Lista: Os 40 melhores singles de 2018

Os singles que ficaram na nossa cabeça esse ano – estrelando Charli XCX, Robyn, The 1975, Drake e muito mais!

Esse ano tivemos Troye Sivan falando sobre perder a virgindade, Ariana Grande abordando seus ex-namorados, Mitski homenageando a solidão, Robyn emotiva como de costume e Gloria Groove batendo com o bumbum no bumbo. O ano de 2018 teve músicas para todos os gostos e estilos, mas apenas 40 foram escolhidas pelo site. Abaixo estão os melhores singles de 2018, segundo a Busterz Magazine.


40. Gloria Groove – Bumbum de Ouro

Eu conheci a Gloria Groove no final de fevereiro quando escutei “Bumbum de Ouro” pela primeira vez. Diferente de outros artistas do mainstream brasileiro, Gloria Groove não usa de artefatos para ajustar sua voz. Ela realmente sabe cantar! Desde pequeno quando cantava no programa do Raul Gil, Daniel Napoleão já deixava todos de queixo caído. Em “Bumbum de Ouro”, Gloria Groove adotou um estilo mais pop e funk, e consequentemente acertou em cheio! É uma música instantaneamente cativante e infecciosa, além de apresentar uma produção de alto nível. A faixa começa com estridentes riffs de teclado-sintetizador e uma contundente percussão. A influência do funk brasileiro é nítida, assim como na própria coreografia. “Bumbum de Ouro” destaca-se pela letra acessível e empoderadora, teclado agudo e excelentes batidas formada pela combinação de tambores e bongôs. “Ela bate o bumbum no bumbo / Quando o bumbo bater pro bumbum”, ela canta no viciante refrão.


39. Years & Years – Sanctify

“Sanctify” é uma canção emocionante que veio acompanhada por um videoclipe imensamente conceitual. No vídeo, eles combinaram visuais deslumbrantes com um ar de ficção científica. As pessoas estão vivendo numa sociedade chamada Palo Santo, onde o futuro é dominado por androides que usam os seres humanos como entretenimento. A música começa com uma linha de baixo, batidas esqueléticas e reconhecíveis vocais de Alexander. Não demora muito para a mesma trazer o primeiro álbum do trio à mente. De uma maneira boa, “Sanctify” não parece longe de qualquer coisa que escutamos no seu disco de estreia. É uma progressão natural do som apresentado no “Communion” (2015), embora seja um pouco mais sombria. O synth-pop cativante marca presença, mas as batidas estão mais inclinadas para o dark-pop. Além disso, é uma faixa fortemente baseada no pop dos anos 90. Eles evitaram a música moderna em favor de algo mais nostálgico e escuro. O arranjo de R&B é muito parecido com os sons do final da década de 90 e começo dos anos 2000. Produzida por Kid Harpoon, é uma canção inspirada, segundo o próprio Olly Alexander, por Justin Timberlake, Britney Spears e Christina Aguilera.


38. Lana Del Rey – Mariners Apartment Complex

Em Mariners Apartment Complex, Lana Del Rey pegou dois de seus temas favoritos, a tristeza e o romance, e os transformou em uma mistura extravagante, psicodélica e folk. Nas letras, ela faz referências à cultura pop como, por exemplo, mencionando canções do Elton John e Leonard Cohen. É uma balada de rock sombria com piano, violão, tambor e algumas cordas. As letras são como sussurros, sugerem uma nova confiança e um forte senso de vulnerabilidade. Poucos artistas conseguem transformar a escuridão em beleza como Del Rey. “Mariners Apartment Complex” começa com o piano, algumas cordas e um sólido riff de violão, antes de chegar no refrão pela primeira vez. Quando esse momento chega, ela oferece uma linda e intemporal melodia. O violão ecoa um som folk inspirado na segunda metade do “Lust for Life” (2017), enquanto o segundo refrão contém guitarras levemente psicodélicas. Elas trazem de volta a paisagem sonora mais escura que dominou o “Ultraviolence” (2014). Liricamente, ela reflete sobre como um homem pode interpretar mal quem você é e como você age diante de suas fraquezas. A produção é bastante minimalista, mas é isso que faz com que seja tão grandiosa e melancólica.


37. Charli XCX – No Angel

A cativante “No Angel” é uma espécie de retorno aos dois primeiros álbuns da Charli XCX, onde ela estava mais interessada em fazer um pop intocável. Portanto, é um grande alívio vê-la finalmente sendo lançada em estúdio. Musicalmente, é um hino saltitante com sintetizadores oitentistas e uma cativante linha de baixo. Embora seja uma música eletrônica, também contém influências de hip-hop. Em seu conteúdo lírico vemos a cantora admitindo suas falhas e imperfeições, mas sem tentar mudar quem ela é. “Sempre fui um pouco acelerada e selvagem / Minha mãe sempre disse que eu era uma criança problemática / Eu só vou viver até o dia que eu morrer / É tudo que eu sei / É assim que eu faço”, ela admite no primeiro verso. Mais tarde, continua: “O momento que você me viu você ficou hipnotizado / Aposto que você provavelmente pensou que eu era seu passeio ou a morte / Não quero estourar sua bolha, mas eu menti e enganei / É a verdade, eu sou uma má notícia”. Mas no refrão, XCX mostra que pode aprender com os erros: “Não me deixe, não me deixe ir / Eu só quero que você saiba que eu não sou nenhum anjo / Mas eu posso aprender”. Enquanto os lúdicos vocais são acompanhados por uma produção pop moderna, sua atitude se torna o principal ponto de venda.


36. A$AP Rocky – A$AP Forever (feat. Moby)

Na teoria, “A$AP Forever” parece uma música improvável, pois é uma colaboração com o DJ Moby. Aqui, A$AP Rocky combinou uma produção incrivelmente exuberante com delicados sintetizadores. De forma sublime, ele apresenta uma extensa amostra da música “Porcelain” do Moby, com loops de cordas melancólicas e uma excelente bateria. “A$AP Forever” já está entre as coisas mais experimentais da carreira do rapper. Ele soa mais energizado do que de costume, enquanto homenageia sua equipe, fala sobre grifes de moda e exibe rimas divertidas. A contribuição vocal do Moby é muito breve, porém, adiciona uma textura extra. Certamente, as cordas e batidas de tambor dominam a produção desde o começo e cooperam para deixar a música mais extravagante. Embora a letra não seja memorável ou profunda, o fluxo é muito consistente e consegue prender sua atenção desde o início. Durante a ponte, algo inesperado acontece. O ritmo é alterado drasticamente, enquanto Moby e a cantora Khloe Anna assumem os vocais. É um momento brilhante e de pura lucidez, onde um piano melódico contribui positivamente. A sensibilidade do A$AP Rocky permitiu criar um final impressionante para a música.


