Best New Music: JPEGMAFIA – Baby I’m Bleeding

Lançamento: 26/01/2018
Gênero: Hip hop experimental, Hip hop alternativo
Produtor: JPEGMAFIA
Compositor: Barrington Hendricks.

Barrington DeVaughn Hendricks, conhecido profissionalmente como JPEGMAFIA, é um rapper e produtor americano de Baltimore, Maryland. Hendricks começou a se interessar pela música quando estava no exército, e foi durante sua permanência militar no Japão, que começou a fazer música com o nome de JPEGMAFIA. Inicialmente, com o grupo Ghostpop, ele ganhou repercussão em Tóquio e, posteriormente, quando voltou para os Estados Unidos, começou a desenvolver música como artista solo. Sua criatividade é quase incomparável! Ele rima sobre batidas que nenhum outro rapper seria corajoso o suficiente para tocar. Um ótimo exemplo disso é “Baby, I’m Bleeding”, uma música que literalmente parece um colapso mental, mas da melhor maneira possível. JPEGMAFIA usa recursos com êxito para realizar coisas que ele próprio não conseguiria. O aspecto político do seu novo álbum também é prazeroso. Algumas faixas são muito conflituosas socialmente, com ataques a vários grupos políticos. A habilidade do JPEGMAFIA de dissecar e distorcer o hip hop de maneiras incomuns atraiu muita atenção dos fãs alternativos. É fácil perceber porquê, afinal os vocais estranhamente em loop de “Baby is Bleeding” possuem um estilo experimental muito consistente. Mas o que faz com que o estilo do rapper seja único, é sua capacidade de trabalhar com diversas amostras.

Em “Baby, I’m Bleeding”, ele oferece alguns dos seus versos mais duros, enquanto aponta o dedo para a Casa Branca, fãs de música country e brinca com a cor do cabelo do Kanye West. Suas letras são agressivas, mas seu humor permite que o ouvinte não se sinta ameaçado. A amostra vocal manipulada, que se repete durante toda a música, é realmente chocante, mas funciona perfeitamente bem. “Baby I’m Bleeding” permite que uma batida de duas notas corra por quase metade da música, mas ainda consiga ser estranhamente contagiosa. E ela fica mais cativante quando o fluxo hostil do rapper entra em cena. A coluna vertebral da faixa é formada por um sintetizador incessante que soa como um alarme de baixa frequência. O comentário social não é visto apenas no desdém palpável da entrega do JPEGMAFIA, mas também em letras como: “Correntes no meu corpo, parecendo um rapper / Agindo como um escravo quando estou atirando para meus mestres, mano”. Em outro momento, ele aponta o dedo para rappers que ele considera um fiasco: “Rindo desses caras do SoundCloud tentando ser nós”. Sua voz corta qualquer coisa, enquanto suas linhas são completamente diretas: “Agora estou na Casa Branca, procurando seu presidente”. Tudo em tudo, posso afirmar que o JPEGMAFIA sabe como usar amostras vocais de maneira criativa. Da mesma forma, a bateria e a percussão são consistentemente fortes, e servem como um ótimo complemento nos momentos mais inesperados de “Baby I’m Bleeding”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.