Resenha: Adele – 25

Lançamento: 20/11/2015
Gênero: Pop, Soul, R&B
Gravadora: XL Recordings / Columbia Records
Produtores: Danger Mouse, Samuel Dixon, Paul Epworth, Greg Kurstin, Max Martin, Linda Perry, Ariel Rechtshaid, Mark Ronson, Shellback, The Smeezingtons e Ryan Tedder.

Adele surgiu na cena musical em 2008 com o lançamento do disco “19”, que lhe rendeu 2 Grammy Awards. Em seguida, ela foi rapidamente catapultada para o topo das paradas musicais com o disco “21”. O álbum teve vendas estrondosas, rendeu mais 7 Grammys e hits gigantescos para ela, tais como “Rolling in the Deep” e “Someone Like You”. Na sequência, Adele ganhou um Oscar pela canção “Skyfall”, casou-se e virou mãe. Com um título baseado nos reflexos de sua vida quando tinha 25 anos de idade, “25” marca o seu retorno após alguns anos longe da indústria. Em novembro de 2015, todos os olhos e ouvidos estavam a sua espera. O lançamento do seu novo álbum foi um dos maiores eventos pop do ano. Após ter vendido 30 milhões de cópias com o “21”, em uma época onde as pessoas não possuem o forte hábito de comprar discos físicos, não foi uma surpresa ver que o seu retorno era tão aguardado. Lançado quase cinco anos depois do seu último material, o disco chegou para manter o alto padrão de vendas imposto pela cantora. Em sua primeira semana, “25” vendeu nada menos que 3,3 milhões de cópias nos Estados Unidos. São as maiores vendas semanais desde que a Nielsen SoundScan começou a contabilizar vendas de álbuns em 1991.

Esse recorde estava intacto há 15 anos e pertencia, anteriormente, ao disco “No Strings Attached” do grupo NSYNC, que vendeu 2,4 milhões de cópias em sua semana de estreia em 2000. Adele é uma potência no quesito vendas, tanto que, atualmente, nenhum artista da indústria vende tanto quanto ela. Trabalhar em um sucessor para o disco “21”, aparentemente, não seria uma tarefa fácil, afinal, esse álbum já pode ser considerado um clássico moderno. Mas para uma cantora tão talentosa, mundialmente reconhecida, que possui uma das vozes mais sublimes da indústria, isso poderia ser plenamente possível. Vocalmente, aqui, Adele aparece tão forte quanto no “21” e traz, novamente, um repertório com 11 faixas. O conteúdo das letras são mais alegres e otimistas, embora ainda possua a melancolia genuína que só ela expressa tão bem. Liricamente, “25” carrega uma riqueza emocional, lida com vários temas, como saudade, nostalgia, maternidade, passagem do tempo, arrependimentos e, como a própria disse, possui letras que tentam limpar o passado e ensinam a seguir em frente. Musicalmente, é um registro pop e soul, de alto padrão, que mescla fortemente com o R&B e faz uso de piano, órgão, percussões, guitarras, sintetizadores e elementos eletrônicos.

Para sua produção, Adele optou por trabalhar novamente com os produtores Paul Epworth e Ryan Tedder, além de colaborar com outros, tais como Max Martin, Greg Kurstin, Danger Mouse e Shellback. Mais um vez, Adele conseguiu oferecer um material pensativo, confessional, cativante e incrivelmente honesto. No “25” você pode encontrar um conjunto de belas canções, guiadas por uma Adele ainda mais madura artisticamente. Ao escutar o disco todo pela primeira vez, fica claro que ela amadureceu durante esses anos e afastou-se da amargura e tristeza presente nos seus discos anteriores. Percebemos que ela tenta abraçar a felicidade na vida, enquanto ainda oferece uma imagem vulnerável de si mesma. Em grande parte, a cantora oferece canções que tocam em suas sofisticadas raízes musicais, mas também apresenta novas vibrações e algumas sonoridades totalmente novas para ela. Antes de falar sobre cada faixa, já ressalto que, definitivamente, valeu a pena toda a espera por esse disco. A faixa de abertura é “Hello”, primeiro single do álbum que já se tornou uma de suas canções de maior sucesso no mundo. O produtor Greg Kurstin foi o responsável pelo som descontraído dessa canção.