35. Troye Sivan – Bloom

Embora seja abertamente gay, Troye Sivan nunca foi completamente explícito em suas letras. No entanto, “Bloom” deu um passo além, ao fornecer linhas que parecem falar sobre perder a virgindade. Ele é um dos pouco artistas que não têm medo de falar abertamente sobre sua sexualidade nas músicas. Enquanto o “Blue Neighbrhood” (2015) apresentou discussões melancólicas sobre o amor gay e o crescimento pessoal, “Bloom” é sobre aproveitar o momento. “Faça uma viagem ao meu jardim / Eu tenho muito para te mostrar”, ele canta nas primeiras linhas. “As fontes e as águas / Estão implorando para conhecê-lo”. Sobre batidas soltas e doces sintetizadores, a paisagem sonora se expande confortavelmente. Liricamente, fala sobre o momento que você se entrega sexualmente a outra pessoa pela primeira vez. É um número electropop mais contido e descontraído do que a eletrizante “My My My!”. A produção é dominada pela bateria inebriante e sintetizadores cintilantes. Tudo aqui soa excitante e sedutor, desde a produção inspirada pelos anos 80 até os falsetes do refrão. É uma canção que faz uso de metáforas tão divertidas que tudo parece uma brincadeira inocente.


34. Nicki Minaj – Barbie Dreams

Quando “Barbie Dreams” foi liberada nos serviços de streaming, a internet ficou incendiada pelas letras ácidas da Nicki Minaj. Aqui, ela mostra o seu lado brincalhão e descarrega uma série de insultos para outros rappers da indústria. É uma faixa ousada, mas feita de uma forma bem divertida. “Barbie Dreams” já está entre as melhores músicas que a Nicki Minaj gravou, uma vez que coloca seu feminismo em exibição. É uma brincadeira atrevida, hilária e repleta de ironia. A ideia é questionar se o protagonista masculino é tão bom no sexo como eles falam em suas músicas. Uma coleção de encontros sexuais que poderá ferir egos mais frágeis. A auto-confiança da Nicki Minaj é impiedosa e sem remorso, mas mostra com precisão sua força no hip-hop. Começando com uma batida old-school, ela direciona suas rimas para artistas como 50 Cent, Drake, Young Thug, Meek Mill, Lil Uzi Vert, Quavo, Future e YG. Os vocais são vitriólicos, vaidosos e alternam de sua marca registrada para linhas inspiradas por seu alter-ego britânico. Conduzido pela bateria e o cativante riff de guitarra, o ritmo é extremamente vicioso e possui uma mudança drástica quando chega na marca dos 3 minutos de duração. A partir desse momento, sons de alarme e uma batida mais pesada tomam o centro do palco.


33. Childish Gambino – This Is America

Em “This Is America”, Donald Glover fez uma declaração política que traz referências às recentes tragédias sociais dos Estados Unidos. Mas você não precisa assistir o vídeo para sentir sua raiva. Afinal, “This Is America” é uma faixa politicamente carregada que serve como um retorno às raízes do Childish Gambino. Um desvio interessante do funk e soul do seu terceiro álbum indicado ao Grammy. A introdução enganosamente alegre muda drasticamente quando Gambino entra com o seu fluxo nervoso. Da mesma forma, a batida muda de repente e apresenta um baixo estrondoso e percussão saltitante. A batida agressiva é intercalada pela influência trap de alta velocidade que tornou-se o verniz contemporâneo do hip-hop. Sem dúvida, o baixo ameaçador é o principal elemento que carrega o rap do Gambino. “Essa é a América / Não seja pego escorregando / Veja como eu estou vivendo agora / A polícia tá se armando agora”, ele diz. Os coros gospel são cantados com alma e mostram mais da influência afro-americana da música. Gambino entra na mudança de ritmo e ascende seu canto de forma bem melodiosa. Em suma, Donald Glover atacou a sociedade em “This Is America” de forma brilhante e poderosa.


32. Pusha T – If You Know You Know

“If You Know You Know” configura o “DAYTONA” (2018) através de uma excelente batida e amostras de “Twelve O’Clock Satanial”. Aqui, Pusha T fala sem hesitação sobre seu histórico no tráfico de crack e cocaína. Utilizando uma voz humana como ferramenta de percussão, ele também faz referências à cultura pop. “If You Know You Know” parece um manifesto pelas suas aspirações e conquistas. Serve como uma declaração assertiva do seu passado, conforme ele rima em cima de chimbais e sons esparsos por 36 segundos, antes que um drop formidável apareça. “Um rapper que virou caçador não pode se transformar em nós / Mas um caçador que virou rapper pode se transformar em Puff”, ele diz cheio de certeza. Depois de abrir com um instrumental que se constrói lentamente, a faixa chega ao auge quando ele recita o título da música – “se você sabe, você sabe”. O nível de energia deste single é sensacional e aumenta durante toda sua execução. A composição e batida combinaram perfeitamente com a entrega vocal do Pusha T. Seu fluxo é ágil e cresce naturalmente, enquanto a produção permanece eletrizante. A batida produzida por Kanye West merece muitos créditos, pois é simplesmente incrível. Em outras palavras, “If You Know You Know” é uma faixa excepcional!


31. Charli XCX & Troye Sivan – 1999

Charli XCX e Troye Sivan lançaram juntos uma canção puramente nostálgica sobre os anos 90. Tudo o que eles dois querem é voltar para o ano de 1999 e cantar “Baby One More Time” da Britney Spears. É uma música com um refrão incrivelmente empolgante e uma produção electropop contagiante. Consequentemente, “1999” possui tudo o que amamos na Charli XCX. Sobre uma batida animada, linhas de baixo, sintetizadores coloridos, teclados brilhantes e uma melodia infalível, esta música é simplesmente irresistível. A britânica possui uma presença mais ousada, mas Troye Sivan também fornece uma graça salvadora. Desde a capa verde inspirada no filme “The Matrix”, esta música evoca várias lembranças daquela época. Na letra encontramos referências à Britney Spears, Michael Jackson, Jonathan Imprimer, MTV e Nike Airs. É tanta nostalgia em um mesmo lugar que qualquer pessoa nascida nos anos 90 vai se identificar. Com certeza os dois gostariam de voltar no tempo e viajar num Mercedes antigo ouvindo CDs do Slim Shady. A pesada batida e o piano inquietante, que nos lembra do eurodance daquela década, se encaixaram muito bem sob os vocais de ambos.


