Resenha: Alex Clare – Three Hearts

Lançamento: 11/08/2014
Gênero: Soul, Rock Alternativo, Pop
Gravadora: Island Records
Produtores: Alex Clare, Submotion Orchestra, Jacques Greene, Clare Maguire, Jess Mills, Subeena, Ill-Esha, Katy B, Breakage, Benga, Until the Ribbon Breaks e Major Lazer.

Alexander George “Alex” Clare é um cantor e compositor britânico, que ganhou holofotes com a canção “Too Close” do seu primeiro álbum de estúdio “The Lateness of the Hour”, lançado em 2011. Clare nasceu em Londres, Inglaterra, cresceu ouvindo muitos discos de jazz de seu pai e acabou sendo atraído pelo blues e soul, em especial, Donny Hathaway e Stevie Wonder. A educação de Clare era “muito secular”, mas ele ficou mais religioso durante meados dos anos 2000, quando tornou-se Judeu Ortodoxo. E, como tal, ele não realiza viagens e trabalha nos sábados ou feriados religiosos. O cantor disse que, inclusive, perdeu oportunidades de gravação devido a sua observância do sábado, mas que tem encontrado outras maneiras de conciliar a carreira com a sua religião. Em 2006, antes de obter sucesso de crítica, Clare namorou com Amy Winehouse, porém, o relacionamento durou menos de um ano.

Eles se conheceram quando Clare estava se apresentando e trabalhando em um bar que ela frequentava, o Hawley Arms, em Camden, norte de Londres. Atualmente, ele vive em Golders Green, uma área no noroeste da cidade, mas costuma viajar muitas vezes para Jerusalém. Muitas pessoas conheceram Alex Clare a partir da música “Too Close”, que tornou-se muito popular em 2011, no auge da popularidade do dubstep. Foi escolhida, em março de 2012, como trilha sonora da propaganda da Microsoft para o Internet Explorer 9. Foi essa exposição que impulsionou a canção para o sucesso internacional. Isto marcou uma reviravolta na carreira e fortuna musical de Alex Clare. Antes de entrar na parada de singles do Reino Unido, ele havia sido forçado a aceitar um emprego como agente imobiliário, após ser dispensado de sua gravadora devido às baixas vendas de seu álbum.

Em 2014, Clare lançou o vídeo de “War Rages On”, primeiro single do seu segundo álbum de estúdio, chamado de “Three Hearts”. O disco possui um total de 13 canções, incluindo um cover de “Addicted to Love” de Robert Palmer. Grande parte do “Three Hearts” é, obstinadamente, retrô, cuidadosamente plano e impregnado com uma sonoridade soul oitentista. Ao contrário do “The Lateness of the Hour”, que era repleto de um ar melancólico e reflexivo, o “Three Hearts” assume um tom mais otimista e vê Clare experimentando uma variedade de sons e gêneros. Enquanto as canções mais fortes são impulsionadas pelo próprio violão do cantor, Diplo e Switch (os mestres que estão por trás do Major Lazer), misturam os seus vocais macios com uma variedade de elementos diferentes para criar um contraste entre os devaneios acústicas do álbum.

Alex Clare

“Never Let You Go”, uma faixa muito cativante, abre o álbum. Aqui, ele utiliza muitos elementos musicais interessantes, incluindo influências dubstep. Há também uma quantidade decente de bateria fortemente caracterizada e teclados que acompanham os seus vocais, algo fácil de apreciar por exalar um otimismo motivador. A faixa-título, “Three Hearts”, é muito madura e mais folclórica se colocada em comparação com as demais canções. As letras de Clare são muito boas e essa música consegue destacar da melhor maneira suas habilidades como escritor. “Take You Back” é outra boa faixa, especialmente, porque a voz de Clare está fabulosa. Além disso, a mesma ainda possui um bom ritmo e, novamente, ótimas letras. Outra faixa de destaque, “Heavy Hands”, é construída por uma percussão muito cativante, um refrão em falsete salpicado e boas harmonias.

