Resenha: AC/DC – Rock or Bust

Lançamento: 28/11/2014
Gênero: Hard Rock
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Brendan O’Brien.

“Rock or Bust” é o décimo quinto álbum de estúdio da banda australiana de hard rock AC/DC, formada atualmente por Angus Young, Stevie Young, Cliff Williams, Brian Johnson e Phil Rudd. É o mais curto álbum já lançado pela banda, com apenas 35 minutos de duração no decorrer de 11 faixas. Para sua promoção, o grupo lançou em 7 de outubro de 2014 a canção “Play Ball” como single de estreia. “Rock or Bust” chegou ao número #1 em onze países na semana de seu lançamento. Nos Estados Unidos, o álbum vendeu 172 mil cópias na primeira semana e estreou no número #3 da Billboard 200. “Rock or Bust” é o primeiro álbum do grupo sem o membro fundador e guitarrista Malcolm Young, que deixou o AC/DC em 2014 por motivos de saúde. A saída de Malcolm foi, posteriormente, esclarecida pela banda e sua gestão, que disseram que ele foi oficialmente diagnosticado com demência e, possivelmente, nunca mais irá tocar.

Aos 57 anos, o substituto definitivo de Young foi o seu sobrinho, Stevie. Antes que o álbum fosse oficialmente anunciado, Brian Johnson admitiu que foi difícil trabalhar sem Malcolm Young. Ele trouxe a idéia de que o álbum poderia ser chamado de “Man Down” (algo como “Homem Caído”), mas acreditava que o título era muito negativo em relação a atual situação de Malcolm e sua saúde. Em 6 de novembro de 2014, o baterista Phil Rudd foi acusado pela tentativa de ordenar dois assassinatos a um matador de aluguel para se livrar de duas pessoas na Nova Zelândia. Porém, ele pagou fiança e agora está em liberdade provisória. Phil Rudd nega todas as acusações e pensa em processar a polícia por tal ato. Ainda não está claro se Rudd permanecerá com a banda ou se alguém será o seu substituto. “Rock or Bust” foi gravado no estúdio Warehouse, em Vancouver, Canadá, com o produtor Brendan O’Brien e o mixer Mike Fraser.

Quando Rudd estava com dez dias de atraso para as sessões de gravação, O’Brien estava pronto para substituí-lo por outro baterista, mas Rudd chegou a tempo e gravou suas devidas partes. As músicas foram construídas, em grande parte, pelo material de Angus Young durante gravações de álbuns anteriores. A curta duração do álbum pode ser um reflexo do seu difícil nascimento, que foi culminado pela saída de Malcolm. Mas, embora ele não esteja mais com a banda, sua presença ainda é sentida. A faixa-título, “Rock or Bust”, abre o repertório com um impressionante “Hey yeah / Você está pronto? / Fizemos uma banda de guitarra / Tocamos em toda a terra”, juntamente com um pesado riff e uma excelente percussão. Os vocais de Brian Johnson, durante o refrão, estão bem fortes e conseguem nos elevar semelhante à forma como fez na sua entrada como vocalista em 1980. E, como de costume, o conteúdo lírico não se desvia muito longe dos temas propostos pela banda.

ACDC

Para “Play Ball”, eles encontraram uma melodia cativante o suficiente para ser um hino para qualquer equipe de futebol. É, sem dúvida, uma das melhores faixas de todo o álbum. É cheia de uma energia caracterizada, tipicamente, por muitas outras faixas dos roqueiros, mas que, de alguma forma, soa extremamente fresca e renovada. O hino “Rock the Blues Away” se afasta do modelo das primeiras faixas para nos fornecer uma melodia pop muito cativante, algo que não ouvíamos em excesso assim desde “You Shook Me All Night Long”. “Miss Adventure” é soberbamente divertida, apresenta um início genial e um refrão típico de arena. Se você adora solos e riffs infinitos vai adorar esta faixa, porque Young aproveita a oportunidade para usar em excesso a sua guitarra. Enquanto isso, “Dogs of War” e o seu agradável refrão, parecem ter sido construídos especialmente para explodir em torno de estádios e fazer parte de trilha sonora de vídeo-games e/ou filmes de ação.

Apesar de pouco inspirada e muito repetitiva, “Got Some Rock & Roll Thunder” é uma faixa cuidadosamente bem construída e muito animada. Aqui, é quase impossível você não cantar o refrão junto. “Hard Times”, por sua vez, possui riffs que sentem-se alternadamente sensuais, bem como oferece grandes vocais durante o refrão. Nesta canção, a banda mostra, através de sua composição, ter sentido o turbulento período que passaram recentemente. O ritmo animado volta em “Baptism By Fire”, uma declaração presciente que faz uma sábia conexão com o ouvinte em suas letras. Inesperadamente, essa faixa possui um riff muito semelhante ao de “Highway to Hell”. A excelente “Rock the House”, nona faixa, tem riffs que vão te recordar, em especial, a banda Led Zeppelin. Além dos ótimos riffs, ela possui pausas estratégicas e dinâmicos vocais de Brian Johnson. A penúltima faixa, “Sweet Candy”, apresenta letras como: “Ela faz uma dança / Desliza para baixo num pole”.

Conteúdos líricos como este mostra um pouco da canastrice típica deles. O seu início é fantástico e, felizmente, consegue manter-se constante. O humor juvenil da banda brilha em títulos como “Emission Control”, uma canção forte, resistente e guiada por um sonante e fantástico riff de guitarra. A forma como o seu refrão cresce é hipnotizante. Quarenta anos após a formação do AC/DC, a banda apresenta o primeiro álbum sem os irmãos Young trabalhando juntos. Pode não ter nada de diferente do que eles já fizeram, mas o “Rock or Bust” é, em muitos aspectos, mais forte que outros álbuns da banda. Mesmo depois de tantos anos, o grupo ainda é capaz de cumprir os seus objetivos e nos fornecer algo simples: muito rock. Nada mais, nada menos. Apesar de todo o tumulto que a banda sofreu em 2013, o som deles ainda mantém-se forte e pesado, com Brian Johnson se superando nos vocais e Angus Young reafirmando sua posição como um dos maiores guitarristas do mundo.

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Favorite Tracks: “Rock or Bust”, “Play Ball”, “Rock the Blues Away “, “Hard Times” e “Baptism By Fire”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.