Resenha: Afrojack – Forget the World

Lançamento: 16/05/2014
Gênero: Eletrônica, Dance, House
Gravadora: Def Jam Records
Produtores: Afrojack, D-Wayne, DJ Buddha e Polow Da Don.

“Forget the World” é o primeiro álbum de estúdio do DJ holandês, Nick van de Wall, mais conhecido pelo nome artístico Afrojack. Foi lançado dia 16 de maio de 2014, tendo como primeiro single “As Your Friend” que conta com a participação de Chris Brown. Estreou na posição #32 da Billboard 200, vendendo 8 mil cópias em sua primeira semana nos Estados Unidos. Sua melhor estreia aconteceu justamente em seu país, debutando em #4 lugar na parada de álbuns holandesa. Van de Wall nasceu e cresceu em Spijkenisse, Holanda, e é descendente de surinameses. Ele desenvolveu um interesse pela música muito cedo, quando aprendeu a tocar piano aos 5 anos de idade. De uma família monoparental, sua mãe Debbie era dona de uma academia local e após deixar a escola, Van de Wall estudou design gráfico por um ano, antes de embarcar em sua carreira como DJ e produtor musical. Afrojack namorou Paris Hilton por seis meses, mas ele possui uma filha, de um relacionamento anterior, com a modelo holandesa Amanda Balk.

A respeito do título do álbum, que em português é “Esqueça o Mundo”, Afrojack disse: “É basicamente uma mensagem não só para os meus fãs, mas também para mim mesmo, para se lembrar sempre de continuar a seguir o seu coração, continuar a seguir o seu caminho, e nunca tente deixar as coisas ao seu redor te derrubar.” Após subir à proeminência mundial na cena da música eletrônica, o DJ finalmente lançou o seu primeiro álbum de estúdio. Ao longo dos últimos quatro anos, Afrojack viu sua reputação crescer, rapidamente, como um dos nomes mais altamente reconhecidos dentro do gênero. Ele já foi classificado várias vezes, pela revista DJ Magazine (revista britânica mundialmente respeitada), como um dos 10 melhores DJs do ano. Embora ainda não esteja no mesmo nível de nomes como Armin Van Buuren ou Tiësto, que têm dominado o cenário EDM por muitos anos, o lançamento de um álbum de estúdio, sem dúvida, pode ajudá-lo na escalada pelo topo.

Afrojack (2)

Desde que dominou as pistas de dança com o hit “Take Over Control”, Afrojack vem demonstrando uma boa capacidade de produzir e desenvolver faixas cativantes, no entanto, ele ficou abaixo do esperado com esse álbum. “Forget the World” foi um tipo de oportunidade para pura expressão criativa, que poucos artistas tem a sorte de obter, o que o tornou ainda mais decepcionante. As pessoas costumavam dizer que álbuns EDM não funcionavam, porque eles tinha em mente algo como este disco: um lançamento com falta de ideias e lançado apenas com o objetivo de ganhar dinheiro com base no hype que conseguiu. No total, “Forget the World” possui 12 faixas, cinco singles e apresenta colaborações com Snoop Dogg, Wiz Khalifa, Sting, Jack McManus e Matthew Koma. Infelizmente, quase todas as faixas soam genéricas e com uma fórmula reciclada, que não justifica toda a longa espera para o seu lançamento. A faixa de abertura é com certeza a melhor canção do registro. “Ten Feet Tall” destaca-se das demais e é, praticamente, um dos poucos momentos realmente bons e comoventes do “Forget the World”.

“Ten Feet Tall” está entre as canções de maior dimensão do álbum, com um gancho muito cativante em falsete – “I’m stepping on buildings, cars and boats / I swear I could touch the sky / Ohh oh ohh / I’m ten feet tall – interpretado pelos excelentes vocais do cantor americano Wrabel, seguido de um mergulho em batidas eletrônicas. “Illuminate”, segunda faixa, é uma das músicas favoritas do próprio Afrojack. É uma boa canção, porém, sem surpresas. Matthew Koma consegue acrescentar bons vocais para a compilação excêntrica da música, uma pista house poderosa e com a assinatura do som explosivo do DJ. A faixa seguinte, “Born to Run”, possui uma produção diferente e conta com a participação de Tyler Glenn, da banda Neon Trees. O refrão, com piano pesado, e os vocais de Glenn, abrem caminho para bons movimentos em sua batida. “Freedom”, por sua vez, desperdiça o talento de Jack McManus em uma produção padrão e típica do EDM. Nem os vocais tenor de McManus conseguiram acrescentar alguma vida para as batidas insossas.

