Resenha: 3 Doors Down – Us and the Night

Lançamento: 11/03/2016
Gênero: Rock Alternativo, Hard Rock
Gravadora: Republic Records
Produtor: Matt Wallace.

3 Doors Down, banda de Mississippi que chegou à fama em 2000, está de volta à cena musical com o álbum “Us and the Night”. Antes desse projeto a banda passou por algumas mudanças de formação, agora eles têm um novo guitarrista e baixista. Neste momento, os únicos membros originais são Brad Arnold e Chris Henderson. Greg Upchurch, Chet Roberts e Justin Biltonen completam o grupo. 3 Doors Down foi formado em 1996, porém, chegou a fama internacional em 2000 com o single “Kryptonite”, que alcançou o número #3 da Billboard Hot 100. O seu primeiro álbum de estúdio, “The Better Life”, fez um enorme sucesso e já vendeu mais de 5,6 milhões de cópias nos Estados Unidos. Fazia exatamente cinco anos que a banda não lançava um novo disco. “Us and the Night” é um registro nostálgico que traz os mesmos elementos que compõe os seus antigos álbuns. A consistência é algo importante durante a carreira do grupo, especialmente quando todos os seus discos possuem o mesmo som. Seu estilo de banda de rock dos anos 2000 é inconfundível e, “Us and the Night”, não é uma exceção. Como um todo, as letras do álbum são incoesas e entram em contraste com o seu estilo musical. A produção oferece riffs robustos, mas, muitas vezes, ostenta um som arrogante pouco convincente. As 11 faixas do repertório afastam-se um pouco do som cheio de angústia dos seus maiores hits, a fim de explorar um território mais orientado para o pop.

Eles ainda têm uma leve sonoridade alternativa como tom principal, mas não é algo universal aqui. Assim que você ouve a música de abertura, “The Broken”, você percebe uma novidade em seu som. É uma canção com auto-tune, efeitos de bateria e sintetizadores bem pop. Se esta canção fosse executada de uma maneira diferente, como o velho 3 Doors Down, seria melhor aproveitada. Ela exibe uma certa falta de identidade, apesar de ser uma canção bastante cativante. Em cima dos elementos citados acima, “The Broken” é guiada acerca de um trabalho na guitarra e fortes vocais. É uma faixa otimista, esperançosa e de alta energia, que motiva o ouvinte com uma mensagem positiva. O primeiro single, “In the Dark”, é uma canção melhor. Ela evita a ambição pop da faixa anterior, e concentra-se em um rock alternativo mais melódico. É um som típico da banda e um caminho melhor para se explorar. 3 Doors Down realmente brilha em músicas como esta, com vocais potentes e um ótimo trabalho na guitarra e baixo. Os sintetizadores de “The Broken” ainda marcam presença em “In the Dark”, porém, de uma forma mais sutil. A alta energia das duas primeiras faixas é transportada para a terceira canção, “Still Alive”. Ela tem uma vibe introdutória quase punk, enquanto se sente mais agressiva e energética. As guitarras duplas nos levam para letras mais pesadas, incluindo alguns solos interessantes.

Sua fusão de pop e rock é bem orgânica e nos remete a algumas músicas da banda Daughtry. Quando 3 Doors Down concentra-se em algo assim, geralmente, se sai muito bem. “Believe It” possui uma mensagem inspiradora sobre ser quem você realmente é. “Todo mundo tem o direito de mudar / Eu não disse que eu iria / Às vezes você tem que fazer sua própria coisa / E eu acho que eu deveria”, Arnold canta em um dos versos. É uma afirmação para perseguir os seus sonhos e objetivos, independentemente do que os outros pensam. Musicalmente, possui um som alternativo típico dos anos 90 e um refrão que funciona muito bem. Ela não possui nada de especial, porém, é uma das melhores canções encontradas por aqui. Possui uma composição bem forte, especialmente a execução da guitarra, os vocais e a memorável melodia. Em seguida, temos “Living in the Hell”, uma faixa frustrada sobre um relacionamento conturbado. Ela começa com um som áspero e intricado, enquanto poderosos tambores a potencializam. Eles lhe dão uma sensação mais firme, variada e energética, assim como a voz de Arnold salta ao seu lado. Acalmando um pouco as coisas, “Inside of Me” é introduzida por um solo de piano sombrio. Arnold canta de forma emocional, apoiado por vocais de apoio tranquilos e alguns instrumentos de cordas. Violão e uma batida mais lenta dão o ar da graça e adicionam uma sensação positiva à ela.

É uma música que tenta injetar uma diversidade ao registro, bem como traz outras questões líricas. De forma eficaz, ela fala sobre conflitos internos do qual enfrentamos. A ausência de fortes guitarras, os tons mais baixos, piano, elementos orquestrais e uma pitada de violino, foram alguns novos itens utilizados nessa música. Instrumentalmente, o álbum consegue ser versátil e refrescante. “I Don’t Wanna Know”, por exemplo, é uma canção liderada principalmente pelo trabalho na guitarra acústica. Aqui, a banda tenta provar que eles não têm medo de experimentar diferentes estilos. A guitarra acústica e uma constante linha de tambor adicionam uma vibe latina à música, enquanto a guitarra elétrica insere elementos de rock. Mas, apesar de ser uma música dinâmica, em alguns momentos soa meio desarticulada e controversa. Sua estética e abordagem, em determinados aspectos, ficam totalmente incoesos com o restante do álbum. A balada “Pieces of Me” possui violões, baixo e uma bateria acústica que projetam uma sensação de melancolia e nostalgia. Vocais ecoam através de letras que falam sobre ser uma pessoa melhor, mesmo com seus pontos fracos. As harmonias e os backing vocals também colaboram para dar uma sensação pessoal à música. Apresentando-se como uma música mais tradicional, “Love Is a Lie” vê a banda em um ritmo mais rápido.

Sua batida é bem entusiasmada, as letras simples e o refrão agradável. Não é uma canção memorável, mas, além dos pesados riffs de guitarra, possui um bom trabalho no baixo. A faixa-título, “Us and the Night”, ajuda a completar o álbum com um rock alternativo que soa repetitivo. As batidas de tambor e as pesadas guitarras elétricas ressoam muito semelhantes as da faixa anterior. Os versos também parecem não coincidir com o refrão, embora a melodia seja muito empolgante. Com uma simples abertura no piano, “Fell from the Moon” é uma música relaxante e calmante. É uma faixa mais lenta, que tenta acrescentar novos instrumentos e utilizar menos a guitarra. Um rufar de tambores ainda marca presença e lhe dá uma ligeira sensação rock. Mas, no geral, a música é levada principalmente pelo piano e violão. “Us and the Night” é uma reminiscência do estilo habitual do 3 Doors Down, porém, atualizado de forma complexa. Os temas mais comum encontrados no álbum é o de superações e esperança de um futuro melhor. Algumas canções mais orientadas para o pop e a ausência de um fluxo consistente, pode ter deixado alguns fãs decepcionados. Mas, olhando pelo lado bom, o registro também oferece algumas músicas cativantes. Não dá para negar que é um álbum confuso e, para ser honesto, um tanto quanto fraco. Algumas faixas também são demasiadamente semelhantes e, no geral, o disco tem poucos sinais de criatividade em seu núcleo.

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Favorite Tracks: “The Broken, “In the Dark”, “Still Alive”, “Believe It” e “Pieces of Me”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.