Resenha: A$AP Ferg – Still Striving

Lançamento: 18/08/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Polo Grounds Music / RCA Records
Produtores: 30 Roc, Charlie Handsome, Digital Nas, DJ Khalil, Frankie P, Honorable C.N.O.T.E., Kirk Knight, Maaly Raw, Rex Kudo, Skitzo e Tariq Beats.

A nova mixtape do rapper A$AP Ferg, “Still Striving”, surge no mesmo ano do segundo álbum do grupo A$AP Mob e o lançamento de estreia de A$AP Twelvyy. Este novo projeto é o seguimento para o ótimo “Always Strive and Prosper” (2016), o seu segundo álbum de estúdio. “Still Striving” está cheio de características de outros artistas de hip-hop, como Meek Mill, Lil Yachty, Playboi Carti, Migos, A$AP Rocky, Busta Rhymes, French Montana, Rick Ross e Snoop Dogg. Ter muitos recursos no álbum pode ser considerado um ponto positivo por causa da diversidade e dinamismo. Entretanto, com um convidado em cada faixa, A$AP Ferg teve o árduo trabalho de se destacar em seu próprio registro. Na maior parte do tempo, ele consegue gerenciar as coisas, porém, às vezes, os convidados roubam a atenção para si. Depois de lançar um disco inspirado pela morte de um amigo, A$AP Ferg salta em algumas tendências maçantes que deixam a desejar. Se “Always Strive and Prosper” é considerado um ótimo olhar reflexivo sobre Ferg, “Still Striving” soa como uma ode às mulheres, sexo, dinheiro e jóias.

Composto por quatorze faixas e muitos recursos, a mixtape fornece alguns versos obscuros, desnecessários e, muitas vezes, misóginos. A fórmula musical de A$AP Ferg é muito simples, pois quase sempre possui um ritmo de indução, versos de alta energia, alguns bons pontapés e fortes ad-libs. “Still Striving” não é exclusivamente uma mixtape genérica de trap, porém, não deixa de ser um pouco chata. Ferg paira sobre muitas tendências exaustivas e estereótipos musicais, e acaba não oferecendo um grande valor de reprodução. A faixa de abertura, “Trap & a Dream”, com Meek Mill, não possui um grande impacto, embora tenha uma velocidade impressionante. A$AP Ferg não quebra qualquer novo território lírico, pois fala apenas sobre dinheiro e sucesso. Ele parece estar no piloto automático aqui. A produção maliciosa, percussão fortemente armada e sintetizadores são os seus melhores atrativos. Mais tarde, ele canta novamente sobre jóias, mulheres e Ferraris em “Aww Yeah”, porém, desta vez, ao lado de Lil Yachty. “What Do You Do”, por sua vez, é melhor produzida e fornece um som mais gentil, enquanto a repetitiva “Coach Cartier” apresenta versos de Famous Dex.

Em seguida, ele é auxiliado por Playboy Carti em “Mad Man”, canção da qual ele retorna à magia do álbum “Trap Lord” (2013). Essa canção começa com amostras vocais faladas e leva o ouvinte à infância de A$AP Ferg em Harlem, Nova York. O primeiro single, “Plain Jane”, é um pouco mais impactante dentro da configuração da mixtape, talvez por ser a primeira faixa solo. Enquanto o trio Migos rouba a cena em “Nasty (Who Dat)”, a agradável “One Night Savage” afasta-se do território misógino em prol de alguma vulnerabilidade. “Tango” fecha o repertório respeitavelmente ao exibir um ritmo difícil e letras mais pensadas, em comparação com a maior parte do álbum. O fluxo de Ferg permanece rápido, mas as letras seguem por uma rota mais introspectiva. “Still Striving” possui alguns momentos problemáticos, mesmo que mostre A$AP Ferg progredindo como um artista mais maduro. Ele possui personalidade e, à medida que cospe seus versos, apresenta um lado que o torna interessante para muitos ouvintes. Entretanto, “Still Striving” muito dificilmente vai abrir novos caminhos para ele.

Favorite Tracks: “What Do You Do (feat. Nav)”, “Mad Man (feat. Playboi Carti)” e “One Night Savage (feat. MadeinTYO)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.