30. Janelle Monáe – Pynk (feat. Grimes)

Depois de lançar “Make Me Feel”, Janelle Monáe optou por criar algo um pouco mais experimental com “Pynk”. Além da presença da Grimes, este single possui amostras de “Pink” da banda Aerosmith, com os membros sendo creditados como co-escritores. Assim como “Django Jane”, é uma música que mantém o foco no emponderamento feminino. Produzida por Wynne Bennett, “Pynk” possui batidas de R&B, riffs de guitarra elétrica, sintetizadores pulsantes, estalar de dedos e um ritmo misterioso. Provavelmente, você não vai gostar dessa música na primeira escuta. Porém, depois de ouvir mais vezes, sua vibração experimental irá ficar presa na sua cabeça. Embora não seja tão forte quanto “Make Me Feel”, apresenta um estilo de produção muito interessante. Um dos principais componentes é o maravilhoso riff de guitarra do refrão. Ele dá uma camada extra necessária para a música, uma vez que os versos são um pouco monótonos. Delicada, encantadora e caprichosa, essa música é um hino para as mulheres.


29. Valee – Womp Womp (feat. Jeremih)

Em maio, Valee resolveu juntar-se ao seu colega de Chicago Jeremih para compartilhar um single chamado “Womp Womp”. Uma faixa saltitante que estabelece uma base perfeita para o seu fluxo de assinatura. É um single onde ambos fazem um ótimo trabalho sob a cativante melodia e excelente batida. A voz e o fluxo inconfundível do Valee fazem todo o trabalho duro por aqui, enquanto a batida é pegajosa e irresistível. Há muitas linhas sobre sexo, o que a torna em um verdadeiro banger. Seguindo o exemplo, Jeremih reduz seu falsete em um gancho contagiante que aborda uma série de besteiras. Independentemente do conteúdo lírico meio escorregadio, é uma música muito dançante. Se você não é um grande fã de letras com profundos significados, vai adorar “Womp Womp”. A entrega vocal do Jeremih é comprometida, ao passo que ambos incorporam um padrão de rima que faz fronteira com o minimalismo. Valee também aparece armado com um fluxo sussurrante, enquanto Jeremih eleva a música com suas melodias irresistíveis. O instrumental pulsa com sintetizadores e um baixo que chama atenção para a voz sinistra do Valee. Despreocupada e divertida, “Womp Womp” é o corte certeiro para esses dois cuspirem suas rimas.


28. Lil Uzi Vert – New Patek

Ao longo desta faixa de quase 6 minutos, Lil Uzi Vert oferece um fluxo ágil e momentos muitos interessantes. O refrão, que já está entre os melhores do seu catálogo, o encontra flexionando com grande força e presença. Neste single, Uzi Vert passa grande parte do tempo objetificando as mulheres. Mas apesar de ser superficial no que diz respeito aos seus esforços sexuais, ele faz divertidas citações sobre o Drake, Rey Mysterio, roupas de luxo, gangues, diamantes e, principalmente, ao seu novo relógio da marca Patek Philippe. “New Patek” é um passo interessante para um artista que redefiniu o sucesso do streaming com “XO TOUR Llif3”. Ela é repleta de versos desconexos e um refrão sem o imediatismo de “XO TOUR Llif3”. Mas, ironicamente, o resultado é tão brilhante e desconcertante quanto o da citada. Sua produção é hipnótica, emotiva e repleta de gemidos. O estilo emo de suas faixas do passado está ausente, em seu lugar há ostentação e linhas mais rápidas. Não é uma faixa tradicional e utiliza uma ampla repetição lírica. Ancorada por uma batida rígida, possui uma produção relativamente suave. Mais uma vez, o fluxo do Uzi Vert está notável. Apesar de se tornar repetitiva e investir em alguns clichês do rap, é uma faixa extremamente carismática.


27. THE CARTERS – APESHIT

Musicalmente, “APESHIT” é praticamente livre de falhas. Uma faixa de hip-hop contemporânea e emponderadora, com batidas de trap incrivelmente poderosas. Produzida por Pharrell Williams, ela apresenta um fluxo impressionante da Beyoncé. Sim, ela optou por fazer rap e se saiu muito bem! Sonoramente, “APESHIT” tece sobre tendências do mercado, mas com grande qualidade. As letras mostram o domínio de Beyoncé e Jay-Z como pessoas e artistas. Mas além disso, também apresenta o significado de sua ascendência e força da cultura negra. Embora seja um single óbvio, ele é construído sobre uma base trap extraordinária e vocais adicionais de Quavo e Offset. “Dê um pouco de respeito ao meu dinheiro”, Beyoncé diz, antes de se gabar de ter comprado um jato particular para o marido. A batida alucinante acompanha o casal, enquanto eles apontam o dedo para instituições culturais que esnobam artistas negros. É aqui que Jay-Z explica porque recusou a proposta para se apresentar no Super Bowl. Mesmo ostentando sobre a batida de alta energia e produção com fortes sintetizadores, Beyoncé não parece arrogante. Ela apenas celebra o seu sucesso e status sobre uma abordagem sonora apropriada.


26. The 1975 – It’s Not Living (If It’s Not With You)

“It’s Not Living (If It’s Not with You)” é uma explosão synth-pop e um conto sobre o vício do Matt Healy, com uma produção inspirada pelos anos 80. É repleta de sintetizadores cintilantes, guitarras sinistras, teclados brilhantes e um refrão altamente eficaz. Além da produção, Healy parece muito convincente, mesmo que não seja absolutamente impressionante ou supere as expectativas. Apesar da aura otimista da música, as letras são um relato de cortar o coração, não apenas por causa do amor não correspondido, mas pelo abuso de substâncias como um mecanismo de defesa. Em assinatura ao estilo da banda, “It’s Not Living (If It’s Not with You)” prospera na justaposição dos sons eufóricos e reviravoltas líricas. Enquanto isso, as guitarras funky e os sintetizadores fazem maravilhas. O refrão é absolutamente insano e contagiante, e cada vez que eu ouço, acho os vocais mais interessantes – é como se você sempre ouvisse pela primeira vez. Aqui, Matt Healy conseguiu fazer uma autodepreciação soar agradável. Ele uniu dores distintas, que envolvem o desgosto e o vício, e as fez parecer um grande momento.


25. Arctic Monkeys – Four Out of Five

Tematicamente, “Four Out of Five” faz referências a uma variedade de temas, incluindo o espaço e desastres naturais. Aqui, Alex Turner forneceu vocais autoconscientes interpretados sob tons luxuosos e sombrios. Além de ser uma das melhores faixas do “Tranquility Base Hotel & Casino” (2018), também é uma das mais memoráveis. Os vocais, a melodia e as letras são o que tornam esta canção tão interessante. Os acenos da deliciosa linha de baixo e a ameaçadora guitarra elétrica são empolgantes e lembram algumas faixas do David Bowie. Aqui tem luz e escuridão, algo que realmente agarra sua atenção instantaneamente. Há mais contenção e menos urgência, onde cada um dos instrumentos têm seu próprio espaço para brilhar. Portanto, não é surpresa que “Four Out of Five” tenha se tornado o single principal. Algo que começa como um conto hipnótico, mas floresce com um refrão maravilhosamente melódico: “Acalme-se por um tempo / Venha, e fique com a gente / Quatro de cinco estrelas”. Ademais, quem mais além de Alex Turner conseguiria colocar ganchos pop dos anos 60 em um conto como este?