Ele permitiu que a voz de Adele tomasse todo o centro do palco durante o ambiente de uma poderosa balada de piano. “Hello” é uma balada soul impetuosa e emotiva com um conteúdo lírico que documenta uma dor muito real. A canção concentra-se em saudade, onde Adele canta sobre como alguém recusa-se a conversar depois de ter sido emocionalmente ferido. É uma balada que explora os erros que cometemos e o reflexo de tudo isso. Além disso, as letras também parecem falar sobre como um relacionamento do passado ainda assombra e machuca o presente. Isto é notado logo no primeiro verso, conforme Adele canta: “Eu estava imaginando se após todos esses anos / Você gostaria que nos encontrássemos / Para superarmos tudo / Dizem que o tempo supostamente lhe cura / Mas eu ainda não fui completamente curada”. Logo no início, sua voz já soa familiar e acolhedora. A canção começa com o piano, na mesma medida que os seus melancólicos e sombrios vocais ditam o ritmo. Conforme a faixa progride, sua sinceridade se torna ainda mais aparente, enquanto ela canta sobre uma falta de cura e o desejo desesperado de reparar os erros do passado. A instrumentação permanece simples na maior parte do tempo e permite que os talentos vocais de Adele transmitam toda a emoção das letras.

Mas, posteriormente, a produção geral da faixa faz uso adicional de cordas e tambores durante o refrão. A melodia durante os versos já é memorável, mas é o poderoso refrão que toma enormes proporções. “Olá do outro lado / Devo ter ligado umas mil vezes / Lhe dizer que sinto muito / Por tudo o que fiz / Mas quando eu ligo você parece / Nunca estar em casa”, ela canta. Sua voz soa poderosa e frágil ao mesmo tempo, enquanto emite emoções como ninguém. Ela consegue de forma genuína encapuzar toda a vulnerabilidade e crueza das letras através de seus atraentes vocais. O uso de belas harmonias durante o refrão só servem para deixar a melodia ainda mais bombástica. Pode-se dizer que Adele manteve-se em uma zona de conforto com este single, mas é algo tão grandioso que quando a música termina, fica claro que, novamente, ela acertou em cheio. Portanto, todo o sucesso que “Hello” está obtendo é nada menos que merecido. “Send My Love (To Your New Lover)”, segunda faixa, é de longe a mais alegre e atrevida música do catálogo de Adele. Não é de se admirar, se você levar em conta que ela compôs a canção ao lado dos hitmakers Max Martin e Shellback.

Adele (2)

É uma música pop sutil, com um interessante riff de guitarra acústica e uma batida mais up-tempo que o normal. Sua produção polida e despojada sufoca um pouco do melhor da sua voz, no entanto, traz uma variedade sonora bem-vinda para o álbum. É uma mudança de ritmo e tom louvável, e o momento mais otimista do repertório. Foi bom ouvir Adele nas mãos de Max Martin, pois “Send My Love (To Your New Lover)” acabou oferecendo uma vibe tranquila, uma grande melodia pop e nos mostrou um lado que o disco “21” não conseguiu expor. Liricamente, é uma canção pós-rompimento amoroso, sobre a aceitação do fim de um relacionamento e a escolha de seguir em frente. “Estou desistindo de você / Estou perdoando tudo / Você me libertou, oh / Envie meu amor para sua nova amada / Trate-a melhor / Temos que nos libertar de todos os nossos fantasmas / Nós dois sabemos que não somos mais crianças”, ela canta no alegre refrão, sobre o suporte exclusivo de palmas otimistas e de uma cativante linha de guitarra acústica. O refrão é muito contagiante e mostra um pouco do crescimento pessoal de Adele. Isto é o mais pop que Adele já soou, é simples, divertido e uma mudança sonora bem refrescante.

