Resenha: Alter Bridge – The Last Hero

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Metal Alternativo, Hard Rock, Heavy Metal, Metal Progressivo
Gravadora: Caroline Records / Napalm Records
Produtor: Michael “Elvis” Baskette.

Alter Bridge é uma banda de rock americana de Orlando, Flórida, formada em 2004. Desde a sua formação, a banda é composta por Myles Kennedy, Mark Tremonti, Brian Marshall e Scott Phillips. A banda é bem conhecida por seus aclamados shows ao vivo e extensas turnês. Depois de quatro álbuns e uma jornada de incerteza para o seu reconhecimento, ninguém pode negar que Alter Bridge tem um nome estabelecido na música. Seu mais novo álbum, “The Last Hero”, nascido do esforço sem fim dos membros, foi lançado em 07 de outubro de 2016. O primeiro lançamento da banda desde 2013, foi produzido por Elvis Baskette. Ele guiou o som da banda para algo mais rock e menos polido, construindo-o em torno de enormes riffs de Myles Kennedy e concreta bateria de Scott Phillips. Além disso, Kennedy mais uma vez brilha em seu desempenho vocal.

Elvis Baskette ofereceu uma produção bem equilibrada, que também dá muito volume para Marshall e Phillips. Ele conseguiu adicionar bastante atmosfera nesse projeto, que tornou as coisas interessantes e desencadeou maior destaque para as guitarras. No geral, o disco utiliza as influências dos primeiros dias do Alter Bridge e seu material mais recente, porém, injetando algumas coisas novas na mistura, como elementos mais alternativos e utilização de uma guitarra de sete cordas. “Nós certamente não estamos empurrando qualquer tipo de agenda ou opiniões políticas por qualquer meio”, disse o vocalista Myles Kennedy sobre “The Last Hero”, “mas estamos definitivamente mergulhando e tomando o pulso do mundo ao nosso redor”. Temas como liderança política e aquecimento global é aberto a debates, mas eles realmente mergulharam em torno de temas como heroísmo e unidade.

O pontapé inicial do registro é dado com “Show Me a Leader” que, além de faixa de abertura, também serviu justificadamente como primeiro single. É poderosamente jogada sobre guitarras de sete cordas, afinações alternativas, melodias simples e um solo de retalhamento. “The Writing on the Wall”, com suas incríveis melodias, fala sobre aqueles que negam o aquecimento global. Em seguida, eles amplificam o peso com a mid-tempo “The Other Side”, enquanto “My Champion” é bastante inspiradora. Há realmente músicas mais pesadas que o álbum anterior, como “The Other Side”, ou a feroz “Island of Fools”. E não é apenas a música que está mais pesada, as letras também parecem muito mais agressivas. Em “The Other Side”, por exemplo, o vocalista Kennedy declara no refrão: “Se você acredita que é o seu único caminho / Então você é um tolo que precisa morrer”.

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“My Champion” e a dinâmica “Poison in Your Veins” são trilhas muito mais leves se comparadas as três primeiras. Musicalmente, Kennedy e Tremonti continuam definindo as coisas quando trata-se de habilidades na guitarra. A proeza na guitarra de Tremonti já é bem conhecida, assim como os esforços vocais de Kennedy. À medida que abre, “Cradle to the Grave” revive o peso com toda sua força, mas logo transforma-se em algo mais suave e rítmico. Suas transições e refrão emocional, a torna facilmente em uma das melhores coisas encontradas no disco. “Losing Patience” é uma canção mais melódica com um cativante refrão, que lembra eras passadas da banda, enquanto o número mais longo, “This Side of Fate”, utiliza a mesma estrutura de “Cradle to the Grave”. Essa faixa cria uma boa dinâmica, embora não consiga atingir o poder emocional de “Cradle to the Grave”. As músicas mais fortes do registro são apresentadas na sua primeira metade.

Mas ainda há algumas gravações na segunda metade, como a balada “You Will Be Remembered”, que presta homenagens àqueles que servem o seu país, e a faixa-título, “The Last Hero”, que oferecem bons momentos. É fácil entender porque “The Last Hero” é a faixa que dá título ao álbum, uma vez que é um resumo adequado para o mesmo. Uma síntese de todos os tons e emoções sentidas no decorrer do disco. “Crows on a Wire” irá satisfazer todas as necessidades daqueles que gostam de riffs interligados, apoiados por seções rítmicas brutais. Essa música persegue seu caminho através de rugidos guturais e instrumental pesado. É uma trilha curta e uma verdadeira fatia de raiva musical, com fortes influência do extreme-metal. Os poucos bons momentos de “Twilight” só acontecem em seu último minuto, já que o solo da ponte realmente consegue entreter.

Por fim, “Island of Fools” impressiona por conta de suas poderosas harmonias e lamentos vocais de Kennedy. “The Last Hero” é um álbum introspectivo, poderoso, sombrio, pesado, melódico, harmonioso e com todas as qualidades já conhecidas do Alter Bridge. A maioria dos discos da banda possuem mais de uma hora de duração, e o “The Last Hero” é o maior deles. Tirar uma ou duas canções do repertório poderia ter sido benéfico, mas, mesmo as faixas que não destacam-se tanto, são potencializadas pela produção e potente canto de Myles Kennedy. Como uma banda tecnicamente complexa, Alter Bridge sabe equilibrar sua dinâmica sonora. Com “The Last Hero” eles encontraram uma nova sinergia e apresentaram, mais uma vez, uma identidade única e som coeso. Embora não seja melhor que o “Fortress” (2013), esse registro oferece um trabalho igualmente qualitativo e agradável.

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Favorite Tracks: “Show Me a Leader”, “My Champion” e “Cradle to the Grave”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.