Resenha: 21 Savage, Offset & Metro Boomin – Without Warning

Lançamento: 31/10/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Epic Records / Motown / Capitol Records / Republic Records
Produtores: Metro Boomin, Bijan Amir, Cubeatz, Dre Moon e Southside.

Sem qualquer aviso prévio, 21 Savage, Offset e Metro Boomin lançaram uma mixtape surpresa no Halloween. Caracterizada pela produção consistente de Metro Boomin e estilo assustador dos rappers 21 Savage e Offset, “Without Warning” é uma mixtape incrivelmente poderosa. O ano de 2017 foi muito bom para o hip-hop, especialmente para esses três nativos de Atlanta. 21 Savage lançou o seu álbum de estreia, “Issa Album”, juntamente com o hit “Bank Account”, enquanto Offset colheu os frutos do afiado e influente álbum “C U L T U R E” com o grupo Migos. Cada vez mais surpreendente, Metro Boomin passou o ano produzindo inúmeros hits de hip-hop, incluindo “Mask Off” (Future), “Congratulations” (Post Malone), “Tunnel Vision” (Kodak Black) e “I Get the Bag” (Gucci Mane). Em contraste com os recentes projetos colaborativos de outros rappers, como “SUPER SLIMEY” do Future e Young Thug, “Without Warning” encontra um maior e mais ameaçador equilíbrio. 21 Savage e Offset são artistas com círculo muito semelhantes e, geralmente, colaboram com as mesmas pessoas. Entretanto, musicalmente, ambos rappers são um pouco diferentes. Offset possui um estilo mais ágil e inquieto, enquanto 21 Savage é temível, assustador e mais preciso. O que faz essa mixtape ser tão convincente e impressionante é a maneira como as diferentes abordagens se misturam tão bem.

A fusão entre o silêncio ameaçador de 21 Savage e as performances dinâmicas de Offset criaram uma identidade espetacular. Metro Boomin, por sua vez, é um dos produtores mais influentes do atual cenário de hip-hop. Sua produção consegue atingir praticamente todas as vertentes deste gênero. Sem dúvida, Metro Boomin é a força motriz por trás deste registro, pois mantém o mesmo tom e qualidade em praticamente todas as faixas. Sua produção está mais sombria e sinistra do que nunca. Portanto, o Dia das Bruxas foi o momento perfeito para os três lançarem esta poderosa mixtape. É difícil imaginar que a produção escura de Metro Boomin não inspirou o conteúdo lírico igualmente escuro. Os sons de fundo desempenham um papel muito importante, da mesma forma que os sintetizadores trovejantes, tambores trap e a paisagem sonora formada por tiros, risadas maníacas, gritos sinistros e barulhos de motosserras. O single “Still Serving” é a síntese e grande surpresa da mixtape. Conforme esperado, esta faixa mistura sintetizadores escuros, acordes menores, sinos sinistros e divertidos efeitos sonoros, a fim de criar uma audição infecciosa. Metro Boomin abençoou o par de rappers com uma batida reminiscente dos álbuns “Savage Mode” (21 Savage) e “C U L T U R E” (Migos). Como esperado, 21 Savage e Offset aproveitaram a batida da melhor maneira possível. 21 conduz o primeiro verso e, como sempre, percorre de forma devagar e monótona.

Posteriormente, o rapper faz o cenário nebuloso tornar-se um verdadeiro sucesso qualitativo. Embora 21 Savage tente rimar “bosses” com “bosses” várias vezes em seu verso, “Still Serving” torna-se quase imóvel e poderosamente hipnotizante. A batida escura, gelada e maravilhosamente sombria é perfeitamente executada e não decepciona um segundo sequer. A batida parece que foi retirada diretamente de um filme de terror dos anos 80. 21 Savage está no seu habitat natural e sente-se completamente à vontade. O seu rap possui uma abordagem relaxada e não é tão técnico, porém, ele o executa conforme as regras. Como um legítimo conterrâneo da Georgia, o rapper Offset também não decepciona. Ele faz do trap uma verdadeira diversão e praticamente dança com o fluxo. Eu fiquei impressionado quando ele surgiu assim, principalmente por fazer o seu rap parecer um efeito de staccato. Igualmente a 21 Savage, Offset faz uma excelente combinação de sonolência e letras agressivas. Liricamente, “Still Serving” fala sobre a vida de gangues, porém, de uma forma menos enraizada do que de costume. É impressionante como 21 Savage e Offset ficaram tão bons juntos, uma vez que seus estilos combinam perfeitamente em conjunto. Dito isso, a premissa inquieta de Offset foi o complemento ideal para a entrega monótona e ameaçadora de 21 Savage.