Depois de tomar um desvio para o pop, Adele sintoniza os ouvintes novamente em sua estética familiar, com a faixa “I Miss You”. Uma canção mid-tempo sensual, cheia de desejo e devoção, produzida por seu colaborador de longa data, Paul Epworth. É uma das duas faixas produzidas por ele, algo surpreendente, dado que ele foi o homem por trás de “Rolling in the Deep”. Em termos de produção, esta faixa soa como uma nuvem escura, graças a sua percussão incrivelmente pesada. Seus tambores são proeminentes, enquanto possuem o apoio de uma guitarra com efeitos, um órgão e algumas backing vocals. Com seus grandes e emotivos vocais, Adele cria um espaço cinematográfico, com ajuda dos instrumentos, para expressar seus sentimentos. “Eu sinto falta de você quando as luzes se apagam / Ela ilumina todas as minhas dúvidas / Puxe-me abrace-me forte não deixe ir / Baby me dê luz”, ela canta no refrão. É uma balada dramática, com uma vibe perigosa e uma vibração estranha. O refrão não é tão doce melodicamente, mas é vivaz e lida com a intimidade de um ex-casal. É uma música sexy e agradável, mas que deveria ter tido um acompanhamento melhor. Porque ela permanece a mesma coisa durante muito tempo, com exceção de um solo de piano perto do seu final.

“Você se parece com um filme / Você soa como uma canção / Meu Deus, isto me lembra / De quando éramos jovens”, canta Adele na quarta faixa, “When We Were Young”. Essa canção é o segundo single do álbum, a sucessora de “Hello” e, igualmente a mesma, é uma balada arrebatadora. Uma maravilhosa balada soul, onde Adele relembra memórias do passado que teve com alguém muito querido. Uma das coisas que o seu novo álbum, “25”, faz muito bem é olhar para o passado. Consequentemente, “When We Were Young” faz isso da melhor maneira possível, pois é uma canção extremamente sincera e genuína. Ao escuta-la, você praticamente é transportado para uma nostálgica viagem emocional. Essa música é uma verdadeira serenata reflexiva sobre valorizar os bons momentos que vivemos no passado. Aqui, Adele ecoa tematicamente tudo o que ela já apresentou para os ouvintes: honestidade, nostalgia e autenticidade. Lindamente e artisticamente, a cantora expressa seu pesar sobre a natureza fugaz da juventude e o medo de envelhecer: “Deixe-me te fotografar sob esta luz / No caso desta ser a última vez / Que nós podemos ser exatamente como éramos / Antes de percebermos / Estamos tristes por estar envelhecendo / Nos deixou incansáveis / Era exatamente como um filme / Era exatamente como uma canção / Quando nós éramos jovens”.

Apesar de ser menos confiante que “Hello”, a beleza de “When We Were Young” encontra-se, principalmente, na sutileza e reflexão de sua letra. É, sem dúvida, uma das faixas mais honestas do “25”. As letras são pungentes e uma combinação perfeita entre a tristeza e a reflexão de um relacionamento que ficou para trás. É um número mais discreto, sombrio e auto-reflexivo que a maioria das outras faixas do disco. Em “When We Were Young” pode-se dizer que Adele está no auge da sua maturidade e elegância. Vocalmente, a cantora surpreende mais uma vez. Ela surge diretamente das profundezas do seu alcance vocal para, posteriormente, dentro de segundos, chegar a alturas estratosféricas. O refrão final é um dos melhores momentos, pois é onde ela atinge notas incrivelmente altas. Como de costume, o trabalho vocal desta faixa é muito poderoso, porém, apresentado com um tom muito mais íntimo e pessoal, algo que traz uma verdadeira sensação de proximidade. Na superfície, “When We Were Young” é uma típica balada de Adele, no entanto, interpretada com uma paixão ainda maior. É uma balada profundamente soulful, com vocais de fundo agradáveis e uma pitada de drama na medida certa. O seu refrão é lindamente crescente, encantador e encharcado por nostalgia.