24. BlocBoy JB – Look Alive (feat. Drake)

Nascido em Memphis, Tennessee, BlocBoy JB estourou com o single “Shoot” no ano passado, enquanto já havia sido flagrado com Drake algumas vezes em jogos de basquete. Em fevereiro, ele coincidentemente lançou uma nova música com o canadense. Intitulada “Look Alive”, a faixa foi divulgada através da OVO Sound e apresenta uma contundente batida inspirada pelos anos 90. É uma faixa de hip-hop e trap que trás o melhor dos dois rappers. Um pouco parecida com “Rover”, é uma música minimalista, conduzida por teclado e tambores, produzida pelo requisitado Tay Keith. Certamente, esta parceria foi uma ótima oportunidade para o rapper de Memphis mostrar sua energia, carisma e talento. Embora Drake seja o destaque de “Look Alive”, BlocBoy JB não ficou para trás. Para não ficar por baixo, ele apresentou um fluxo igualmente implacável e conseguiu impressionar positivamente. “Agora estou tão perto do jogo que eu poderia roubar / A folha de estatísticas, folha de estatísticas / É o Bloc”, ele diz orgulhosamente.


23. Mitski – Geyser

“Geyser” foi lançada em 14 de maio como primeiro single do quinto álbum de estúdio da Mitski. Ela começa com vocais etéreos antes de mergulhar em um coro sinfônico. Formada por uma erupção sonora com cordas e sintetizadores dramáticos, as letras mostram seus desejos mais pessoais. E além de ser assombrosa, possui um grande impacto emocional, mesmo considerando o curto tempo de execução. Também apresenta o típico desespero e melancolia da Mitski, sentimentos familiares para quem já ouviu seus dois álbuns anteriores. Em vez de desmoronar na distinção entre o verso e o refrão, a arquitetura da música se constrói de uma forma natural. A batida que surge da placidez borbulhante do órgão sinistro, apresenta um cenário com sintetizadores, antes da energia ser complementada pelo piano, guitarra e violino. Assim como o título sugere, a música explode em emoções e instrumentações pouco controladas, tudo em menos de 2 minutos e meio. Sua voz produz uma paisagem espaçosa e é pontuada por uma posterior explosão. É surpreendente ouvi-la ser tão direta quando o assunto é o amor. Com letras como essas, Mitski insere um pouco de ceticismo em sua narrativa e reconhece o perigo de perder o controle.


22. Vince Staples – FUN!

“FUN!” é o single principal do terceiro álbum de estúdio do rapper Vince Staples. E-40, um dos rappers mais influentes da história da Costa Oeste, faz uma aparição surpresa. O conteúdo obscuro é principalmente envolto pela produção barulhenta de Kenny Beats. Essa faixa apresenta o estilo sonoro inimitável de um inspirado por E-40 e a versatilidade do Vince Staples. Ao longo do corte de quase 3 minutos, ele consegue mudar a voz o suficiente para que seja fácil questionar se é a mesma pessoa. É uma música repleta de frases como: “Meu preto é lindo mas eu ainda vou atirar em você”. Ela lida com as contradições entre o passado conturbado – incluindo a adolescência em uma gangue – e o presente extravagante do rapper. Abaixo da produção que lembra o estilo do Neptunes, há uma narrativa mais sombria do que parece (“E não nos importamos com nada / Nós só queremos nos divertir”). A angústia do Vince Staples diante da disfunção de sua cidade realmente atinge um clímax vertiginoso em “FUN!”. Aqui ele mostra o talento local e celebra a habilidade constante da Costa Oeste para produzir gênios do rap. Enquanto no passado ele optou por uma marca registrada de realismo contra sons freqüentemente ameaçadores, “FUN!” envolve uma abordagem um pouco diferente. A produção G-funk e radio-friendly o permitiu trazer suas letras para um público mais amplo. Faixas como essa mantém as coisas interessantes e atualizadas, enquanto transmitem uma mensagem.


21. Rae Sremmurd – Powerglide (feat. Juicy J)

Musicalmente, “Powerglide” utiliza uma amostra de “Side 2 Side”, uma antiga música do grupo Three 6 Mafia, do qual Juicy J fazia parte. A base está na melodia efervescente que Swae Lee, em particular, usa para mostrar o seu talento. Produzida por Mike WiLL Made-It, a melodia é incrivelmente poderosa – créditos pra forte amostra de “Side 2 Side”. Sobre uma presença cativante e fluxo dinâmico, Slim Jxmmi e Swae Lee nos surpreendem mais uma vez. Desde o início, “Powerglide” sente-se escura e está configurada numa chave menor. As cordas rítmicas utilizadas como pano de fundo são um destaque a parte e a principal característica da produção. Ademais, os contundentes tambores foram muito bem combinados com os sintetizadores e os vocais do duo. Swae Lee possui os melhores vocais da dupla, principalmente quando emprega alguns falsetes na mistura. Ele lida com o atrativo e maravilhoso refrão, bem como os dois primeiros versos da música. Enquanto isso, Slim Jxmmi apresenta o terceiro verso e oferece um afiado contraste sobre os vocais agitados do seu irmão. Powerglide” é uma música fantástica que mostra o talento do Rae Sremmurd para criar algo revigorante. Mesmo sendo longo, é um banger incrivelmente infeccioso e muito bem concebido.


20. Lana Del Rey – Venice Bitch

Inicialmente, “Venice Bitch” possui uma estrutura pop padrão, mas depois da marca de 3 minutos, explode em um longo e ligeiro solo de guitarra psicodélico. A própria Lana Del Rey aparece de vez em quando para repetir o refrão ou murmurar algumas novas letras. É uma música auto-indulgente que poderia ser facilmente reduzida, embora seja maravilhosamente cinematográfica. O enredo trata-se de um relacionamento do passado, conforme Del Rey reflete sobre os momentos felizes que viveu. A produção é nostálgica, enquanto os vocais sussurrados são deliciosos e a melodia incrivelmente suave. “Venice Bitch” possui uma qualidade old-school reminiscente dos anos 60 e 70, em parte graças à sua vibração psicodélica. Sobre o ruído de uma guitarra elétrica, sintetizadores e um chimbal dramático, ela murmura linhas sobre um amor do passado. O tom fabuloso de Del Rey e o acompanhamento adorável das guitarras é seguido por um pós-refrão que diz: “Você é lindo e eu sou insana / Fomos feitos na América”. A ponte é um forte ponto de venda, especialmente quando a intensidade aumenta e a bateria eleva sua dinâmica. No final, a canção se transforma num congestionamento pop-psicodélico formado pela parede de sua guitarra e um traiçoeiro solo de sintetizador.