“Just a Man”, por sua vez, é uma música mais grave e com um piano muito pesado. Infelizmente, é uma canção pouco inspirada, construída por um arranjo simples e acordes datados. A sexta faixa, “The Story”, possui uma letra muito sincera, enquanto Clare adota um tom mais lento e entrega um refrão dramático. “Not In Vain” é outra balada que possui um tom mais sério e sombrio. Essa faixa revive os sentimentos de mágoa e desespero que o ajudaram em sua estreia. A letra consegue inspirar o ouvinte, ao fazer você se sentir melhor sobre qualquer negatividade que está acontecendo em sua vida. É nessas faixas que Alex Clare realmente brilha. “Sparks” é outra linda canção, principalmente, porque possui uma mistura eclética de instrumentação eletrônica que consegue criar uma adição emocional e comovente. O sentimentalismo gerado pela sua composição escassa é incomum para o álbum, mas os vocais melancólicos de Clare, equilibrados por esperançosos acordes de piano, foi uma tentativa muito bem sucedida.

Alex Clare

O primeiro single, “War Rages On”, é, provavelmente, a melhor e mais interessante faixa de todo o disco. Uma verdadeira canção synthpop, sólida, intensa e com uma instrumentação frenética. É impulsionada por um tambor e um baixo de apoio, não muito diferentes do que é apresentado pela banda Rudimental, que ajudaram a construir um excelente clímax. “Unconditional”, outra boa faixa, é uma canção de rock alternativo que contém um pouco mais de guitarras. Aqui, Clare ostenta um tipo tradicional de enfeites musicais que é, estranhamente, intenso com sua harmonia crua, em vez de qualquer energia sintetizada artificialmente. “So Deep” é uma balada para aqueles dias em que você só quer relaxar e se descontrair, pois tem uma vibe muito tranquila. Exerce uma suavidade na guitarra, cordas e uma batida hipnotizante, onde a opção por abster-se de sons eletrônicos rendeu bons resultados.

“Holding On”, assim como “Not In Vain”, lembra vagamente as músicas de Adele, provavelmente devido às suas letras de cortar o coração. A última faixa do álbum é “Addicted to Love”, cover de Robert Palmer, canção esta que já foi muitas vezes performada por outros artistas. A versão mais recente, se não me engano, foi a de Florence the Machine, incluída no “Lungs – The B-Sides”, disco bônus que acompanhou o original e foi lançado apenas na iTunes Store. A versão de Alex Clare ficou muito semelhante à versão de Florence Welch e fecha o álbum solidamente, graças também ao seu lirismo lindo e a inclusão de batidas fortes de bateria. “Three Hearts” é, como um todo, um disco realmente bom que vale a pena ouvir do começo ao fim. É difícil negar que Alex Clare se esforçou para criar um álbum que apresenta uma grande variedade de sons.

A questão, porém, é que não podemos deixar de se perguntarmos: alguma das treze músicas são tão boas quanto “Too Close”? Só o tempo dirá se Alex Clare vai conseguir outro sucesso como tal e deixar a etiqueta de one-hit-wonder. “Three Hearts”, em comparação ao primeiro álbum, não é tão surpreendente, mas possui algumas canções que conseguem inspirar e encantar. Clare tem uma voz única que, consistentemente, consegue ir além de alturas que se possa imaginar. Como cantor e compositor, sua marca particular encontra-se no pop emocionante e fascinante que ele consegue atingir. Ele merece elogios por tentar introduzir novos estilos com o “Three Hearts”, no entanto, o problema é que, ao fazer isso, ele simplesmente não conseguiu mostrar o seu melhor. Em muitos momentos, faltou aquele toque crucial para ser realmente considerado algo excelente.

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Favorite Tracks: “Never Let You Go”, “Sparks”, “War Rages On”, “Unconditional” e “So Deep”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.