Sua introdução é feita apenas com um escasso piano que, lentamente, é sincronizado com outros elementos adicionais e uma percussão mais forte. Posteriormente, o desempenho é reforçado pelo apoio de uma leve guitarra que, felizmente, não apaga a tristeza do piano. Particularmente, eu acho “When We Were Young” a canção mais forte do álbum, e, possivelmente, um dos singles mais impressionantes que ela já lançou. Com o auxílio de Ryan Tedder, vocalista da banda OneRepublic, Adele escreveu a faixa “Remedy”. A cantora descreveu essa canção como a faixa que deu o ponto de partida para a gravação do “25”. Essa balada pop é, provavelmente, a coisa mais próxima do som do “21” que podemos encontrar por aqui. Essa música é maravilhosa na voz de Adele, pois mostra o seu poder como vocalista. Nas mãos de qualquer outra cantora, essa música seria bem básica e um tanto quanto brega. Felizmente, Adele a transforma em uma potência, graças ao seu desempenho emocional. Enquanto não é minha canção favorita no álbum é, definitivamente, uma música com uma força própria. “Remedy” é uma simples e despojada balada de piano, aparentemente inspirada por seu filho.

Na letra ela diz que nenhum obstáculo será tão grande a ponto de deixá-la longe dele: “Nenhum rio é muito largo ou muito profundo para mim para nadar até você / Venha quando eu vou ser o abrigo que não deixe a chuva passar / Seu amor, é a minha verdade / E eu sempre vou te amar / Te amo, te amo”. Tocante e surpreendentemente real. Seu alcance vocal é insano, enquanto o tom de sua voz é singular. Apoiada por um comovente piano e valsas relaxantes, a cantora mostra sua devoção por seu filho: “Quando a dor cortá-lo profundamente / Quando a noite o impedir de dormir / Basta olhar e você vai ver / Que eu vou ser o seu remédio”. A colaboração entre Adele e Ryan Tedder brilha por sua simplicidade, doçura e suavidade. Além do brilhante single “Hello”, Greg Kurstin trabalhou com Adele na maravilhosa faixa disco-pop “Water Under the Bridge”. Uma grande balada, com aspecto de um verdadeiro hino. Possui uma fórmula pronta para as rádios, um refrão arrebatador, uma melodia espetacular, vibrações oitentistas e uma produção que rouba os holofotes. Em sua superfície temos um ritmo mid-tempo, uma cativante guitarra elétrica, palmas, um coral gospel e ótimos tambores. A guitarra, em especial, tem uma participação triunfal e enriquecedora. Ela faz a canção sentir-se muito contemporânea em comparação com algumas das baladas de piano.

Adele

“Se você for me deitar, deite-me gentilmente / Não finja que não me quer / Nosso amor não são águas passadas”, Adele canta no melodramático refrão. O lirismo é sobre um caso de amor que permanece na incerteza e fora de controle. “Water Under the Bridge” é, sem dúvida, um número triunfante, excêntrico e uma das maiores surpresas do álbum. “Todo mundo me diz que já está na hora de seguir em frente / E que preciso aprender a ser mais leve e jovem”, canta Adele, quase acapela, na introdução da faixa “River Lea”. Co-escrita por Brian Burton e produzida por Danger Mouse, esta canção é uma homenagem ao rio Lea que fica localizado na sua cidade natal, Tottenham. A comparação com o rio serve como metáfora para criar um cenário empolgante, onde a cantora fala sobre suas raízes e infância. O trabalho de produção de Danger Mouse introduz algo que parece uma reminiscência da cantora Lykke Li. O acompanhamento inicial é muito interessante, enquanto no refrão seus vocais são unidos com palmas, órgão de igreja, um coral gospel e um ritmo descontraído. Os vocais de apoio soulful são, como sempre, um complemento muito bom para sua voz. “Mas é nas minhas raízes, está em minhas veias / Está no meu sangue e eu manchar cada coração que eu uso para curar a dor”, ela canta no refrão.