19. Blood Orange – Charcoal Baby

“Charcoal Baby” apresenta um trabalho de produção exclusivo e formidável. Isso inclui uma poderosa guitarra propositalmente fora de sintonia, bem como um ritmo soulful. Parece uma progressão natural para o longínquo funk do aclamado “Freetown Sound” (2016). Suas ansiosas lamentações sobre depressão e solidão foram colocados sobre sintetizadores obscuros e linhas de guitarra, que fizeram parte da vida do Prince e James Brown. O refrão dá as boas-vindas ao sintetizador, enquanto o piano chega na segunda metade do refrão. Mais tarde, após a ponte, há uma excelente pausa e uma breve mudança de ritmo. É uma faixa de R&B baseada na guitarra que encerra com um matador solo de saxofone. Os vocais estão sonhadores e o refrão é fortemente influenciado pelo synth-pop. Embora pareça uma continuação do seu último álbum, é muito mais suave e imediata. Por mais provável que seja, Dev Hynes não está interessado em aperfeiçoar sua técnica. Sua guitarra estridente não é inerentemente mais especial do que os outros instrumentos. Felizmente, tudo parece familiar, desde os monólogos até o complexo arranjo. As letras são pungentes e, junto com os lindos vocais, diferenciam-se da discografia ocasional do Blood Orange. “Charcoal Baby” é uma faixa realmente excepcional que carrega uma névoa igualmente ondulante e nostálgica.


18. Beach House – Lemon Glow

Lançado no Dia dos Namorados nos Estados Unidos, “Lemon Glow” foi o primeiro single do sétimo álbum da Beach House. O duo nos ofereceu um estilo sonhador e cheio de nostalgia, misturado com sintetizadores brilhantes e vocais incrivelmente cativantes. Em cima de um órgão, uma guitarra elétrica, tambores e linhas de sintetizador, a Beach House empurrou essa música para novas alturas. Os vocais distorcidos e igualmente silenciosos fornecem uma bela paisagem sonora para o ouvinte. Enquanto isso, o constante movimento dos sintetizadores carrega sua atmosfera para outro nível. “Lemon Glow” é um número minimalista, pulsante e com uma instrumentação inovadora, embora mantenha uma certa familiaridade com os lançamentos anteriores da Beach House. Musicalmente, é um número dream-pop mais variável e dinâmico, que busca novas formas de expandir seu escopo sonoro. A conexão emocional estabelecida pela voz da Victoria Legrand cria um verdadeiro estado de trance, quando colocada em cima dos vibrantes sintetizadores. A melodia é decididamente embriagada, hipnótica e consegue encantar de uma forma surpreendente. “Lemon Glow” provocou uma mudança no som aventureiro da dupla de Maryland. Eles raramente decepcionam e esta música é uma prova viva disso.


17. Cardi B – I Like It (feat. Bad Bunny & J Balvin)

Sendo filha de uma mãe afro-trinidadiana e pai dominicano, Cardi B permaneceu fiel à sua cultura em “I Like It”, faixa que apresenta Bad Bunny e J Balvin. Uma canção trap com uma forte vibe latina e ritmo inspirado pela salsa. Resumidamente, ela homenageia a herança latina da Cardi B e contém sample de “I Like It Like That” – canção de 1967 do cantor Pete Rodriguez, um sinônimo da ascensão do boogaloo. Ao longo da amostra, Cardi B uniu forças com dois hitmakers do mercado latino a fim de produzir um som completamente envolvente. “I Like It” faz um bom trabalho ao mostrar sua personalidade, franqueza e humor num único lugar. Sob um ritmo contagiante, instrumentos de metais e uma excelente batida, Cardi fala sobre o quanto gosta de milhões de dólares, diamantes e conversíveis. Certamente, esta é uma das minhas músicas favoritas do “Invasion of Privacy” (2018). É tão divertida, alegre e cativante! No primeiro verso, ela ostenta seu amor por determinadas coisas, enquanto Bad Bunny se mantém fiel à forma e faz várias referências à cultura pop. J Balvin, por sua vez, surge para um final divertido onde se gaba de “Mi Gente” tocar em todos os lugares. O rap da Cardi transmite muita confiança, ao mesmo tempo que ela faz insultos intransigentes. Ela é uma artista autoconsciente e flexível, e com “I Like It” conseguiu criar uma peça cultural que presta homenagem às suas raízes.


16. Drake – In My Feelings

Provavelmente, uma das melhores músicas do “Scorpion” (2018) é “In My Feelings”, um número incrivelmente cativante que fica rapidamente preso na sua cabeça. Uma faixa bounce – sub-gênero energético do hip-hop sulista criado no final dos anos 80 – similar a “Nice for What”. Segundo a mídia, as letras são direcionadas para Keshia Chanté, primeira namorada e amiga de infância do Drake. Além disso, ele faz referências à Jennifer Lopez, que ele namorou brevemente em 2016, e ao duo City Girls. “In My Feelings” é repleta de amostras de outras músicas, visto que contém porções de “Lollipop” (Lil Wayne) e do áudio do episódio “Champagne Papi” da série Atlanta. Cada sample e elemento uniram-se para criar um verdadeiro hit do verão. O sucesso foi tão instantâneo e imediato que “In My Feelings” inspirou um desafio de dança conhecido como “Shiggy Challenge”, “Kiki Challenge” e “In My Feelings Challenge”. A batida é simplesmente fantástica, assim como as letras são extremamente pegajosas. É um representativo da magia que pode acontecer nos estúdios, uma vez que as amostras foram usadas inteligentemente. Elas estão espalhadas por toda música, como se o engenheiro tivesse várias ideias na cabeça. A ótima produção é formada principalmente por divertidas variações vocais e excelentes tambores que lideram o instrumental.


15. Travi$ Scott – SICKO MODE

“SICKO MODE” fornece batidas esmagadoras que acertam o ouvinte com suas súbitas mudanças de ritmo. Inesperadamente, contém vocais sem créditos do Drake, que participa de um refrão inicialmente discreto. Seu fluxo confiante colocado sobre sintetizadores assombrosos provoca um momento magistral. Ele cava de forma intransigente e improvisa através de um órgão cinematográfico. Posteriormente, retorna com um fluxo semelhante ao de “Nonstop”, faixa do seu último álbum. No entanto, o instrumental aqui é muito mais completo e dinâmico. Ele entrega um gancho assassino, seguido por um verso bem apertado e energético. Depois de introduzir a música, Drizzy dá espaço para Travi$ Scott mudar de marcha. “SICKO MODE” não tem apenas uma, mas três reviravoltas musicais. Sua composição mostra o quanto Scott é interessante e subestimado. Uma peça desconcertante, onde ele surge com toda a sua glória. No papel, nada disso deveria funcionar, com suas várias mudanças, interpolações e ad-libs, mas tudo serve perfeitamente. Tudo é misturado com a intenção de causar uma experiência auditiva impetuosa e implacável. “SICKO MODE” é de fato um destaque fenomenal, que apresenta três partes distintas marcadas por uma produção distorcida, poderosas batidas e chimbais do Tay Keith.