Na primeira faixa, “Ghostface Killers”, Metro Boomin injeta um medo com teclados gelados, órgãos sinistros e sinos pesados. Assim como “Still Serving”, esta faixa define o tom para o restante da mixtape. A paleta sonora obscura de Boomin é perfeita para o fluxo de 21 Savage e Offset. É exatamente a mesma paisagem que ele deu para o EP “Savage Mode” (2016) de 21 Savage. Sem dúvida, esta primeira canção deixa uma ótima primeira impressão para o ouvinte. Ademais, ela contém a presença do igualmente ameaçador Travi$ Scott. Ele usa o terceiro verso para fazer referências a Tom Cruise e a Nike. O deslocamento desenfreado dos três, juntamente com um fluxo multi-silábico, agarra nossa atenção imediatamente. Embora a abordagem monótona de 21 Savage não tenha funcionado completamente no “Issa Album”, ela é muito interessante aqui. “Rap Saved Me”, com Quavo, mantém o forte impulso da primeira faixa. 21 Savage lida com a maior parte do refrão, enquanto Offset contribui com efeitos sonoros e ad-libs. A grande entrada de Quavo é breve, porém, bastante decisiva. Aqui, ao lado de risos e gritos sinistros, Metro Boomin proporciona um tom mais agressivo e dramático. A terceira faixa, “Ric Flair Drip”, encaixa-se num espaço diferente, uma vez que Offset aparece sozinho sobre uma linha de baixo esmagadora, acordes misteriosos e teclas reluzentes.

Mais uma vez, um refrão atraente alimenta a produção geral. Embora seja uma música solo, a produção é melódica e luxuosa. Em seguida, é a vez de 21 Savage brilhar sozinho na faixa “My Choppa Hate Niggas”. Mesmo ambos rappers possuírem músicas separadas, há uma enorme coesão no repertório. Aqui, 21 Savage parece que está no álbum “Issa Album”, por isso sua entrega se destaca tanto. É um pequeno detalhe, mas faz toda diferença. Obviamente, a batida é pesada e as letras incrivelmente assustadoras. Logo no primeiro verso de “Nightmare”, Offset diz: “Assim que você fechar seus olhos, os manos estarão lá”. É uma linha sombria que fornece imagens muito vívidas. Offset é um letrista de primeira linha, ele não tem uma mensagem na ponta da língua como Kendrick Lamar, mas possui muitos truques na manga. Musicalmente, é seguro dizer que ele está no piloto automático, uma vez que o seu fluxo se mantém brilhante. Desta vez, Metro Boomin optou por inserir uivos mais ásperos, a fim de completar o fluxo de Offset. Em seguida, “Mad Stalkers” finalmente reúne todas as partes novamente. 21 Savage deixa cair um gancho assassino, mesmo não oferecendo nada de novo. Aqui, Offset fala sobre Mad Max e drogas, enquanto 21 Savage menciona o seu relógio, jatos particulares e helicópteros. 21 assume o dever de conduzir o refrão, enquanto sintetizadores e tambores batem fortemente por toda parte.

Na próxima faixa, “Disrespectful”, Metro Boomin rouba o show com os seus sintetizadores surpreendentemente aquáticos. Tanto 21 Savage quanto Offset assassinam a batida, enquanto alternam a ordem dos versos. Assim que tem a oportunidade, Offset proclama: “Estou bebendo codeína como café da manhã”. A segunda faixa solo de 21 Savage, intitulada “Run Up the Racks”, foi co-produzida por Southside. Um banger astuto com o mesmo efeito hipnótico e fluxo sólido de “My Choppa Hate Niggas”. Embora seja uma boa faixa, é praticamente inoperante, uma vez que não oferece nada de novo ou inspirador. O trio encerra a mixtape com a excelente “Darth Vader”, outra trilha incessante e sombria com uma introdução impressionante. Desta vez, os sintetizadores fazem uma breve pausa quando 21 Savage aparece. Em suma, 21 Savage, Offset e Metro Boomin conseguiram criar uma mistura imensamente divertida. “Without Warning” conseguiu mostra o melhor de todas as partes envolvidas no projeto. Os três sabem como causar algum impacto, mesmo num período de duração tão curto. Em outras palavras, “Without Warning” é um projeto conciso, emocionante e hipnótico que mostra perfeitamente a força por trás do trio. É surpreendente a forma como os três conseguiram encontrar a química perfeita, levando em consideração a hábil direção do talentoso Metro Boomin.

Favorite Tracks: “Ghostface Killers (feat. Travi$ Scott)”, “Rap Saved Me (feat. Quavo)” e “Still Serving”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.