É dramático, glorioso e introduz um sentimento de orgulho no álbum. A repetição de “river lea” é bem monótoma, desnecessária e a parte menos excitante da música. Fora isto, o trabalho vocal de Adele e a produção de Danger Mouse, conseguiram se sobressair mais um vez. Com “Love in the Dark” Adele retorna ao seu ponto forte: baladas de piano. Porém, desta vez, é sobre uma separação onde a cantora pede a seu ex-namorado para ficar longe. É uma canção que reflete um tema de desgosto, sobre um relacionamento que não tem mais salvação. “Por favor, fique onde está / Não se aproxime / Não tente mudar minha mente / Eu estou sendo cruel para ser gentil”, ela canta no primeiro verso. Sonoramente, ela volta para um território onde apenas um piano e alguns instrumentos simples fazem o serviço. Naturalmente, ela canta sobre o piano e cordas delicadas que amplificam o impacto emocional das letras. O refrão é muito íntimo e belo, enquanto as seções de cordas de violinos soam bastante sombrias. A entrada para o refrão, quando os vocais de apoio aparecem, e o solo de cordas na ponte também são bastante interessantes. Em “Million Years Ago” encontramos Adele em seu estado mais pessoal e vulnerável. Outra balada escassa, desta vez sobre um violão flamenco, onde a cantora canta com pesar sobre tudo que ela perdeu com o passar dos anos.

É uma belíssima canção de inspiração folk, que mostra a incrível expressão de sua voz e fala a respeito de crescimento e aceitação. Durante os versos ouvimos a cantora lembrando dos bons momentos que teve com a família e amigos. Ela captura uma realidade através de uma melodia agridoce, olhando para o futuro, mas ao mesmo tempo ansiando por mais um dia do passado. É tudo sobre ser triste e lembrar do que deixou para trás. “Eu sinto como se a vida estivesse passando num piscar / E tudo que eu posso fazer é assistir e chorar / Eu sinto falta do ar, sinto falta dos meu amigos / Eu sinto falta de minhã mãe, sinto falta de quando / A vida era uma festa a ser curtida / Mas isso foi há um milhão de anos atrás”, ela canta quase em lágrimas. Liricamente, é uma música tematicamente bem coesa com o resto do álbum, visto que é nostálgica e representa a aceitação dolorosa do passado. A simplicidade do dedilhado do violão destaca a dor sentida pela artista, enquanto dá um sabor exótico para a música. É um dos poucos momentos do álbum, onde a cantora opta por colocar outro instrumento a frente do piano. O violão, as harmonias vocais, os tons suaves de Adele e a sutileza desta canção são realmente formidáveis. A extraordinária “All I Ask” é outra balada triste de piano, extremamente emocional, co-escrita por Bruno Mars e produzida por sua equipe The Smeezingtons.

Ela fala sobre a procura por uma última noite com um namorado, antes de cada um seguir caminhos diferentes. “Se esta é minha última noite com você / Me abrace como se fôssemos mais do que amigos”, ela implora, antes da pergunta central: “Por que e se eu nunca mais amar?”. O acompanhamento de piano desta canção é, provavelmente, o melhor de todo o álbum. É nada menos do que perfeito. Na verdade, a música toda é fantástica. É uma canção típica de Adele, mas com um piano ainda mais belo e dinâmico do que o normal. É um número que exala diversos sentimentos, excepcionalmente emocionais, através de uma grande vulnerabilidade lírica e vocal. Adele empurra seus vocais tão bem sobre a linda melodia, que faz você se maravilhar toda vez que ouve. O minuto final da música é ainda mais esplêndido. O álbum fecha com “Sweetest Devotion”, canção produzida por Paul Epworth que encerra o repertório com uma nota muito positiva. É uma canção sobre um amor verdadeiro recém-descoberto, que ela escreveu para o seu filho. A segunda metade do “25” é um pouco mais obscura e triste, mas esse número mostra uma luz no final do túnel para Adele. Por ser um número de encerramento, a cantora foca em seu filho, cuja voz pode ser ouvida na abertura. “Sweetest Devotion” apresenta algumas das notas mais poderosas do registro e termina tudo com um som mais doce e otimista.

