Lista: Os 10 melhores álbuns de 2018

De Cardi B à Mitski, de Kali Uchis a banda The 1975, este são os dez melhores álbuns do ano!

Em 2018, foi difícil chegar a um consenso sobre a qualidade das músicas, afinal foi um ano dominado por muitos gêneros e artistas diferentes. Tudo decorrente da forte ascensão e crescimento das plataformas de streaming. Os pesos pesados do pop e do hip-hop retornaram, mas muitos acabaram decepcionando. Mais do que nunca, a música parece uma competição onde novos artistas passaram a superar os veteranos. Uma mudança de paradigma inesperada, mas também inevitável. Aqui estão os melhores álbuns do ano, segundo a Busterz Magazine.


10. Cardi B – Invasion of Privacy

Depois de estourar na cena do hip-hop no primeiro semestre do ano passado, o álbum de estreia da Cardi B foi lançado em abril de 2018. A ascensão de Belcalis Almanzar é um tanto quanto intrigante. Ela abandonou o caixa de um supermercado para trabalhar como stripper e, posteriormente, ganhou fama no Instagram e Vine. Na música, ela só ganhou notoriedade com o lançamento do seu primeiro single por uma grande gravadora. Em “Invasion of Privacy”, Cardi desafiou nossas expectativas e mostrou um lado autêntico e vulnerável de sua personalidade. Ela é uma mulher orgulhosa que expressa qualquer pensamento que vêm em sua cabeça, seja sobre o tempo que era stripper ou sexo com seu namorado. Mas há uma energia e paixão envolta de suas músicas que transformam seu discurso em algo incrivelmente sincero. Ela parece tão honesta quando diz ser grata pelo apoio dos fãs ou flexiona sua voz contra seus inimigos. Cardi B é uma força em ascensão e conseguiu criar um álbum de grande calibre e qualidade! Ela é uma artista talentosa e o sucesso deste LP aconteceu porque a mesma assumiu o controle do que queria fazer. Belcalis provou que é uma rapper legítima, com talento suficiente para se aproximar de seus concorrentes masculinos. Em suma, a autenticidade de suas canções, juntamente com o senso lírico aguçado, fez do “Invasion of Privacy” um grande álbum.


09. Kali Uchis – Isolation

Ouvir Kali Uchis é como receber um pedaço de cada parte do mundo. Afinal, ela fornece uma grande diversidade dentro do seu repertório e muitas influências musicais. Embora tenha trabalhado bem mais com o R&B, ela usou uma imensa variedade de sons no “Isolation”. E além de experimentar diferentes produções, também fez uso de um lirismo inteligente. Este LP nasceu do soul de meados do século XX e foi mesclado com o pop moderno e R&B contemporâneo. Composto por quinze faixas e 46 minutos de duração, é um disco sedutor e praticamente sem falhas. No “Isolation”, Kali Uchis desliza facilmente entre diferentes gêneros e prova seu valor em músicas inspiradas pelo hip-hop, soul, pop, reggaeton, funk e bossa-nova. Mesmo que possua quinze faixas, o álbum se move num ritmo rápido e cativante. Felizmente, a colombiana vai direto ao ponto em suas mensagens. Não dá para negar que sua abordagem eclética é difícil de categorizar. “Isolation” é diferente porque ela consegue trabalhar diferentes gêneros com uma grande facilidade. Não importa o que ela tente, as músicas estão cheias de idéias criativas, refrões memoráveis ​​e produções expressivas. Vocalmente, ela tem um instrumento distinto, e artisticamente, é uma cantora cheia de personalidade. Este álbum é realmente uma das grandes surpresas do ano!


08. Kacey Musgraves – Golden Hour

Embora Kacey Musgraves já tenha oferecido muitos vislumbres de sua vida pessoal, “Golden Hour” é o seu álbum mais autobiográfico, ponderado e vulnerável. Aqui, ela está cheia de uma vulnerabilidade calorosa, senso de resiliência e conteúdo maduro. Com “Golden Hour”, ela criou novas alturas para si mesma e empurrou os seus limites sonoros. Em vez de mergulhar em suas raízes tradicionais, Musgraves optou por uma paleta sonora celestial, exibindo arranjos brilhantes e números inspirados pela música pop e disco. Teria sido mais fácil para ela continuar fazendo o mesmo tipo de música influenciada pelo country, mas para continuar crescendo como artista, ela preferiu se reinventar. Um dos elementos mais inspiradores do álbum são suas grandes reflexões líricas. Musgraves sempre foi uma boa compositora, mas “Golden Hour” vai a lugares ainda mais profundos. É um registro intemporal e ao mesmo tempo refrescante. Depois de se casar no ano passado, ela naturalmente começou a escrever mais canções de amor e deixou para trás o humor irônico de seus discos anteriores. As músicas do “Golden Hour” são silenciosamente introspectivas e provocam uma escuta confortável e encantadora. Para mim, é o melhor álbum da carreira da Kacey Musgraves, isto levando em conta que seus dois primeiros álbuns são consistentemente sólidos e de grande qualidade.


