Resenha: American Authors – Oh, What a Life

Lançamento: 03/03/2014
Gênero: Indie Rock, Pop
Gravadora: Mercury Records / Island Records
Produtores: Shep Goodman e Aaron Accetta.

American Authors é uma banda americana de indie rock formada pelos membros Zac Barnett, James Adam Shelley, Dave Rublin e Matt Sanchez. Sua canção mais conhecida, até então, é “Best Day of My Life” do seu primeiro álbum de estúdio “Oh, What a Life”. Antes dele, a banda já havia lançado um EP homônimo em 2013. Eles são relativamente uma banda nova e aqui fizeram um álbum pop com uma vibe indie rock. Assim que “Best Day of My Life” estourou nas rádios, eles ficaram com indícios de lançar um material em potencial, no entanto, a impressão que deixaram com o “Oh, What a Life” foi de algo bem passageiro. O álbum foi lançado pela Mercury Records, rótulo da Def Jam Records, dia 03 de março de 2014 e estreou em #15 na Billboard 200 dos Estados Unidos. American Authors foi formada em 2006 em Boston, Massachusetts, com o nome de The Blue Pages. Os membros se conheceram no Berklee College of Music e, depois de mudarem-se para New York, gravaram e lançaram de forma independente dois EPs. Somente em 2012 eles alteraram o nome da banda de The Blue Pages para American Authors e, posteriormente, lançaram os singles “Believer” e “Best Day of My Life”.

“Oh, What a Life” é um pequeno lar com 11 faixas, dentre elas algumas cativantes e outras, em sua maioria, esquecíveis. Suas letras são assumidamente otimistas, com canções que poderiam facilmente se tornarem singles, por causa de seus versos fáceis, simples e de sonoridade comercial. O seu som soa, por muitas vezes, genérico e com uma instrumentação sem graça e sem vida. Também falta ainda alguns vislumbres de potencial para suas composições. O álbum sofre da mesma fraqueza que assolou o seu EP auto-intitulado, que é a falta de originalidade. A sua sonoridade e a voz do vocalista, Zac Barnett, não conseguem ser distintas, o que muitas vezes faz com que as canções soem muito semelhantes depois de um tempo. Isso poderia ter sido evitado se eles mudassem um pouco, seja a composição ou instrumentação, o que não aconteceu. Quase todas as músicas do repertório são mid-tempo otimistas e sem qualquer efeito emocional duradouro. Os vocais são típicos e temos guitarra, baixo e bateria como instrumentos predominantes, além de sons sutis de bandolim e banjo em algumas canções. Não há nada de inovador aqui, na verdade, o repertório é totalmente previsível, com apenas duas ou três músicas contagiantes e divertidas.

American Authors

O álbum começa com “Believer”, que felizmente é uma boa introdução para o restante do repertório, cheia de efeitos e vocais roucos por parte de Barnett. Apesar da sua rouquidão passar a impressão de que se esforça muito para acertar as notas, aqui a voz dele está carismática. Os vocais são verdadeiramente o coração da música, que consegue encarnar o espírito do indie rock com o uso de alguns versos cativantes. “Think About It” continua nessa mesma vibe, com alguns sintetizadores, sons eletropop e tambores mais fortes. O vocalista tem um tema central nesta canção, que gira em torno de não voltar atrás e não “pensar sobre isso”. O seu maior problema é que a sua progressão de acordes é extremamente semelhante à de “Best Day of My Life”. Essa, por sinal, é a melhor canção e a mais radiofônica. O seu refrão é inegavelmente cativante e contagiante, além de trazer uma boa mistura de instrumentos de percussão. Entretanto, o clima otimista e a vibe folclórica-pop presente nessa faixa, se repete por quase todo o álbum, o que acaba se tornando enjoativo. A faixa seguinte, “Luck”, continua com o uso consistente de ritmos contagiantes, enquanto sua letra fala sobre a luta de ter que escolher o seu próprio caminho, mesmo que um de seus amigos ou familiares não concordem.

O sentimento de “eu faço a minha própria sorte” é um dos mais sinceros do registro. “Trouble” leva as coisas, aparentemente para uma nova direção, porque é mais íntima e pessoal que as demais. Aqui, temos um violão e um pandeiro fazendo o serviço, além de uma boa representação da juventude e amor jovem. Os “ooh ooh” presentes em sua execução são praticamente uma reminiscência de “Best Day of My Life”. “Hit It” tem uma abertura eletro e foi usada como trilha sonora no jogo FIFA 14. Entretanto, é uma música muito desordenada e sem oferecer nada de novo ou inspirador. Felizmente, “Home” consegue levantar as coisas, sendo a primeira canção que dá uma guinada para a melancolia. Possui um bom solo de guitarra, seu início é acapela e com graves fortes, enquanto os seus segundos finais são altos e deixa uma boa energia para a faixa subsequente. Liricamente, encontramos em “Home” uma carta aberta e pessoal, o que foi ótimo ver a banda finalmente expressar seu lado mais emocional. “Love” é forte vocalmente, porém, muito simples e sem essência alguma, seu riff, inclusive, é muito semelhante ao das faixas anteriores. Isso traz à tona o grande problema nesse álbum, as canções lembram muito uma às outras.

American Authors

As letras e os instrumentais existentes dentro do seu funcionamento também são bastante preguiçosos e parecem não chegar ao seu destino. Esse mesmo problema acontece com a faixa “Heart of Stone”, que apesar de ter uma boa guitarra, tem uma letra muito parecida com as outras músicas. A impressão que temos é que o American Authors está tentando criar a mesma música várias e várias vezes, mudando apenas um pouco o instrumental. Na segunda metade do álbum a qualidade cai nitidamente. Um bom exemplo é a esquecível “Ghost”, uma das faixas mais fracas e, novamente, liricamente parecida com as outras. Não há nada de novo para ser encontrado aqui, mostrando que a banda tem medo de sair de sua zona de conforto. A faixa-título encerra o disco e por incrível que pareça conseguiu surpreender, depois de uma sequência ruim. Foi ótimo ver que o álbum termina com uma nota alta, e exatamente no momento que faz o ouvinte perder o interesse pelo álbum. A canção consegue ser grande liricamente e instrumentalmente, saindo dos vocais genéricos que assolaram as duas faixas anteriores.

Ela abre com violino e banjo, e traz algo espirituoso com o seu ótimo refrão e as mudanças de ritmo (“And we laughed, and we cried and thought oh, what a life”). “Oh, What a Life” mantém um bom equilíbrio entre seus versos mais sérios, a boa percussão e o refrão crescente, que fazem dela uma das melhores músicas da banda até à data. No geral, o disco saiu como nada mais que uma versão mais fraca de Imagina Dragons, ou uma mistura de The Script, Train e OneRepublic. Não há nenhuma substância ou emoção a ser encontrada aqui, cada palavra oca que sai dos vocais de Zac Barnett são polidas para apresentar uma sensação pop. Na sua essência, “Oh, What a Life” é um material pop, e comercializá-lo como “indie-rock” chega a ser um equívoco. No que diz respeito a uma estréia, American Authors pegaram o pequeno potencial que tinham e praticamente jogaram fora pela janela. Dificilmente eles irão conseguir escapar do estado de “one-hit wonder”, porque embora o “Oh, What a Life” possua algumas boas ideias, são ideias que se repetem várias e várias vezes. Eles também precisam buscar o seu próprio caminho, para no próximo trabalho lançar canções mais fortes e com menos influências de outras bandas.

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Favorite Tracks: “Believer”, “Best Day of My Life” e “Oh, What a Life”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.