14. Kendrick Lamar & SZA – All the Stars

“All the Stars” foi escrita por Kendrick Lamar, SZA, Sounwave e Al Shux, e produzida pelos dois últimos. O lançamento coincidiu com o anúncio de que o presidente da Top Dawg Entertainment, Anthony Tiffith, e o Kendrick Lamar iriam produzir toda trilha sonora do filme “Pantera Negra”. É seguro dizer que “All the Stars” é surpreendentemente cativante. Depois de lançar álbuns fenomenais no ano passado, foi ótimo ver dois artistas como Lamar e SZA colaborando entre si. “All the Stars” é uma canção de pop e hip-hop com uma batida atmosférica e elegante. Isto nos leva para um pequeno verso da SZA, seguido de um ótimo rap do Lamar. O rapper de Compton fala sobre conflitos e arrependimentos, enquanto o refrão potencialmente emotivo pinta a imagem de um grande amor. Com seus delicados vocais, SZA oferece um lindo refrão em meio a excelentes tambores e sintetizadores. Ademais, a amostra de tamboril encaixou-se perfeitamente aos seus tons esperançosos. A ponte é apresentada sobre camadas e efeitos vocais que desaparecem quando o refrão entra. Em suma, a batida groovy e a produção levam os vocais para um território cinematográfico e maravilhosamente polido.


13. Mitski – Nobody

“Nobody” possui influências de dance e disco, e mostra que a Mitski pode prosperar em outros estilos. Os fortes chimbais da abertura que, inteligentemente transitam por uma gravação lo-fi, remetem aos dias do “Bury Me at Makeout Creek” (2014). É uma peça sedutora sobre a solidão sufocante e a morte da civilização. Ela possui potencial de uma música pop perfeita, graças aos ganchos infecciosos, a justaposição dos instrumentos e as letras cercadas de insegurança. Uma montanha-russa de emoções que culmina em uma ode à solidão. Os chimbais, o dedilhado de guitarra, o piano melancólico e sua voz encantadora preparam a música, ao passo que o refrão acerta o ritmo em cheio. A abordagem funky, polida e despojada faz “Nobody” ser ainda mais grandiosa e magnífica. Você pensaria que uma canção composta por alguém repetindo a palavra “nobody” estaria fadada ao fracasso, mas Mitski consegue transformá-la em algo cativante sem ser exagerado. Ninguém está imune à solidão – algo pelo qual todos nós podemos passar. As empolgantes batidas de disco e a linda melodia do refrão produzem uma sensação vulnerável, encontrando um meio-termo entre Carly Rae Jepsen e Gloria Gaynor. “Nobody” é tão eletrizante que, mesmos as pessoas que não gostam da Mitski, podem se conectar com ela.


12. Ariana Grande – thank u, next

“thank u, next” trata-se de uma homenagem brincalhona aos ex-namorados da Ariana Grande. Este single detalha as lições que ela aprendeu e os erros que cometeu em seus relacionamentos. Liricamente tem um sentimento poderoso – onde ela quer assumir o controle de sua própria narrativa. De forma leve e cativante, a vemos promovendo o amor-próprio, que deve ser conquistado depois de aceitar a dor e superar as mágoas. No refrão, ela diz que é grata por seus ex-namorados, mesmo depois que eles lhe causaram dor. Além das letras sinceras e vocais incríveis, a produção é polida e a melodia imensamente contagiante. Sonoramente, “thank u, next” pisa no mesmo território do “Sweetener” (2018), mas com alguns acenos para o “Dangerous Woman” (2016). O instrumental é consistente e a batida permanece agradável durante toda sua execução. Indo para uma direção mais vocalmente sensual, o seu charme brilha ainda mais. Inicialmente, “thank u, next” começa com uma simples melodia de teclado, mas depois fornece uma batida cintilante assim que ela começa a cantar. Enquanto Grande se move para o verso, mais camadas de batidas são adicionadas na mixagem. É uma música doce e arejada com uma leve produção eletrônica, que combina elementos de R&B contemporâneo com synth-pop. É uma música bem interpretada e produzida que transmite o atual estado mental da Ariana Grande, após um ano tão difícil.


11. Drake – Nice for What

“Nice for What” foi produzido por Murda Beatz e Blaqnmild, e apresenta vocais adicionais de Big Freedia e 5thWard Webbie. Musicalmente, é uma animada faixa de hip-hop e bounce com fortes elementos de R&B dos anos 2000. Ademais, possui amostras de “Ex-Factor” da Lauryn Hill e é completamente direcionada às mulheres. Uma canção otimista e exuberante com um refrão eficaz e ligeiramente extravagante. É o Drake no seu momento mais divertido e energético. Sobre os elementos de “Ex-Factor”, linhas de baixo, chimbais e uma fantástica bateria, Drake criou um single incrivelmente cativante. Depois de abrir com a brilhante amostra da Ms. Hill, que permanece em loop ao fundo, a música mergulha num fluxo rítmico. “Nice for What” é um número bastante old-school e revigorante, e o resultado final é impressionante. Liricamente, Drake também mergulha no emponderamento feminino ao dar apoio às mulheres. Este tipo de conteúdo, é certamente uma mudança de ritmo bem-vinda para ele. Enquanto Murda Beatz adicionou uma batida groovy, o desempenho vocal permanece relativamente simples. Ele não utiliza muitas técnicas e as rimas são medianas. Porém, isto não tira o brilho e o espetáculo sonoro apresentado. É uma das melhores faixas do Drake há algum tempo e, ao contrário de muitas outras, merece todo sucesso e aclamação.


10. Rosalía – Malamente (Cap.1: Augurio)

Co-produzido pela própria Rosalía, “Malamente” consegue fundir perfeitamente os ritmos urbanos e flamencos, a fim de criar uma obra singular que nos mostra que ela é uma das artistas mais originais e talentosas da Espanha. Ela chicoteia sem esforço entre gêneros e estilos, e dá um novo tom para o flamenco. Se você dissesse que esse gênero seria uma das coisas mais interessantes da música em 2018, certamente diriam que você está viajando na maionese. No entanto, Rosalía ficou conhecida justamente pela fusão incomum de flamenco e R&B, bem como por suas habilidades vocais ornamentadas. O ritmo não é muito diferente das batidas de reggaeton, um padrão de bateria que alojou em todas as músicas lançadas no decorrer de 2017 e meados de 2018. Sua capacidade artística e voz poderosa não são rejeitadas em “Malamente”, assim como a elaboração do tema: a busca pela cura pessoal e o destino como um incentivo. Acrescente a co-produção, que vem das mãos de El Guincho, e as fortes inclinações de R&B. Há palmas e cliques intricados substituindo a programação de bateria usual pelo qual o gênero é conhecido. Também há tambores, sintetizadores e mensagens em camadas, que levam a música para um território mais moderno e urbano. “Malamente” é uma música extremamente sedutora e aquela que conseguiu extrair os melhores tons da Rosalía.