07. Rosalía – El Mal Querer

Rosalía é a mais recente estrela viral da Espanha – uma revivalista do flamenco com uma mentalidade pop e um impressionante número de seguidores online. Para o seu segundo álbum, “El Mal Querer”, a cantora catalã dá uma nova vida para uma arte secular, expondo os lamentos tristes e palmas urgentes do flamenco com uma camada do brilho pop dos anos 2000. Ao longo do repertório, os elementos orgânicos costumam ser os mais estimulantes – um LP romântico e sem esperança que respeita a tradição sem se sentir escandaloso. Este registro com certeza a impulsionará com sua fusão imediata e multi-camadas de flamenco tradicional com a mistura de pop minimalista e R&B contemporâneo. “El Mal Querer” é realmente uma visão perfeitamente moderna da música pop; estruturalmente ousado, infinitamente cativante, melancólico, introspectivo e repleto de carisma. Ao todo, ele respira poder e juventude. É um experimento inovador e bem-sucedido, mesmo que não seja para todos os públicos. Rosalía escreveu esse álbum primeiro para si mesma, depois para a Espanha e o flamenco e, por último, para aqueles que apreciarão sua revolução. O que ela aprendeu nos dez anos de estudo do flamenco, juntamente com sua curiosidade constante em relação a esta arte, fez deste álbum um espelho para muitos outros artistas – por conta de sua coragem e criatividade.


06. Mitski – Be the Cowboy

“Be the Cowboy” manipula uma variedade maior de sons e humores do que o seu antecessor, e isso pode ser inicialmente chocante. No entanto, ele recompensa a escuta apresentando uma coesão surpreendente. É extremamente curto, possui quatorze faixas, mas apenas 32 minutos de duração. Essa característica torna “Be the Cowboy” ainda mais convidativo e intimidador. Assim como fez durante toda sua carreira, Mitski usou diferentes pincéis na construção deste projeto. Dito isto, o repertório explora diferentes caminhos do gênero pop. Em um momento, ela está tocando uma faixa folk acusticamente dirigida e, em seguida, está interpretando uma sedosa música disco. “Be the Cowboy” é conceitualmente embotado com sua crescente prevalência como mulher em uma indústria musical dominada por homens predominantemente brancos – disfarçado por temas de identidade e anseio por expressões românticas. Aqui, Mitski expressa abertamente muitas de nossas frustrações: o que nossas identidades raciais e culturais significam, como os outros nos vêem por causa de nossas aparências, como somos tratados nos relacionamentos e o senso geral de ansiedade e insegurança que vem ao tentar provar nosso valor. “Be the Cowboy” é incrivelmente coeso para algo preenchido com tantos estilos diferentes. Um álbum quase perfeito e facilmente um dos melhores do ano.


05. Troye Sivan – Bloom

Há uma estranha maturidade e sofisticação que envolve o Troye Sivan, uma qualidade que a maioria dos cantores com a mesma idade ainda não adquiriram. É louvável ver um jovem gay tão maduro navegando nos olhos do público – embora o brilho da fama tenha feito ele amadurecer mais rapidamente. Depois de abordar temas envolvendo a solidão, ingenuidade e homofobia no seu primeiro álbum de estúdio, Sivan continua inspirando-se por circunstâncias infelizes em seu segundo projeto, intitulado “Bloom”. Os resultados são surpreendentes, ele conseguiu criar vários hinos sobre amores perdidos e identidade sexual. Ele canta sobre experiências que são comuns para jovens gays em 2018, mas totalmente universais em um contexto mais amplo. O cantor mantém o tom de seu álbum com uma divisão quase igual de músicas lentas e agitadas. Ele se presta a um som temático e mantém uma história coesa. “Bloom” ainda mantém a juventude do “Blue Neighborhood” (2015), embora seja muito mais maduro. A maior parte das músicas transbordam em amor e desgosto. Com “Bloom”, podemos dizer que o Troye Sivan tem um clássico moderno, assim como o “E•MO•TION” (Carly Rae Jepsen) e o “Melodrama” (Lorde). Em outras palavras, esse registro mostra que ele é um dos artistas mais promissores da nova safra da música pop.


