Resenha: 50 Cent – Animal Ambition

Lançamento: 03/06/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: G-Unit / Caroline Records.
Produtores: 50 Cent, Frank Dukes, Jake One, Dr. Dre, Dawaun Parker, Mark Batson, Charli Brown Beatz, Swiff D, Shamtrax, Steve Alien, G Rocka, Medi, JustHustle, Kyle Justice, Ky Miller, Ty Fyffe, Soul Professa, Nascent e QB.

Em junho de 2014 o rapper 50 Cent lançou o intitulado “Animal Ambition”, seu quinto álbum de estúdio. O disco foi lançado através de sua própria gravadora, a G-Unit. Conta com participações de Yo Gotti, Trey Songz, Kidd Kidd, Jadakiss, Mr. Probz, Guordan Banks, Prodigy, ScHooboy Q e Styles P. Na semana de seu lançamento, o álbum estreou em #4 lugar na parada da Billboard 200 ao vender mais de 47 mil cópias nos Estados Unidos. Em fevereiro de 2014, 50 Cent deixou a Shady Records, Aftermath Entertainment e Interscope Records, após uma união de 12 anos e, posteriormente, assinou com a Caroline Records, uma distribuidora independente da Capitol Records. No mesmo dia, ele anunciou a data de lançamento do “Animal Ambition” e deu detalhes para a revista Forbes sobre sua saída da Interscope.

50 Cent é o quinto rapper mais rico do mundo, segundo a Forbes, e o “Animal Ambition” é o seu primeiro lançamento não supervisionado por Dr. Dre e Eminem, seus amigos de longa data. O disco não obteve êxito comercial e passou muito longe do sucesso do seu multiplatinado disco de 2003, o “Get Rich or Die Tryin'”. O rapper vai precisar lutar para recuperar a notoriedade e relevância que tinha no auge de sua carreira. Em muitas faixas do registro as batidas foram espelhados por sua experiência de vários anos e consegue oferecer alguns bons momentos. O tema geral aqui é a prosperidade e os seus descontentamentos, mas ele não faz muito mais do que ostentar e repreender as pessoas por odiar o seu sucesso. Podemos observar que 50 Cent manteve-se inalterado às suas limitações como rapper, tanto tecnicamente como na escolha dos temas.

50 Cent

Na faixa de abertura, “Hold On”, 50 Cent soa revigorado e fresco ao rimar de forma descontraída sobre a produção infundida de Frank Dukes. É uma canção inebriante, hipnótica e cheia de ameaças, algo que revive as máscaras do velho 50 Cent. Em “Don’t Worry ‘Bout It” ele prova que ainda é capaz de fornecer ganchos pegajosos, ao rimar em cima de sintetizadores irritantemente cativantes fornecidos pela produção de Charli Brown Beatz. O colaborador dessa faixa, o rapper Yo Gotti, não acrescenta em absolutamente nada, pois entrega versos muito descartáveis. Em seguida, o rapper soa muito divertido na faixa-título, “Animal Ambition”, que possui rugidos de leão, sons de elefantes e trombetas. Aqui, o rapper cospe: “Obteve o olho de tigre, estou nessa merda animal / Eu tenho o coração de um leão e os olhares de um elefante / Droga medo de ratos, mas estou pronto para qualquer coisa / É a unidade de meu mano, dê uma olhada no meu rosto”.

“Pilot”, faixa quatro, oferece alguns dos seus melhores fluxos e versos do álbum. 50 Cent utilizou um conceito que já está desgastado e não é muito original, mas, por incrível que pareça, o resultado soou moderno e eficaz. “Smoke”, com Trey Songz, é um tentativa de fazer uma faixa bem comercial e pronta para as rádios. O instrumental é creditado à Dewaun Parker, Dr. Dre e Mark Batson, um trio que, no papel, é infalível. Entretanto, certamente, os três não obtiveram sucesso com esta canção. Não que seja uma música ruim, mas ela soa como uma recolagem de alguns dos seus maiores sucessos. “Everytime I Come Around”, por sua vez, é um faixa prepotente onde 50 Cent ostenta sua riqueza sobre uma batida bem grudenta. O rapper Kidd Kidd aparece aqui e, definitivamente, ofusca 50 Cent, ao sustentar um tom monótono hipnótico, que lhe permitiu praticamente apenas uma respiração dentro de um minuto.

“Irregular Heartbeat”, que apresenta Jadakiss e novamente Kidd Kidd, capta as ruas do coração frio de Nova York, através de letras que contam histórias e narram episódios. Aqui, Jadakiss interrompe com o seu tom de perfuração patenteada, enquanto 50 Cent praticamente sussurra os seus versos. Ele, confiantemente, evoca uma sensação de pavor com versos como: “Nós pelo pátio da escola esperando por você para obter seu filho”“Hustler” é um dos poucos números de destaque, graças a boa batida fornecida por Jake One. Estes poucos destaques poderiam fazer os 39 minutos do álbum justificáveis, no entanto, você não estaria perdendo nada se não escutasse o álbum por completo. Porque, apesar de divertido, nenhuma das boas canções dele são grandes coisas para a carreira de 50. “Twisted”, com Mr. Probz, é a mais radio-friendly ao lado de “Smoke”. Uma faixa que celebra a fortuna com humildade se, desajeitadamente, redigirmos o entusiasmo: “Isto é perfeito, este é um momento para recordar / Na medida que avançamos em nossa agenda e recebemos dinheiro”.

50 Cent 2

“Winners Circle” é uma canção que comemora os despojos da vitória com muitos clichês líricos e uma batida com arranjos de sintetizadores. Era destinada para ser uma música que faz você sentir-se como se estivesse no topo do mundo, mas, em vez disso, é preenchida por letras que simplesmente não inspiram. “Eu ainda sou um piloto, eu ainda estou rolando”, assim ele rima para abrir a elétrica “Chase the Paper”. Essa faixa encerra o registro e apresenta versos igualmente unidimensionais de 50 Cent, The Prodigy, Kidd Kidd e Styles P. “Animal Ambition” possui alguns pontos positivos, no entanto, não são suficientes para salvar um material atolado e preso no meio da década passada. A credibilidade de 50 Cent como artista ainda é testada a cada dia, o rapper vem tentando repetir o enorme sucesso que já obteve e um segundo fôlego em sua carreira.

50 não precisa de uma reinvenção, pois quando quer faz músicas cativantes, porém, nesse momento, ele precisa pelo menos demonstrar um sinal de crescimento. O disco até consegue atingir alguns pontos altos, mas parece não conseguir manter um repertório sólido e compreensivo. “Animal Ambition” apresenta um 50 Cent com certa falta de criatividade, confuso e “preso”. Há material aqui que nos faz lembrar do bom hip hop que ele pode fazer, mas, no geral, é um álbum preenchido com faixas vazias e estranhamente reservadas. A questão principal é que, apesar de todas as boas intenções de voltar às suas raízes, 50 ainda é um rapper um pouco desajeitado, lento e pouco criativo. Alguém que vem mantendo-se através de uma vontade de usar tendências e estilos emprestados. Em última análise, é um disco que não chega nem perto do nível de grandeza e força dos seus dois primeiros álbuns: “Get Rich or Die Tryin'” e “The Massacre”.

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Favorite Tracks: “Animal Ambition”, “Pilot”, “Everytime I Come Around (feat. Kidd Kidd)”, “Hustler” e “Twisted (feat. Mr. Probz)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.