09. Kacey Musgraves – High Horse

“High Horse” vê Kacey Musgraves explorando suas tendências pop e exibindo influências de disco em meio a elementos familiares. É o ápice de sua exuberância, uma vez que ela abraça uma nova paleta sonora. Aqui, Musgraves canta sobre linhas de baixo funky, batidas dançantes, arranjos orquestrais e pinta um cenário completamente vintage. Liricamente, este single acompanha sucessos como “Step Off”, “This Town” e “Biscuits”, que destacam o seu senso de humor aguçado e observações intrigantes. Ela soube fazer uma boa transição de violões de aço para vibrações disco intoxicantes. Enquanto possui uma pitada de country, incluindo a sensibilidade vocal e o banjo no final, “High Horse” com certeza exibe um apelo musical mais amplo. Ao contrário do que pensa os tradicionalistas da música country, “High Horse” é incrivelmente ambígua e cativante. Além disso, Kacey Musgraves continua fornecendo uma narrativa consistente. Enquanto fala sobre a arrogância de um homem, ela apresenta vocais em camadas e uma produção altamente polida e elegante. É uma música disco de grande qualidade que cairia muito bem na voz de artistas como Katy Perry. Poderia ser um sucesso nas rádios se tivesse uma oportunidade para isso. Em suma, agora que abraçou seus instintos pop, Kacey Musgraves abriu uma nova porta para si mesma.


08. Troye Sivan – Dance to This (feat. Ariana Grande)

“Dance to This” é uma música pop e R&B fascinante com agradáveis influências oitentistas e uma pitada de dancehall. Assim que você ouve os primeiros segundos, automaticamente fica encantado com a maravilhosa guitarra. Embora seja um pouco sombria, possui uma batida de tambor constante e uma mistura de vários elementos. A batida funciona como o principal motor do instrumental e dá o impulso necessário para os vocais. E, mais uma vez, Sivan pegou emprestado algumas batidas e sintetizadores sedosos dos anos 80. Depois da guitarra melódica, ele canta de forma contida e em seu registro mais baixo. As batidas e a guitarra criam um ambiente misterioso, ao passo que ele sussurra no refrão. Ao final de cada frase a guitarra geme ocasionalmente sobre a batida, e cria um clímax mágico e incrivelmente nostálgico. Em vez de uma noite na balada influenciada pelo álcool, Sivan prefere cozinhar, assistir um filme e ficar em casa com o seu amor. Ariana Grande entra no segundo verso, mostrando a riqueza dos seus vocais. Embora se mantenha mais reservada, oferece excelentes harmonias durante o segundo refrão. “Dance to This” não é o banger pop que todos esperavam, é uma canção sensual e sofisticada que se concentra na simplicidade. É serena e ao mesmo tempo dançante. Como se toda a magia não fosse suficiente, a ponte oferece uma mudança fabulosa no ritmo. Os tambores ficam mais rápidos e provocam uma transição inesperada para tal. Em outras palavras, “Dance to This” é fantástica e adorável!


07. Janelle Monáe – Make Me Feel

Janelle Monáe produz, compõe, atua e canta como ninguém! Musicalmente, a melhor forma de descrevê-la seria classificá-la como uma combinação de funk, R&B, soul e pop-psicodélico. Com isto em mente, “Make Me Feel” contém a qualidade de todos os gêneros citados acima. Produzida pela dupla Mattman & Robin, é uma canção funk de alta energia com algumas semelhanças à “Kiss” do lendário Prince. Além disso, nos faz lembrar de faixas do passado da própria Monáe, tais como “Q.U.E.E.N.” e “Dance Apocalyptic”. Influências dos anos 80 são bastante claras ao longo de toda música. Tal como o seu disco anterior, “Make Me Feel” mostra o quanto Janelle Monáe é eclética e diversificada. Liricamente, ela exprime desejos sexuais e fornece um som peculiar e atraente. Possui uma melodia soul cativante e produção elevada por riffs de guitarra funky. Os tons sedosos surgem sem esforços sobre as percussões, o baixo e as fortes linhas de sintetizador. O tom oitentista da música torna tudo mais divertido e nostálgico, conforme harmonias aveludadas adicionam uma camada extra. “Make Me Feel” é uma faixa experimental e energética que a vê combinando o melhor do funk e R&B. É um trilha sexualmente carregada que analisa a maneira como alguém pode fazer você se sentir. Como já mencionado, a notável influência do Price é muito evidente, seja pelo estilo, riffs de guitarra ou vocais.


06. Robyn – Missing U

“Missing U” mão é uma música que abre novos caminhos para a Robyn, mas reforça seu imenso poder artístico. Os vocais estão doces e emotivos como sempre, enquanto os sintetizadores e as batidas apoiam do começo ao fim. Depois de começar com uma enxurrada de brilhantes sintetizadores, a faixa soa vagamente familiar. Não há nenhuma maneira de não ser estimulado pelos sintetizadores, consequentemente, a música captura sua atenção desde o início. A melodia vocal nos remete à “Indestructible”, o primeiro single do “Body Talk” (2010). Tudo soa como a velha Robyn que conhecemos. Mais uma vez, ela canta sobre perder um ex-namorado em cima de uma batida incrivelmente dançante. Ainda assim, é liricamente triste, pois exibe uma visão mais conceitual sobre a perda. A estranha mistura causada pele otimismo da instrumentação com a tristeza das letras, fazem de “Missing U” uma música maravilhosa. Como de costume, seus vocais estão lindos e o refrão é cativante de uma maneira bem sutil. Quando o refrão chega tudo se torna mais brilhante. A bateria, linha de baixo pulsante e o arpejo de sintetizador o leva para um lugar diferente. Nas mãos da Robyn, a solidão se torna algo que todos nós podemos entender e nos conectar. “Missing U” é uma balada pop e disco sintetizada que oferece um agradável som inspirado pelos anos 80.


05. Empress Of – When I’m with Him

“When I’m with Him” é uma música maravilhosamente forjada que desliza suavemente sobre sutis licks de guitarra e melodias de sintetizador inspiradas nos anos 80. Mas a joia no centro de tudo isso, é a voz da Lorely Rodriguez. Envolvida pela discreta instrumentação, ela alterna entre o inglês e o espanhol, e desnuda suas inseguranças e dúvidas sobre seus próprios valores. “When I’m with Him” tem o apelo empoeirado e nostálgico da produção do Dev Hynes, juntamente com um refrão irresistível que está entre as melhores coisas que ela já escreveu. Também é a coisa mais direta e musicalmente atraente da Empress Of – sua música é geralmente caracterizada por escolhas ousadas, ao invés desse maximalismo pop. As letras são sombrias e a mudança para o espanhol após o primeiro refrão é completamente inesperada. Liricamente, ela está lutando com um romance que está prestes a desmoronar. Não é um amor cego ou inocente, mas uma declaração de algo que está se esgotando. Empress Of usa acordes dramáticos e um falsete doloroso para expressar suas emoções mais pungentes. A contundente bateria, os brilhantes sintetizadores, o teclado cintilante e as guitarras funky dão um ótimo suporte para os vocais ofegantes. “When I’m with Him” é praticamente uma música pop-perfeita, pois é vulnerável, pessoal e poderosamente cativante.