“The Spark” proporciona uma mudança de rumo, arrancada por um solo de guitarra dedilhado, que constrói uma compilação cheia de ritmo para o vocalista Spree Wilson. Embora Afrojack seja ágil em sonoridades ecléticas, “The Spark” não é um grande número e, a partir daqui, as coisas começam a se tornar rapidamente obsoletas, com exceção da próxima faixa com Snoop Dogg. O rapper não decepciona, ele traz um ar fresco com “Dynamite”, uma canção eletro propulsiva e cativante o suficiente para se destacar. Por outro lado, o rapper Wiz Khalifa não foi tão bem aproveitado na faixa “Too Wild”, uma das músicas mais suaves do disco. Afrojack arrasta Devin Cruise e o rapper para uma configuração fora do seu padrão, em um trance de multi-camadas que acaba por passar despercebido. “Three Strikes” apresenta, novamente, vocais de Jack McManus, entretanto, é outra canção barulhenta que não surpreende. Em “Catch Tomorrow” a voz de Sting, ex-vocalista do The Police, consegue transmitir emoção e poder para a entrega de uma pista agradável.

Afrojack (3)

Em seguida, temos a macia e suave “We’ll Be Ok”, com vocais de Wrabel, antes de chegarmos na penúltima e pior faixa do disco: “Mexico”. A música apresenta Shirazi em uma balada diferente do que Afrojack costumar fazer, o seu piano e ritmo são cansativos e parecem uma cópia mal-feita de alguma música do Coldplay. Para quem esperava uma pausa bem marcada e uma mudança bem-vinda, pode se decepcionar, porque nem suas cordas e adições orquestrais fizeram dela uma música dinâmica ou atraente. Felizmente, o número de encerramento, “Keep Our Love Alive”, consegue empolgar um pouco com vocais cheios de clareza de Matthew Koma. Afrojack foi sábio em terminar com uma música que fornece um refrão pesado e elementos típicos de sucesso em festivais de verão. No geral, o “Forget the World” apresenta músicas razoáveis de EDM, mas que provavelmente bombariam em uma pista de dança. É um material que soa bem vago, pois parece que está faltando algo. Mesmo que tenha convidados de peso, como os rappers Snoop Dogg e Wiz Khalifa, o roqueiro Sting e o vocalista da Neon Trees, Tyler Glenn, esse trabalho ficou um tanto quanto decepcionante.

Fãs incondicionais de música eletrônica podem não se divertir com a repetitividade presente aqui, mas ouvintes casuais podem curtir e acabar dançando junto. Porque não há, através de nenhuma linha aqui, alguma estrutura, mensagem ou tema. É um punhado de músicas vazias, sem uma forte musicalidade em modelos rítmicos ou melodias. O resultado foi uma bagunça de músicas EDM esquecíveis e tépidas, que provavelmente, só irão ser consumidas em festivais, a todo vapor, mesmo sem possuir algum charme. Se você estiver familiarizado com esse tipo de som, que faz você se envolver em torno de seus amigos, enquanto esperam por um refrão e ritmo previsíveis, “Forget the World” pode te agradar nesse aspecto. Caso contrário, assim como eu, achará esse registro bastante maçante e cansativo. Afrojack esteve entre os dez DJs de maior bilheteria dos últimos anos, no entanto, a maioria das faixas do seu álbum de estreia são fracas e parecem que estão aqui apenas para ocupar espaço, infelizmente.

50

Favorite Tracks: “Ten Feet Tall (feat. Wrabel)” e “Dynamite (feat. Snoop Dogg)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.