Matt Sanchez, lançaram o sucessor do “Oh, What a Life”. O álbum, intitulado “What We Live For”, reafirma a marca otimista da banda com faixas indie-rock e pop-rock. É um disco cheio de boas harmonias e feito com a intenção de deixar as pessoas felizes. Até certo ponto, a produção e composição são bem polidas, cortesia de Aaron Accetta e Shep Goodman. Entretanto, o quarteto americano parece ter perdido seu foco sobre este álbum, em termos de concordância nos elementos musicais.

Em alguns momentos, as faixas inclinam-se para o dance-pop em vez do rock, embora sempre existam elementos na produção que remete ao som de assinatura da banda. Algumas letras clichês ainda permanecem intactas, assim como a mistura de guitarras, sintetizadores, banjos, handclaps e refrões pisoteantes. As letras tentam retratar temas biográficos, experiências da banda e perspectiva sobre o futuro. A faixa-título, “What We Live For”, inaugura o repertório através de um arranjo de piano saltitante. Ainda há alguns riffs de guitarra e órgãos, enquanto o ritmo é energético e entusiasmado. Introdutórios pandeiros, tambores e guitarras introduzem a faixa “I’m Born to Run”. A letra é libertadora, e mostra um desejo de explorar o mundo e esquecer a agitação da vida cotidiana.

Alguns momentos do álbum nos lembram a banda OneRepublic, como por exemplo “Pride”. É uma canção edificante que combina alegria e positividade da mesma forma que “Feel Again” e “I Lived”. Há um sentimento de melancolia nas letras, que proclamam mensagens de perseverança. Ela começa com eco sintetizado, batidas mais lentas e substitui a guitarra por licks de banjo. O banjo parece meio fora do lugar, porque o canto é mais soulful e esse instrumento nos remete a estilos como country e folk. “Right Here Right Now”, produzida por Captain Cuts, é estimulante e nos remete facilmente a “Best Day of My Life”. Guiada por palmas, guitarra e um alto refrão, a música acaba exalando um sentimento de déjà vu ao ouvinte. Um espírito folk é mais forte durante a faixa “Nothing Better”, canção que lembra a banda Mumford & Sons.

American Authors

Essa música é conduzida principalmente por um banjo brincalhão, entretanto, ela é um tanto quanto confusa. O ritmo é bastante irritante, porque além de fazer uso de elementos folk, também contém inflexões de pop e rap. Há algumas baladas obrigatórias e sem graça no álbum, uma delas é chamada “Replaced”. Uma peça sonolenta, com vocais otimistas e uma percussão sem brilho. É tão carente de originalidade que soa como outras milhares de baladas pop. O primeiro single, “Go Big or Go Home”, visa o seu triunfo através da adversidade e combinação entre alguns instrumentos. Ela apresenta uma mistura divertida de pesados tambores, licks de banjo e uma melodia alegre. Poderia facilmente fazer parte do álbum “Oh, What a Life”, pois é muito parecida com qualquer coisa encontrada por lá.

A oitava faixa, “Mess with Your Heart”, apresenta o trabalho na guitarra de Scott Harris e Bryan Fryzel. É uma balada acústica que agarra suas emoções com observações sobre a vida moderna, antes de celebrar o poder do amor (“Eu serei sua luz neon no escuro”). “No Love” tece sob um sintetizador mais inclinado para o dance-pop. Seus três minutos e meio combinam elementos de guitarra, teclado e sons de fundo, a fim de dinamizar alguma alegria. Assim como “Replaced”, a faixa “Pocket Full of Gold” passa bem despercebida, porque é uma música extremamente confusa. Ela começa com sons de ukelele e depois transforma-se em uma canção pop-rock. Letras desconcertantes, tais como “Eu sou um pecador e eu não me sinto envergonhado / A vida continua e se eu estiver errado / Acho que vou queimar em chamas”, são colocadas ao lado de tambores e alterações de humor.

“Superman”, que inclui um solo de guitarra, injeta alguma melancolia sobre a obsessão de ser um super-herói. É um oferta interessante de se ouvir. Da mesma forma, na última faixa, “Mind Body Soul”, também encontramos a banda mergulhando em um território melancólico. “Cometi alguns erros e fui longe demais / Minha cabeça está uma bagunça e eu nunca vou mudar / Não é forte o suficiente para manter esse peso”, Zac Barnett canta aqui. Liricamente, é baseada em perdas e incertezas, enquanto marca algum poder emocional. No geral, “What We Live For” contém elementos musicais que chocam uns com os outros. Isto acaba sufocando qualquer oportunidade da banda em transmitir algum significado emocional. Tem alguns números divertidos de se ouvir, mas não é bom o suficiente a ponto de receber qualquer aclamação.

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Favorite Tracks: “What We Live For”, “I’m Born to Run”, “Right Here Right Now”, “Mess with Your Heart” e “Superman”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.