04. Troye Sivan – My My My!

“My My My!” é um eufórico hino pop sobre libertação, desejo e amor. É uma música maravilhosamente animada que celebra a paixão e forte conexão com alguém. Um single eclético com algumas influências dos anos 80 e produção igualmente contemporânea. Uma canção muito mais ousada e sensual, que imediatamente faz você querer dançar. Enquanto as letras são mais sexualmente sugestivas do que de costume, a produção possui características que estiveram presentes no “Blue Neighborhood” (2015). Desta vez, Troye Sivan resolveu abraçar sua sexualidade relembrando um encontro apaixonado com alguém do mesmo sexo. Ele soa mais confiante e apaixonado do que de costume, mergulhando em temas que lidam com o amor e a liberdade. Graças a produção electropop de Oscar Görres, Sivan saiu da zona de conforto a fim de apresentar algo mais eletrizante. “My My My!” é um óbvio crescimento, principalmente por destacar mais sua verdadeira identidade. Para auxiliá-lo, Görres injetou vocais gaguejantes, linhas de baixo, sintetizadores e tons eletrônicos sobre sua voz. Ao longo das batidas arejadas, ele canta com confiança e determinação. Sivan realmente não se preocupa com o que as pessoas pensam sobre ele. Ele está no seu momento mais sexual – o garoto de lábios carnudos e olhos azuis que saiu do YouTube evoluiu para um jovem adulto extremamente confiante. Felizmente, Troye nunca se escondeu atrás de insinuações ou qualquer ambiguidade como outros cantores gays. Ele realmente declara com orgulho todos os seus desejos e intenções.


03. Ariana Grande – no tears left to cry

“no tears left to cry” é uma perfeita e melódica canção dance-pop produzida por Max Martin e Ilya Salmanzadeh. É uma daquelas músicas que te agarram logo depois da primeira nota. Sua voz está angelical e a produção esplêndida. Inicialmente parece uma balada, conforme ela canta sobre um pano de fundo inspirado pelos anos 80. Entretanto, uma batida se instala e de repente o ritmo muda completamente. É uma canção inesperadamente nostálgica com uma entrega vocal melódica e muito bem polida. Sua voz está chamativa como sempre, enquanto ela apresenta uma maturidade recém-descoberta. “no tears left to cry” é um hino de superação que mostra que, apesar do passado não ser esquecido, ele pode moldar o presente. Depois do início moderadamente dramático e abundante, um sulco dançante se instala e Ariana Grande canta com seu registro mais baixo. Os versos fornecem uma batida mais rítmica e sintetizadores influenciados pela música house e disco. Eventualmente, sua voz sobe para o registro superior quando ela apresenta o lindo e edificante refrão. As vibrações que ele emite são tão mágicas, que eu considero o melhor refrão do ano. Sua voz cresce de uma forma impressionante, à medida que ouvimos tons gospel e sintetizadores de outra dimensão. “Oh, eu só quero que você venha comigo / Nós estamos em outra mentalidade / Não tenho mais lágrimas para derramar”, ela canta de forma emotiva, antes que sua voz seja abafada pela batida rítmica. As harmonias são lindas, as transições bem-sucedidas e as letras focadas na superação.


02. Robyn – Honey

O segundo melhor single de 2018 é nada menos que “Honey”, faixa-título do novo álbum da Robyn. Outra perfeita demonstração do seu som. Essa faixa possui um refrão grandioso e equilibra a doçura e melancolia da Robyn em um só lugar. “Não, você não vai conseguir o que precisa / Mas, baby, eu tenho o que você quer”, ela canta apropriadamente. Carregada por uma profunda batida, pinceladas de sintetizadores e melodias florescentes, “Honey” é implacavelmente bonita. Uma pulsação inconstante, linhas de baixo melódicas e um atraente chimbal apoiam letras como: “Cada cor e cada sabor / Cada respiração que sussurra seu nome / É como esmeraldas na calçada”. Uma fatia sutil com um ritmo eletrônico, que nos remete à época de ouro da Madonna e Kylie Minogue. Assim como o primeiro single do álbum, “Honey” não empurra o som da Robyn para uma nova direção. Mas enquanto o primeiro se inclina fortemente para o pop, este último está mais preocupado com a textura e atmosfera divina. Ela ostenta um arranjo enganosamente simples e surpreendentemente sensual. Robyn dispensa versos sutilmente sexuais e apresenta letras que dizem a um pretendente que ele pode conseguir o que quer. Essa música é uma visão delirante do desejo com uma inegável sensação de luxúria e maturidade. É sobre o prazer, mas interpretado de uma maneira arrebatadora!


01. The 1975 – Love It If We Made It

E o posto de melhor single do ano vai para “Love It If We Made It” da banda The 1975! Esta canção é praticamente uma revolta contra o atual clima cultural e político. É um despertar lírico focado no impacto que a tecnologia tem sobre a sociedade. Uma expansão anti-guerra e um hino feveroso que tenta chamar a atenção dos ouvintes. “Love It If We Made It” começa lentamente e de forma silenciosa, e só atinge o público na marca de 24 segundos. Nesse exato momento os vocais explodem de forma pesada. Aqui, Matt Healy está centrado em torno dos vícios da humanidade, apontando o dedo para aspectos negativos da sociedade. É uma música que se destaca por captar a tensão que permeia os tempos atuais. The 1975 encontrou uma plataforma para sua voz artística e resolveu falar sobre os maiores problemas dos nossos dias. Inicialmente, um conjunto de acordes em staccato e notas de piano conduzem a música. O impacto da tecnologia nos relacionamentos é um dos temas centrais do novo álbum da banda, mas além das redes sociais, Healy também levanta uma série de outras questões, desde combustíveis fósseis até a overdose de drogas. O ritmo, por sua vez, é eletrônico, minimalista e surpreendentemente elegante. Embora seja formado apenas por uma frase, o refrão brilha por causa da entrega emotiva do Matt. E por volta dos 2 minutos, a canção consegue se tornar ainda melhor. Melódicos riffs de guitarra, um baixo funky, elementos de disco e crescentes corais enfeitam a música de uma forma maravilhosa. Essa mudança de tom causa uma sensação verdadeiramente cativante. É a parte de maior destaque da música! “Love It If We Made It” é incrivelmente sólida e desafiou qualquer expectativa dos fãs e público em geral.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.