Musicalmente, é uma faixa up-tempo, com elementos de country, um emocionante refrão tingido de gospel e doces guitarras. O sucesso do disco “21” foi sem precedentes, mas com o “25”, Adele conseguiu fazer algo tão forte e significativo quanto. É preciso ser uma grande artista para acompanhar o enorme impacto comercial e cultural de um álbum como “21”. O “25” pode não ser melhor que o mesmo, porém, é um álbum mais maduro, sábio, feliz, reflexivo e, igualmente, pessoal e honesto. Possui seus momentos pesados e melodramáticos, mas isto acontece com menos frequência que no disco anterior. Suas canções são até mais estruturadas e refinadas, como também melhores produzidas. Possui baladas de piano sinceras, assim como no “21”, e também outros números incrivelmente fortes. Você pode critica-la por não correr tantos riscos, mas após ela ter ganho milhões de fãs com o “21”, também ganhou o direito de ignorar certas tendências e explorar a música que se sente confortável. Como vocalista, ela permanece poderosa, convincente, arrebatadora e muito mais madura. Mesmo com suas falhas, “25” pode ser considerado uma verdadeira vitória, pois é o reflexo pessoal de suas histórias mais íntimas e sinceras. Mais do que isso, o álbum apresenta algumas das mais belas músicas da carreira de Adele.

80

Favorite Tracks: “Hello”, “When We Were Young”, “Water Under the Bridge”, “Million Years Ago” e “All I Ask”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Isabella Marques

    Antes de mais nada, parabéns de novo, os textos desse blog são muito bons. Muito analíticos. Comentei até agora apenas nos da Adele, porque esta é a artista que mais me impressiona, por isso tenho acompanhado muitas coisas sobre ela. Voltando ao texto, concordo demais. “Remedy” e “Sweetest devotion” são as melhores, na minha opinião, tirando os potenciais singles, como “Water under the bridge” ou mesmo “Send my love (to your new lover)”. “All I ask” foi a primeira que me chamou a atenção, talvez por se parecer tanto com a sonoridade do 21. As que menos gosto são “River Lea”, pra mim a mais fraca do disco, e “I miss you”. Você tem toda a razão quando as descreve. No mais, é muito bom ver a progressão artística, rítmica e musical da Adele. As composições estão muito afinadas com a vida que ela tem hoje, já com um filho e, como você bem disse, soa muito honesto. Obrigada pela resenha!

    • Leo

      Muito obrigado Isabella! Comentários como este nos deixam muito felizes e mais motivados para continuar com nosso trabalho aqui no blog. Para mim, “Water Under the Bridge” já está entre as melhores músicas da carreira da Adele. A voz dela está incrível nessa faixa! Realmente “All I Ask” é a que mais lembra o “21”, uma das melhores do álbum por sinal. Concordo com você, “River Lea” e “I Miss You” são as mais que menos chamam atenção. Foi principalmente por causas delas que eu acabei dando uma nota abaixo do “21” Hahaha! Obrigado mais uma vez e volte sempre. 😀

      • Você acredita que eu não tinha reparado a nota do 21? Haha, merecia 100, mas tudo bem, rsrsrs!! Venho aqui todo dia, virou parada obrigatória <3

        • Leo

          Hahaha Por isso dei nota “80”! O “25” é maravilhoso, mas não superou o “21”. Que legal, fico muito feliz em saber disso. 😀