04. Beach House – 7

“7” não é apenas o álbum mais coeso da Beach House até hoje, mas também o equilíbrio perfeito entre a doçura e a sutileza que fizeram deles uma das bandas mais reverenciadas de sua geração. Desde o seu álbum auto-intitulado de 2006, eles vêm ajustando o seu som consistentemente. Sua marga registrada de dream-pop é simplesmente mágica. “7” é familiar o bastante para não soar distinto, mas diferente o suficiente para se destacar como uma nova marca d’água para o talento da Beach House. O calibre e a variedade de sons que a banda experimenta é incrivelmente fascinante. Com uma série de registros notáveis ​​e aclamados pela crítica, a dupla de Maryland se tornou rapidamente um definitivo ato pop dos sonhos do século XXI. “7” quebra as regras estabelecidas pelo ritmo reconhecível da Beach House, a encontra desviando-se de sua zona de conforto e apoiando-se no caos avassalador, em vez de sentir a necessidade de criar músicas pop elegantes e meticulosamente polidas. Victoria Legrand e Alex Scally formam uma banda que desenvolveu um som verdadeiramente característico e, mesmo assim, a cada novo álbum, ela experimenta texturas mais excitantes. É impressionante o padrão uniforme de excelência que o duo manteve em todo o seu catálogo.


03. The 1975 – A Brief Inquiry Into Online Relationships

Abrindo o pódio, temos aquele que foi o álbum mais aguardado do ano: “A Brief Inquiry Into Online Relationships”, da banda The 1975. Um disco estranhamente eclético e uma verdadeira montanha-russa de gêneros. Começa com uma tradicional trilha introdutória, depois mergulha no mundo do pop, jazz e soul. É um disco excepcional que aborda muitos temas importantes. Também serve como uma cápsula do tempo para os jovens dessa geração. “A Brief Inquiry into Online Relationships” não é apenas “um dos melhores discos de 2018”, é o próprio 2018. O tema principal, portanto, parece ser a intimidade versus o isolamento do amor moderno – daí a ênfase na tecnologia. George Daniel e Matty Healy colocaram auto-tune em todo o repertório, mas para adicionar um clima eletrônico exuberante, não para ajustar os vocais como outros artistas. Se The 1975 sempre pareceu ser uma banda de synth-pop dos anos 80 inexplicavelmente colocada no século XXI, “A Brief Inquiry into Online Relationships” seria o álbum que os coloca firmemente na era moderna. Ademais, possui um maior foco nas baladas. Ao contrário dos álbuns anteriores, ele documenta diretamente as falhas da sociedade moderna. É habilmente trabalhado e quase todas as músicas cobrem uma profunda história de luta ou amor. Nenhum outra banda faz músicas pop tão doces e incrivelmente agradáveis como o The 1975. Eles queriam criar um dos registros mais importantes da década, e podem ter conseguido.


02. Robyn – Honey

“Honey” é um disco dance-pop com uma natureza sentimental que se concentra nas nuances de suas relações amorosas. Robyn aborda este tema com um senso de maturidade e honestidade que aparentemente surge de forma natural para ela. Dessa vez, a sueca optou por um repertório que mergulha em seu lado mais pessoal, enquanto se mantém otimista e, mais importante ainda, dançante. A diferença entre esse álbum e os predecessores é que “Honey” consegue se concentrar principalmente no reino da dance music. Simplificando, é a oferta mais dançante que ela lançou até hoje. A produção cintilante combina perfeitamente com sua voz e, além disso, a combinação de letras e vocais faz com que o álbum pareça quase eufórico. Essa euforia é justaposta aos momentos de tristeza e, ocasionalmente, arrependimento. Há uma sensação de melancolia distinta que pode ser sentida no centro do repertório. A paleta instrumental parece algo que se ouvia em uma discoteca no final dos anos 80 ou início dos anos 90. Um projeto com uma nova perspectiva sobre as circunstâncias infelizes e um senso de compreensão mais aguçado, que naturalmente vem com alguns anos de maturidade. A produção é subjugada, mas permanece digna de dançar e alinhada com o talento da Robyn. Ela foi capaz de criar um álbum que não é apenas pessoal, mas também emocionalmente diferente de qualquer outro de sua discografia.


01. Janelle Monáe – Dirty Computer

O título de melhor álbum de 2018 vai para “Dirty Computer” da talentosa Janelle Monáe. Após um hiato de cinco anos, ela compartilhou conosco um álbum sobre o amor, igualdade, sexualidade, medo, raça e cultura. Musicalmente, ele possui fortes influências dos anos 80 que foram misturadas com tendências modernas de uma forma magistral. Com o complicado clima político da atualidade, o timing do “Dirty Computer” não poderia ser melhor. O repertório reúne diferentes gêneros que passam pelo pop, R&B, funk, hip hop, soul e sci-fi. Inspirada por artistas como Prince e Janet Jackson, e apresentando faixas que caracterizam os gostos de Stevie Wonder e Grimes, Janelle Monáe conta sua própria história e as experiências de ser uma mulher negra pansexual. Desta vez, a linguagem sonora da cantora é completamente exuberante e focada na liberdade de expressão. Sua mensagem a respeito de liberdade é tão vital quanto os sons que a transmite. Com este registro, ela quer empoderar as mulheres, os negros e a comunidade LGBTQ que tanto sofrem em decorrência da discriminação da sociedade. Ao todo, “Dirty Computer” é um manifesto político e uma poderosa obra artística. Seu terceiro álbum é tão significativo e sublime quanto seus dois discos anteriores.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.