Resenha: Adele – 21

Lançamento: 19/01/2011
Gênero: Soul, Pop, R&B
Gravadora: XL Recordings
Produtores: Jim Abbiss, Adele, Paul Epworth, Rick Rubin, Fraser T. Smith, Ryan Tedder, Dan Wilson.

A cantora inglesa Adele Adkins lançou em janeiro de 2011 o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “21”. O disco possui uma sonoridade que mescla os gêneros pop, soul e R&B, enquanto utiliza em sua execução bateria, cordas, banjo, acordeão, baixo, guitarra acústica, guitarra elétrica e elementos de música clássica. Liricamente, o álbum reflete o término de um relacionamento e fala sobre temas como auto-avaliação e perdão. As gravações do álbum ocorreram entre maio de 2009 e outubro de 2010, sob a produção da própria cantora, juntamente de nomes como Jim Abbiss, Paul Epworth, Rick Rubin, Fraser T Smith, Ryan Tedder e Dan Wilson. Adele começou a compor canções para o “21” em 2009, quando ainda estava envolvida no relacionamento que, posteriormente, inspirou o álbum. Consequentemente, rendeu à cantora uma série de prêmios e indicações nas maiores premiações musicais do mundo. O álbum gerou para ela 7 Grammy Awards, sendo 6 deles vencidos apenas em uma única noite em 2012. Comercialmente, o disco superou todas as expectativas de sua gravadora, vendendo até 2014 mais de 26 milhões de cópias em todo o mundo.

O “21” abre com o primeiro single, “Rolling in the Deep”, um número deep-soul e gospel com um refrão crescente, onde temos um coro ao fundo dizendo: “Você vai desejar nunca ter me conhecido”. Um ataque em fúria ao seu ex-namorado. O dedilhado de guitarra acústica do início é abafado, estável e encaixa-se perfeitamente ao timbre rouco de Adele. “Rolling in the Deep” é uma das melhores faixas do álbum, um verdadeiro hino que tornou-se a segunda canção mais vendida digitalmente nos Estados Unidos, com mais de 8 milhões de downloads pagos. “Rumour Has It”, por sua vez, foi co-escrita por Ryan Tedder, vocalista da banda OneRepublic. Uma faixa muito comercial que fornece uma batida persuasiva extremamente cativante. A terceira faixa, “Turning Tables”, é formidável e melodicamente exuberante. Uma das canções mais emocionantes do disco. Uma frágil balada interpretada por um genuíno coração partido. Em sequência, temos outra belíssima canção intitulada “Don’t You Remember”. É um número extremamente emotivo que traz influências country para o repertório. “Set Fire to the Rain”, por sua vez, é sem dúvida a melhor canção do registro.

O refrão arrebatador e interpretado de forma irritada e a todo vapor. O último minuto é o ápice da música, pois é onde Adele coloca toda a sua mágoa para fora e dá um verdadeiro show melodramático: “Eu ateei fogo na chuva / Eu nos joguei nas chamas / Bem, eu senti algo morrer / Porque eu sabia que era a última vez, a última vez / Oh, não / Deixe queimar”. O soul old-school de Rick Rubin em “He Won’t Go” é excepcionalmente brilhante, um dos meus grandes vícios desse álbum. Co-escrita por Epworth, essa faixa possui uma letra convincente, dramática (“Mas eu não vou embora / Eu não consigo fazer isso sozinha / Se isso não é amor, então o que é? / Estou disposta a correr o risco”), e é facilmente uma das faixas mais empolgantes do repertório. Outra mega balada encontrada no álbum chama-se “Take It All”. Co-escrita por seu parceiro de “Chasing Pavements”, Francis White, é uma canção que inicia com Adele fazendo uma pergunta: “Eu não dei tudo?”. Mais tarde, a cantora é acompanhada por um simples piano e um maravilhoso coro gospel. “I’ll Be Waiting” é igualmente boa como a faixa anterior e apresenta, além de um vocal mais energético, uma percussão e piano mais agitados.

Enquanto isso, “One and Only” é movida através de elementos gospel e têm o vocal de Adele soando ainda mais incrível. Para mim, a única possível falha do “21” é talvez a faixa “Lovesong”, um cover acústico da banda The Cure. Particularmente, não gostei da interpretação de Adele nesta canção, pois ficou muito minimalista e um pouco estranha. O álbum encerra com a espetacular “Someone Like You”, produção de Dan Wilson onde temos apenas o piano e voz de Adele. Aqui, ouvimos a cantora dizer no refrão que vai encontrar um outro alguém: “Deixe para lá, eu vou achar alguém como você”. Uma canção melancólica, dramática, triste e um verdadeiro hino pop. Em última análise, digo que não há nada particularmente de inovador no “21”, porém, nem sempre um disco precisa ser uma reinvenção para ser de extrema qualidade. Adele e sua equipe elaboraram um álbum honesto, convincente e com um potencial incrível. Depois desse trabalho, ela está ainda mais forte e segura para o seu próximo lançamento. O “21” mostrou para o mundo a grande e atraente voz de Adele, um percussor para outros materiais que estarão por vir. Um conjunto de brilhantes canções, onde cada uma possui uma força individual.

Favorite Tracks: “Rolling in the Deep”, “Set Fire to the Rain” e “Someone Like You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Isabella Marques

    Achei ótima a análise, mas discordo sobre sua ideia da versão de Lovesong. É muito bonita e honesta, principalmente quando se conhece o motivo pelo qual ela escolheu esta faixa do The Cure. É claro que sua análise é mais técnica. E ‘One and only’ é a música mais linda desse disco, do 21. Novamente, parabéns pelo site.

    • Leo

      Verdade, fui mais técnico na minha análise, tanto que eu não sabia que tinha um motivo em especial pela escolha desse cover haha! Sou apaixonado por “Set Fire to the Rain” e “He Won’t Go”, são minhas favoritas. Mas é inegável que “One and Only” também é muito linda. Fico feliz que tenha gostado da resenha! Obrigado!! 🙂

      • Isabella Marques

        Então, Lovesong era a música que a mãe da Adele cantava para ela todas as noites e The Cure foi o primeiro show que ela foi, junto com a mãe! <3 Logo, ela escolheu esta música para homenagear sua mãe. Colei neste site e não largo mais, rs. Bom trabalho!!

        • Leo

          Nossa que legal, não sabia dessa história. Essa mulher é incrível mesmo! Obrigado!! Volte sempre haha