Review: Adele – 21 (2011)

Além de obter um extraordinário sucesso comercial, o segundo álbum da Adele é um conjunto musical brilhante. O peso emocional das músicas permitiu que ela mostrasse seu poderoso vocal.

Adele Adkins lançou em janeiro de 2011 o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “21”. O disco possui uma sonoridade que mescla os gêneros pop, soul e R&B, enquanto utiliza em sua execução bateria, cordas, banjo, acordeão, baixo, guitarra acústica, guitarra elétrica e elementos de música clássica. Liricamente, o álbum reflete o término de um relacionamento e aborda temas como auto-avaliação e perdão. As gravações ocorreram entre maio de 2009 e outubro de 2010 sob a produção da própria cantora, juntamente com Jim Abbiss, Paul Epworth, Rick Rubin, Fraser T Smith, Ryan Tedder e Dan Wilson. Adele começou a compor canções para o “21” em 2009, quando ainda estava envolvida no relacionamento que, posteriormente, inspirou o álbum. Consequentemente, rendeu à cantora uma série de prêmios e indicações nas maiores premiações musicais do mundo. O álbum gerou para ela 7 Grammy Awards, sendo 6 deles vencidos apenas em uma única noite em 2012. Comercialmente, o disco superou todas as expectativas de sua gravadora, vendendo até 2014 mais de 26 milhões de cópias em todo o mundo. O “21” abre com o primeiro single, “Rolling in the Deep”, um número pop com influência gospel, refrão crescente e um coro ao fundo dizendo: “Você vai desejar nunca ter me conhecido”. Um ataque em fúria ao seu ex-namorado. O dedilhado da guitarra acústica é abafado, estável e encaixa-se perfeitamente ao timbre rouco de Adele.

“Rolling in the Deep” é uma das melhores faixas do álbum, um verdadeiro hino que tornou-se a segunda canção mais vendida digitalmente nos Estados Unidos. Co-escrita por Ryan Tedder, vocalista da banda OneRepublic, “Rumour Has It” é uma faixa blues e pop com batidas extremamente persuasivas e cativantes. “Turning Tables” é formidável e melodicamente exuberante – uma das canções mais emocionantes do repertório. Uma frágil balada interpretada por um genuíno coração partido. Em sequência, temos outra belíssima canção intitulada “Don’t You Remember”. Um número extremamente emotivo com inesperadas influências de country. “Set Fire to the Rain”, por sua vez, é certamente a melhor canção do álbum. O refrão arrebatador é interpretado de forma irritada e a todo vapor. O último minuto é o ápice da música, pois Adele coloca toda a sua mágoa para fora e dá um verdadeiro show melodramático: “Eu ateei fogo na chuva / Eu nos joguei nas chamas / Bem, eu senti algo morrer / Porque eu sabia que era a última vez, a última vez / Oh, não / Deixe queimar”. O soul old-school de “He Won’t Go” é excepcionalmente brilhante – um dos meus grandes vícios do álbum. Co-escrita por Paul Epworth, essa faixa possui letras dramáticas e é facilmente uma das mais empolgantes do repertório. Outra mega balada encontrada no álbum chama-se “Take It All”.

Co-escrita por seu parceiro de “Chasing Pavements”, Francis White, é uma canção que inicia com Adele fazendo uma pergunta: “Eu não dei tudo?”. Mais tarde, ela é acompanhada por um simples piano e um maravilhoso coro gospel. “I’ll Be Waiting” é igualmente intrigante e apresenta, além de vocais mais energéticos, percussão e teclas de piano mais agitadas. Enquanto isso, “One and Only” é movida através de elementos gospel e têm vocais ainda mais incríveis. Para mim, a única possível falha do “21” é talvez “Lovesong”, um cover acústico da banda The Cure. Particularmente, não gostei da interpretação de Adele, uma vez que ficou muito minimalista e estranha. O álbum encerra com a espetacular “Someone Like You”, produção de Dan Wilson onde temos apenas o piano e a voz da Adele. Aqui, ouvimos ela dizer no refrão que vai encontrar um outro alguém: “Deixe para lá, eu vou achar alguém como você”. Uma canção melancólica, dramática, triste e um verdadeiro hino pop. Em última análise, não há nada particularmente inovador no “21”, mas nem sempre um disco precisa ser uma reinvenção para ser de extrema qualidade. Adele e sua equipe elaboraram um álbum honesto, convincente e com um potencial incrível. Depois desse trabalho, ela está ainda mais forte e segura para o seu próximo lançamento. O “21” mostrou para o mundo a grande e atraente voz da Adele, um percussor para outros materiais que estarão por vir. Um conjunto de brilhantes canções, onde cada uma possui uma força individual.

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    SCORE - 76%
76%

Favorite Tracks:

“Rolling in the Deep” / “Set Fire to the Rain” / “Someone Like You”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.