Resenha: alt-J – RELAXER

Lançamento: 02/06/2017
Gênero: Rock Alternativo, Pop, Folk, Indietronica
Gravadora: Infectious Music / Atlantic Records
Produtor: Charlie Andrew.

Alt-J surgiu no mundo da música em 2012, após o lançamento do seu álbum de estreia, “An Awesome Wave”. Rapidamente, a banda tornou-se popular e aclamada internacionalmente, ao englobar uma fusão única de música eletrônica, folk e indie-rock. Joe Newman, Thom Sonny Green e Gus Unger-Hamilton se conheceram na Universidade de Leeds e formaram a banda em 2007. Foi o seu disco de estreia que definiu a personalidade e tom enigmático do grupo. O álbum foi um sucesso instantâneo, mas com pouca ajuda dos singles “Breezeblocks” e “Tessellate”. O seu próximo lançamento, “This Is All Yours” (2014), também foi bem recebido, rendendo uma indicação ao Grammy e um show no Madison Square Garden. Pouco mais de dois anos depois, os britânicos do alt-J voltaram com um novo álbum. Intitulado “RELAXER”, é um disco teatral, dinâmico, eclético, provocativo e extremamente curto (com apenas oito faixas no total). “RELAXER” é um título apropriado para representar a mudança de ritmo do alt-J. Ano atrás, eles redefiniram o gênero indie com suas letras ligeiramente insanas. É um trio que costuma ser maravilhoso ou estranho, dependendo do trabalho apresentado. Infelizmente, esse novo disco está mais para estranho e entediante do que maravilhoso.

“3WW”, primeiro single lançado, parece uma música de alguma banda progressiva dos anos 70. Ela começa com um riff de guitarra descontraído, que forma o fundo central. Um número de folktronica aparentemente acústico e melodioso, com vocais tensos e sintetizador persistente. Cerca de meio caminho andado, a música muda o tom e sente-se meio desarticulada. É uma música com um som muito excêntrico e incomum, mas não de uma maneira boa. Simples e relaxado, o álbum rapidamente dirige-se para os sons otimistas da indietronica “In Cold Blood”. Uma canção um tanto quanto reminiscente de “Breezeblocks” do seu álbum de estreia. Dessa vez, a banda optou por seu som clássico, sem querer tentar reinventar a roda. É uma faixa mais divertida, com riffs pulverizados, cordas elétricas, órgãos nervosos e trombetas brilhantes. É certamente uma canção muito mais atrativa do que a primeira faixa. Em seguida, alt-J resolve apresentar um cover de “House of the Rising Sun”, uma canção padrão americana. Essa é um dos maiores clichês do rock, consequentemente, acaba levando o ritmo do álbum para baixo novamente. Alt-J tentou reinventar essa música, adicionando um violão e toque otimista sobre ela, mas sem sucesso.

Nesse álbum, a banda parece estar tentando fazer várias coisas ao mesmo tempo. “Hit Me Like That Snare”, por exemplo, é construída em torno de elementos muito ingênuos. Aqui, temos sons animados, uma guitarra um pouco mais pesada e letras sugestivas sem qualquer direção. “Deadcrush” possui linhas de baixo, cortes eletrônicos e mais letras sexualmente dirigidas. É outra música que também lembra as mais antigas da banda, particularmente “Breezeblocks” e “Every Other Freckle”. Ela começa com tambores de bateria e uma respiração pesada. A banda tenta experimentar alguns sintetizadores como pano de fundo, mas não são bem-sucedidos. A próxima faixa, “Adeline”, incorpora partes do número folk irlandês “The Auld Triangle”, bem como a pontuação de Hans Zimmer no filme “Além da Linh Vermelha” (1998). É uma canção mais sedosa, suave, com cordas delicadas, leves sintetizadores e letras figurativas. “Adeline” é convidativa, pois possui nada além de um violão, belas harmonias e vocais de Joe Newman. Entretanto, é um momento tão melancólico que torna-se entendiante. Outra canção de ninar é “Last Year”, uma faixa acústica demasiadamente suave, que utiliza unicamente um violão. Dessa vez, sua narrativa desenrola-se com ajuda da cantora inglesa Marika Hackman.

Nem todas as composições longas do álbum conseguem ser bem-sucedidas, pois “Last Year” é em grande parte esquisita e maçante. A última faixa, “Pleader”, fornece um sintetizador misterioso e uma rica harmonia orquestral. Inicialmente, temos riffs, rápida progressão, violinos e, posteriormente, a adição de uma harpa. A faixa é marcada por cordas orquestradas e uma guitarra clássica, algo que mais lembra algum filme dramático. O segundo verso assume um ponto de vista ainda mais sinistro, mas depois alterna drasticamente para algo tranquilo. Melodias encadeadas e grandes carrilhões do órgão também são entrelaçados à música, enquanto corais começam a apoiar os vocais de Newman. Essa faixa é definitivamente o número de encerramento mais ameaçador que a banda já produziu até agora. Gravado e produzido em Londres, “RELAXER” evitou fortes riffs em favor de algo muito mais orquestral. É um trabalho desafiante para o alt-J, mas, ao contrário de seus esforços anteriores, não tem nada que possa envolver o público. Embora não se arraste para muito longe de sua fórmula original, alt-J certamente experimentou novos conceitos sonoros. Porém, eu diria que “RELAXER” é uma fraquíssima adição para a sua discografia.

Favorite Tracks: “In Cold Blood”, “Deadcrush” e “Pleader”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.