Resenha: Alice Cooper – Paranormal

Lançamento: 28/07/2017
Gênero: Hard Rock, Heavy Metal
Gravadora: earMUSIC
Produtores: Bob Ezrin, Tommy Henriksen e Tommy Denander.

Ao contrário de muitos outros artistas de sua época, Alice Cooper ainda é muito divertido. Vinte e sete álbuns, e o homem ainda está lançando algumas boas músicas. “Paranormal”, o seguimento para “Welcome 2 My Nightmare” (2011), é uma adição bem-vinda para o seu catálogo. Este álbum vê Cooper colaborando com o produtor e compositor Bob Ezrin, Larry Mullen Jr. (baterista do U2), Roger Glover (baixista do Deep Purple), Billy Gibbons (guitarrista do ZZ Top) e os membros originais da banda, Dennis Dunaway e Neal Smith. Além de doze músicas novas, “Paranormal” contém algumas versões ao vivo de clássicos de Alice Cooper. Poucos artistas estão fazendo o que ele faz aos 69 anos de idade. Com uma carreira de mais de cinco décadas, Cooper não tem mais nada para provar. Seja sozinho ou com a banda, Alice Cooper revolucionou o heavy-metal ao incorporar o elemento shock-rock nos seus trabalhos. Sua música sempre foi uma representação desta combinação, portanto, o heavy-metal não seria o mesmo sem ele. Cinquenta anos depois, Cooper ainda está tentando se manter relevante ao lançar o seu vigésimo sétimo álbum de estúdio.

Ele continua fornecendo um senso de urgência em suas músicas, enquanto explora temas significativos. “Paranormal” também possui uma natureza nostálgica, seja pela variedade ou incorporação de hits antigos. A faixa-título, “Paranormal”, abre o álbum suavemente antes da guitarra ser disparada. À medida que os vocais entram, Alice Cooper mostra uma voz incrivelmente poderosa, tanto que nem parece que ele tem 69 anos de idade. A faixa-título realmente inicia o álbum de forma estrondosa. Eu adoro o riff de guitarra nos primeiros vinte segundos que guiam a estranha voz de Cooper e letras aterrorizantes. O solo no meio da música ainda é espetacular, enquanto a adição de Roger Glover só reforçou a boa estética. Enquanto “Paranormal” apresenta linhas de baixo de Glover, Billy Gibbons injeta um sabor extra na faixa “Fallen in Love”. Liderada por vocais raspados de Cooper, “Dead Files” fornece uma boa bateria, guitarras acentuadas e um ótimo ritmo no baixo. Liricamente, esta canção fornece uma natureza apocalíptica, listando todas as coisas que devemos tomar cuidado no mundo que vivemos hoje.

A linha – “E seu telefone sabe mais sobre você, do que seu pai e mãe”, é provavelmente a mais reflexiva do álbum. A atmosfera gótica de “Fireball” levanta as coisas com cordas e sintetizadores em camadas, enquanto os tambores e guitarra ameaçadora levam os vocais de Cooper para o primeiro plano. Bob Ezrin, o responsável por boa parte da produção do disco, sabe como entregar uma música com estilo. “Private Public Breakdown”, por exemplo, pega emprestado a nostalgia dos anos 70 e 80 através de riffs de guitarra extremamente infecciosos. Por fim, a última faixa, nomeada de “The Sound of A”, mantém a mesma estética escura e misteriosa de todo o álbum. Com um repertório massivamente forte e até seis faixas ao vivo de hits como “No More Mr. Nice Guy”, “Feed My Frankenstein” e “School’s Out”, o álbum é um projeto muito consistente. É muito bom saber que Alice Cooper ainda tem algo a dizer mesmo aos 69 anos. Neste ponto, ele e seus colegas de banda estão apenas fazendo música para se divertir. Como um pacote completo, “Paranormal” é pesado, divertido e até mesmo escuro.

Favorite Tracks: “Paranormal”, “Fireball” e “Private Public Breakdown”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.