Resenha: 21 Savage – Issa Album

Lançamento: 07/07/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Epic Records
Produtores: 21 Savage, Cubeatz, DJ Mustard, Jake One, Metro Boomin, Pi’erre Bourne, Sam Wish, Southside, Twice as Nice, Wheezy e Zaytoven.

21 Savage, um dos rappers da nova onda do hip-hop, ganhou um grande reconhecimento nos últimos anos, principalmente depois de lançar um EP colaborativo com Metro Boomin. Uma vez que 21 Savage confirmou o lançamento do seu álbum de estreia, tornou-se um dos projetos mais esperados pela indústria do hip-hop. “Issa Album” possui créditos de produção de Metro Boomin, Southside, Zaytoven, DJ Mustard e Cubeatz. Ou seja, um excelente time de produtores. Boomin lida com a maior parte do repertório, e enquadra-se na fórmula de 21 Savage. O rapper de Atlanta tornou-se uma figura sombria, que costuma ser misterioso e liricamente sujo. O título do álbum é uma referência à famosa entrevista onde ele fala sobre a tatuagem na sua testa. Um registro com uma infinidade de batidas coloridas que provam a sua versatilidade como artista. Embora o conteúdo lírico tenha permanecido o mesmo, o apelo do álbum vem principalmente das batidas. A entrega de Savage é fácil de acompanhar, embora não ofereça muito em termos de substância. Provavelmente, o principal problema é o seu tom vocal. Raramente 21 Savage diversifica o tom de sua voz, consequentemente a estagnação vocal torna-se um pouco maçante.

Há também algumas faixas onde Savage tenta forçar um gancho repetitivo que nem sempre cativa. Canções como “Bank Account” e “FaceTime” são, certamente, as mais interessantes de todo o álbum. Ambas apresentam um conteúdo lírico mais divertido, em comparação com faixas como “Bad Business” e “Dead People”. Afinal, o inesperado murmúrio de 21 Savage nem sempre funciona. Lançada como primeiro single do álbum, “Bank Account” é particularmente um número de hip-hop e trap muito contagioso. Uma música nos mesmos moldes de “Bad and Boujee” (Migos) e “Mask Off” (Futue), com um refrão extremamente cativante: “Eu tenho 1-2-3-4-5-6-7-8 M’s na minha conta bancária”. Liricamente, 21 Savage está obcecado com o seu próprio sucesso, e isso não é necessariamente uma coisa ruim. E, além de “Bank Account” ser a sua música mais cativante até a data, foi totalmente produzida por ele. O refrão é um simples aceno para o seu próprio sucesso pessoal, entregue num tom melódico viciante de marca registrada. E, mesmo o refrão sendo básico, é extremamente efetivo. 21 Savage realmente se diverte com suas riquezas, além de rimar em cima de um destaque de instrumental.

Batidas trap pegajosas e um teclado ao fundo complementam a produção atmosférica e tom melancólico de 21 Savage. Em comparação com as suas melodias escuras habituais, “Close My Eyes” revisita os tons ácidos do EP “Savage Mode” (2016). Responsável pela produção de sete das quatorze faixas, Metro Boomin usa uma fórmula bem sucedida em inúmeras canções. Apesar do lirismo vazio e repetitivo de 21 Savage, a produção de Boomin eleva o álbum para outro nível. Outras três faixas impactantes são “Thug Life”, “Nothin New” e “Numb”, todas reenergizadas pela paleta instrumental de Metro Boomin. Entre uma infinidade de batidas trap, a base soul acrescenta uma tremenda atmosfera às músicas. Não era esperado que 21 Savage lançasse um excelente álbum de estreia, apesar do ótimo EP “Savage Mode”. A falta de recursos foi decepcionante e também surpreendente para um álbum de hip-hop da atualidade. Teria sido interessante ouvir algumas vozes diferentes sobre a produção exemplar, além do próprio rapper. Em última análise, “Issa Album” não mostra um lado diferente de 21 Savage e não melhora o seu som de marca registrada, embora seja um registro de estreia tecnicamente sólido.

Favorite Tracks: “Bank Account”, “Close My Eyes” e “FaceTime”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.